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Metodologia para o ensino de idiomas

Ouço muitas vezes a pergunta: “qual é a melhor metodologia para o ensino de idiomas?”

Bem, existem muitas formas de ensinar e os “passos” para chegar ao aprendizado, bem como a maneira e a ordem em que são introduzidos irão resultar em menor ou maior eficiência. Vale também lembrar que por melhor que seja a metodologia empregada, o fato de o professor estar devidamente treinado e acreditar no que faz também será um diferencial importante e que precisa ser levado em consideração.

Temos muitos métodos de ensino que incluem passos e procedimentos de metodologias e conceitos básicos, e na hora de escolher qual será usada temos que levar em conta a duração do curso e seus objetivos.

Uma técnica que seja realmente eficaz, no meu modo de ver, deve:

  • fazer a introdução baseada em um todo (história, vídeo, texto, etc.), pois não se compreende a apresentação pura e simples de palavras ou regras gramaticais sem que haja um contexto.
  • desenvolver usando as palavras ou gramática, dando sempre a chance ao aluno de entender  como usar, sem a preocupação de “traduzir”.
  • fornecer prática suficiente para memorizar vocabulário e gramática em um primeiro estágio e insistir nesse processo até sua sedimentação.
  • dar ao aluno a chance de desenvolver-se no idioma utilizando as quatro habilidades (fala, escrita, audição e leitura), de forma que o desenvolvimente se dê como um todo, não beneficiando nenhuma delas em detrimento de outra.
  • disponibilizar meios para que o aluno cheque frequentemente o nível de seu aprendizado, dando-lhe oportunidades para avaliar seu próprio desempenho de acordo com o que se espera dele.
  • em estágios avançados, permitir que o aluno entenda as diferenças entre a linguagem formal e informal e consiga transitar de forma confortável entre elas.

Qualquer que seja a metodologia ou o método usado para ensinar, se todas essas exigências forem cumpridas, dependerá apenas da habilidade do professor em aplicá-lo e do aluno ao adaptar-se a ele o sucesso ou fracasso na apresentação do curso.

Zailda Coirano – SOS Idiomas & Digital Goods

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Inglês Instrumental (ESP) – Grupo Google

Quem dá aulas de “inglês instrumental” está sempre procurando material, que tal partilhar o que você tem conosco?  Somos um grupo de professores e trocamos nossos trabalhos e ideais sobre a melhor forma de ensinar num grupo Google. Todos os meses enviamos um de nossos trabalhos ao grupo e em troca recebemos os trabalhos enviados por todos os outros membros.

Divulgando o nosso trabalho seremos cada vez mais membros e cada vez mais trabalhos teremos para partilhar e receber. Interessante, não acha?

Em vez de procurar trabalhos em muitos lugares, os membros do grupo podem encontrar o que precisam em um só lugar. E a vantagem é que além dos trabalhos também trocamos ideias e ajudamos quando algum dos membros precisa.

Há muita controvérsia sobre ensinar ou não gramática mas não há problema, porque no grupo temos tanto professores que usam a gramática contextualizada quanto os que se preocupam mais com vocabulário e conversação. A diversidade enriquece nosso trabalho e beneficia nossos alunos. Caso queira participar, abaixo estão os links do grupo e do blog de apoio.

Visite o grupo: ESL – English for Specific Purposes

Para saber mais sobre o grupo, visite o blog de apoio: English for Specific Purposes

Leia também: O que é um Grupo Google?


Idioma e cultura

Um casal de italianos passou algumas semanas na cidade onde eu morava, e alguns alunos estavam falando sobre eles.

“Não gostei deles”, dizia uma aluna. “Nem chegaram e já foram dando tchau.”

Eu achei a conversa muito engraçada porque quando ensinamos italiano dizemos aos alunos que o “ciao” é usado tanto como cumprimento quanto despedida. Se simplesmente traduzirmos como “tchau” vai ficar sem sentido mesmo.

Para ensinar um aluno a atender o telefone em inglês não basta explicar as palavras e frases que irá dizer. Tenho também que explicar que se não se identificar logo de cara eles provavelmente não o deixarão falar e desligarão o telefone. Quando ligamos devemos dizer quem somos e com quem queremos falar.

Mesmo em países que falam a mesma língua (ou quase) é importante conhecer alguns traços da cultura de um e outro antes de nos aventurarmos a falar com um nativo. Uma amiga minha estava em Portugal e ao descer uma ladeira esbarrou em uma senhora que vinha subindo.

– Desculpa! – pediu ela, com o mais autêntico e simpático sorriso brasileiro.

A outra, mal humorada, resmungou:

– Além de não olhar por onde anda ainda me trata de “tu”.

A emenda saiu pior que o soneto. No caso ela teria que dizer “desculpe”. Não damos a menor atenção a esse detalhe aqui no Brasil, mas em Portugal as pessoas mais velhas ou importantes estão costumadas a ser tratadas com formalidade pelos mais jovens e pessoas que não conhecem.

Por isso muitos acham que aprenderão melhor um idioma se forem morar no país onde ele é falado. Não deixam de ter uma certa razão, mas se por outro lado fizerem um curso onde além do idioma aprenderem também sobre a cultura e costumes do povo que o fala, poderão ter um passeio bem mais proveitoso no futuro e com menos “armadilhas”.

Leia também:

Preparação de aula

Lição de casa


Inglês e espanhol na escola

Por decreto do presidente, além do inglês os alunos também devem aprender o espanhol na escola. No papel fica bacana, poderia até tirar nosso país do 85º lugar (se não me falha a memória) em educação no mundo e fazer com que escalemos alguns números para cima.

Mas – como disse Charles De Gaulle em uma visita ao Brasil: “Isso não é um país sério.” Apesar de estar aqui há pouco tempo acho que ele foi bem perspicaz e realmente resumiu o que muitos de nós também pensamos. Botar no papel é fácil, tornar isso uma realidade seria uma missão quase impossível – se fosse levada a sério.

O inglês da escola pública já não é levado ao pé da letra. Não é como as outras matérias, não reprova. O professor tem que – mais que ensinar – entreter os alunos para que não se aborreçam ou destruam a classe durante a aula. Se eu desse aula de inglês em escola pública garanto que ia aparecer todo dia fantasiada de palhaço. Não, meu amigo! Professor de inglês não é palhaço, mas como dizia o Jô em seu bordão: “mas estão nos fazendo de palhaços”.

E incluir o espanhol nessa palhaçada não sei se foi uma boa ideia. Dizer que “a partir de 2008 – ou 2100 – o ensino do espanhol será obrigatório na escola pública” fica muito bacana, mas quem é que vai ensinar? Se você aí parar pra pensar que nesse país não se ensinava espanhol na escola pública até poucos anos atrás (aliás em escola nenhuma, exceto nas escolas de idiomas) quem é que se preparou para ensinar espanhol? Onde haverá professores para dar aulas para tanta gente?

Mas professor é danado, correram e foram à luta. Será que houve alguma compensação? Depois de tanto esforço, os poucos profissionais capacitados na área estão correndo feito loucos para encontrar material e meios para ensinar alunos que nunca viram espanhol na vida e acham que “espanhol é igual português”.

Bem, se pelo menos soubessem português já seria um ponto de partida, mas será que o espanhol vai reprovar ou irá juntar-se ao “clube” das matérias que são incluídas na grade só para passar o tempo e entreter os alunos? Será levado a sério ou também vai acabar em pizza? Em pizza, não: em paella.

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Dinâmicas e jogos para história e geografia

Inglês não reprova na escola

O ensino de idiomas na escola

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O ensino de idiomas na escola

Como está o ensino de inglês e espanhol na escola? De um lado há a escola pública – onde o inglês não reprova – e passa-se claramente ao aluno a noção de que não é importante aprender inglês.

Paradoxalmente essa mesma matéria que é relegada a um segundo plano na escola é exigida no vestibular como todas as outras. E exigida como pré-requisito para matricular-se em muitos cursos de mestrado, doutorado e pós-graduação. No mercado de trabalho, a não ser que o aluno queira estudar e tirar um diploma para ser motoboy, a ignorância total do idioma inglês ou espanhol é um fator de exclusão.

De outro lado temos a escola particular que – pelo menos teoricamente – fornece (ou propõe-se a fornecer) um ensino de qualidade, já que os pais estão pagando. Mas será que o que pagam é exatamente o que recebem?

Quem é professor de inglês ou espanhol aí e que já foi pressionado pelo diretor a “dar um jeito de aprovar” os alunos, levante a mão – a minha já está levantada. Algumas escolas usam o inglês ou espanhol na grade escolar apenas como chamariz, é o que chamam de “diferencial”. Incluem o idioma (ou idiomas, quanto mais, melhor) na grade para “encher os olhos” dos pais na hora da matrícula.

Quando o professor se empolga e resolve realmente ensinar, esbarra em dois problemas: tem que despertar o interesse dos alunos, nivelar os que vieram de escola pública (onde inglês e espanhol “não reprovam”, portanto não precisavam “se preocupar” com eles) e cobrar o mínimo possível, porque se o aluno reprovar há o risco de os pais tirarem o aluno da escola.

Sim, porque hoje em dia se 40 alunos passam de ano mas o “meu filho” não passa, ou a escola não presta, ou o professor é que é ruim e “pegou no pé” do meu filho, ou então meu filho “não se adaptou ao método”.

O método, meus caros amigos, em qualquer escola é basicamente o seguinte: o professor ensina, o aluno pergunta se tiver dúvida, o professor fornece meios para que o aluno pratique, use o que aprendeu, cheque quanto aprendeu. Aí o professor marca uma data, prepara uma prova, o aluno estuda, faz e a prova e é avaliado pelo tanto que aprendeu do que foi ensinado.

Com algumas variações, no final das contas o método é comum a todas as escolas. E se tem algum aluno que “não se adapta” a isso, alguma coisa está profundamente errada. Se tem aluno que acha uma injustiça que o professor inclua na prova a matéria que ensinou enquanto ele ouvia música no celular, passava mensagens ou batia papo no fundo da sala, cuja lição de casa ele não fez, e que em vez de estudar simplesmente ignorou porque tinha coisas “mais importantes” para fazer, o mais absurdo é que haja pais que concordam e que tiram o aluno da escola.

Tirar um aluno da escola significa “menos dinheiro entrando” e como toda escola particular é também uma empresa, o administrador, ou melhor, o diretor tem que tomar medidas para reduzir ao máximo a evasão escolar, e o meio mais fácil e óbvio que encontra é pressionando o professor para que “pegue leve” com os alunos ou deixarão de ser seus alunos – se é que me entende.

Triste panorama. De um lado temos a hipocrisia, onde ignoram o que será depois cobrado. No outro lado temos a hipocrisia dupla: a escola faz de conta que ensina, o aluno faz de conta que estuda, o pai faz de conta que acredita. E ai de quem jogar suas crenças por terra!

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