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Plano de aula

Os planos de aula ainda são exigidos por algumas escolas, mas mesmo quando não são, é sempre bom ter um, mesmo que seja bem simplificado. E o que é importante colocar num plano de aula?

Em primeiro lugar, como vou introduzir esse tópico, que tipo de recursos poderei usar (computador, tintas, dados?) como serão usados no decorrer da aula. Tenho também que colocar o objetivo de cada atividade que descrever em meu plano de aula. Se vou dar uma música, o que espero desenvolver? A audição? Então tenho que ter espaços para que preencham enquanto ouvem. A coordenação motora? Então vou encostar as carteiras e iremos dançar. Ética? Então vou colocar os alunos em grupo para discutir o tema da música. E assim por diante.

Depois de descrever todos os recursos, atividades, objetivos, tenho também que acrescentar atividades extras para alunos superdotados ou alunos com dificuldades. Eles são esquecidos, o que sabe tudo fica de braços cruzados esperando os outros acabarem (ou atrapalhando) e o aluno com dificuldades acaba ficando sem saber.

No final, deixo sempre um espaço para avaliação:

Foram alcançados os objetivos? O que observei nesse sentido?

Se os objetivos não foram alcançados, quais os motivos?

Que outras atividades posso incluir para compensar essa falha?

Haverá uma revisão antes da próxima aula? Será feita uma avaliação no final desse período?

O plano de aula deve conter não só tudo o que foi feito (de forma resumida) como também como será feito, que recursos e técnicas serão usados, os objetivos esperados e no final uma avaliação minha de todo o trabalho.

Além de tudo isso será uma boa ideia fazer uma previsão de quanto tempo será gasto em cada etapa, assim sempre saberei se estou indo muito depressa, muito devagar ou se simplesmente fiz um cálculo fora da realidade.

Isso será muito útil ao programar as próximas atividades, porque sempre terei uma base em que me apoiar. Se demoraram 15 minutos para responder perguntas de revisão por escrito, quanto demorariam para responder 10 desta vez? Ou então: se demoraram tanto para responder as perguntas por escrito, não seria uma boa ideia que respondessem oralmente da próxima vez?

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O que posso responder durante a prova?

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Dê boas-vindas aos seus alunos

Temos vários problemas em classe durante o semestre mas as férias servem para “baixar o nível de stress” tanto dos alunos quanto do professor. Voltam cheios de expectativas, alegres por reverem os amigos e – mesmo que não admitam – sentem falta da rotina escolar.

O professor esperto irá aproveitar esse estado de ânimo e fazer o possível para “esticá-lo” o máximo de tempo possível. Receber os alunos de forma fria ou já com o livro aberto para começar as atividades seria como jogar um balde de água fria em seu entusiasmo, que poderia ser aproveitado a seu favor e para ganhar pontos em favor do aprendizado.

Receber seus alunos à porta com um sorriso, cumprimentá-los e dizer o quanto sentiu a falta deles é uma acolhida simpática que colocará a todos à vontade e animados para aprender. Ao contrário, o professor que já começa o semestre de livro aberto ou dando broncas, de cara amarrada e deixando evidente que preferia mil vezes continuar de férias do que estar ali irá causar um efeito contrário e já de cara irá marcar muitos pontos contra, que depois terão que ser descontados e revertidos ao longo do semestre.

Aproveite essa oportunidade de “recomeçar com o pé direito”, receba os alunos de forma calorosa e simpática, prepare alguma atividade diferente na qual além de se divertirem também tenham a oportunidade de se expressarem e aquecer as turbinas para o semestre que começa.

Mesmo que você tenha um cronograma apertado pode ter certeza de que todo o tempo “perdido” com esse tipo de atividade na verdade será ganho pois você terá mais participação e cooperação dos alunos durante o semestre e com isso terá que intervir menos em matéria de disciplina ou participação.

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Atividade para o primeiro dia de aula

Dinâmicas para a volta às aulas

Jogos em sala de aula


Atividade para o primeiro dia de aula

Essa atividade pode ser usada com alunos maiores (adolescentes) com um bom retorno para o professor porque considero importante sabermos como os alunos se sentem e o que esperam de nós. Quanto mais nos aproximarmos de suas expectativas, mais colaborativos e participativos se tornarão, então por quê não preparar alguma atividade onde possam expressar-se e para que tenhamos ideias para usar durante o semestre?

Muitos professores optam por uma atividade meramente recreativa para o primeiro dia de aula e às vezes eu também faço dessa forma, mas se pudermos adotar uma atividade na qual possam se expressar (e quem é que não gosta de falar de si, de seus sonhos e ideias?) o resultado pode ser muito bom.

Para fazer o download da atividade clique no link abaixo. A atividade é meramente sugerida, você pode usá-la simplesmente para inspirar-se ao criar algo semelhante.

A atividade foi concebida para que os alunos a fizessem em pequenos grupos ou em pares. Devem discutir as questões propostas em grupo e depois cada aluno anota suas conclusões.

Sugiro que respondam oralmente da seguinte forma:

– O professor faz a primeira pergunta e escolhe um aluno para respondê-la;

– O aluno que respondeu a primeira pergunta escolhe um outro aluno e fará a ele a segunda pergunta;

– O aluno que respondeu a segunda pergunta escolhe outro aluno e fará a ele a terceira pergunta.

Importante: Assim que o aluno responde a pergunta o professor deve perguntar à classe:

– Alguém discorda ou tem alguma resposta diferente?

O objetivo dessa atividade é fazer com que os alunos se expressem e também para que percebam a utilidade da matéria ensinada e também descubram como ela poderá ajudá-los a conseguir o que querem para seu futuro ou mesmo em seu cotidiano.

Podem ser propostas perguntas adicionais. Por exemplo: se você é professor de física, pode perguntar: “Em que essa matéria pode ajudar uma dona-de-casa em sua vida diária?”

Primeiro dia – DOWNLOAD

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Jogos em sala de aula


Para que servem as regras?

Praticamente qualquer coisa que envolva a participação de 2 ou mais pessoas implica em regras. O casamento impõe regras, no seu ambiente de trabalho há regras, para exercer sua cidadania há regras a seguir da mesma forma. As regras existem para organizar e garantir que todos tenham as mesmas oportunidades e o mesmo tratamento.

Modero alguns grupos de professores e alunos e eles se tornariam uma grande bagunça que não atenderia às expectativas de ninguém sem regras. Na escola, como lidamos com pessoas de várias faixas etárias, diferente educação e formas de criação, elas são mais que nunca necessárias.

Temos pouco tempo para passar bastante conteúdo, então todos os elementos do grupo precisam saber que papel se espera deles para que todo o grupo funcione. O professor passa informação e orienta, mas precisa também que os outros elementos façam seu papel, ou sua tarefa não será bem sucedida.

Todos dentro da escola têm regras a seguir e os alunos não são diferentes sob esse aspecto. A despeito da aversão que os alunos têm das regras, eles precisam entender que elas não existem apenas para beneficiá-los, mas também para proteger seus interesses e sua integridade.

Para que as regras da sala de aula sejam cumpridas elas precisam ser entendidas, têm que ser poucas e claras. Quanto mais regras você impuser, maior a chance de não serem respeitadas. Quanto menos entenderem as regras, maior a chance de seus alunos as infringirem.

As regras não podem cobrir apenas os deveres, precisam contemplar também os direitos e prever algumas compensações além de castigos. Regras que apenas restringem e punem são odiadas e burladas sempre que possível.

Elas também não podem ser impostas, mesmo as mais necessárias precisam de alguma colaboração dos alunos, alguma negociação para que eles as vejam não só como “fruto dos caprichos do professor” como também resultado do um consenso.

Você pode, por exemplo, dizer que há a necessidade de estabelecer um prazo para a entrega da lição de casa após terminar cada lição. Pode explicar aos alunos que um prazo muito curto poderá não ser suficiente para que todos façam e que um prazo muito longo pode fazer com que alguns alunos tenham dificuldade, porque é a lição de casa que faz com que o aluno fixe o que aprendeu. Alguns podem também confundir o tópico da lição de casa com o que estão já aprendendo (se o prazo for muito longo). Então pode dizer que o prazo pode ser entre 3 e 10 dias, e pedir que resolvam ou que votem no prazo que seria melhor.

Outras regras podem ser apresentadas dessa forma, e dessa maneira os alunos também se sentirão seus “autores” e a chance de respeitarem algo que eles mesmos produziram será bem maior do que se fosse algo simplesmente imposto e cujo objetivo eles não entendessem claramente.

Alguns professores gostam de – na primeira semana de aula – dividir a classe em grupos para que elaborem as regras da classe que valerão para aquele ano ou semestre. Esses professores dão áreas (atrasos, faltas não justificadas, entrega de lição de casa, participação durante a aula, etc.) e podem ser criadas as regras por todos os grupos, ou cada grupo cria sobre uma área específica e depois os outros alunos vão sugerindo mudanças, chegando-se assim a um consenso.

Naturalmente que todo esse trabalho deve ser orientado pelo professor e caso eles tenham propostas muito distantes da realidade da classe o professor poderá mostrar a eles os prós e contras de cada uma (como foi feito acima com a lição de casa).

Explicar a eles os objetivos de cada tipo de regra também é fundamental para que percebam o que precisam reduzir ou coibir, o que devem permitir ou incentivar. Depois de decididas as regras (com a intervenção e orientação do professor), podem fazer cartazes com as regras que permanecerão todo o semestre no quadro de avisos ou até que todos estiverem cientes de todas elas.

O aluno feliz

vestibular-aluno

Para o aluno feliz tudo o que você ensinar será novidade, não importa se você já falou alguma coisa “milhões” de vezes, na milionésima primeira vez que você falar será sempre a primeira. Para ele não existe aula chata já que tudo é novo, mesmo se você se enganar e em vez de dar a lição que daria hoje der a que já deu o mês passado. Ele é feliz até por antecipação, porque já sabe que tudo o que está ouvindo não ocupará o mínimo espaço em seu “disco rígido”, já que irá diretamente para a lixeira. Ele é o famoso “entra por um ouvido e sai pelo outro”.

Por quê alguns alunos não aprendem?

Quando ensinamos tomamos por base a maioria, a média da classe. Fatalmente excluímos os que estão acima ou abaixo dessa média, que são aqueles alunos que mais sairão prejudicados. O que está acima da média terá que aturar aulas chatas e repetitivas e mofará de tédio esperando que todos os outros terminem o que ele até já esqueceu que fez. Normalmente é ignorado pelo professor, que “não se preocupa” com ele. Talvez sinta necessidade de chamar a atenção ou espantar o tédio e aí pode começar a apresentar problemas de disciplina.

O que está abaixo da média pode sentir vergonha de perguntar, ou então estará tão perdido que nem sabe o que perguntar. E quando digo “abaixo da média” não me refiro ao fator “inteligência” e sim “ritmo de aprendizado”.

O que é ritmo de aprendizado?

Cada um tem seu ritmo e sua forma de aprender. Os alunos que normalmente são apontados como “acima da média” têm um “atalho” no cérebro, o que escutam é rapidamente decodificado e armazenado, então conseguem colocar em prática imediatamente. Mas hoje em dia temos muitos alunos “visuais”, que aprendem quando “veem” a coisa. Ou quando a veem sendo executada. Imagine que não sabe amarrar os sapatos, que método seria menos complicado: alguém lhe ensinar na teoria o que deve fazer ou ver alguém fazendo?

Ver alguém fazendo resolve?

Ver alguém fazendo – me dirá você. Claro, mas será que só de ver alguém fazendo você poderia dizer: “Muito bem, já entendi e daqui pra frente já posso amarrar meu sapato eu mesmo?” Claro que não, para que realmente aprenda o aluno precisa praticar. E se você sair perguntando por aí quanto tempo levou para cada pessoa aprender a amarrar os sapatos verá uma diversidade tão grande que será difícil equacionar tudo isso e generalizar. Da mesma forma não podemos generalizar nossos alunos, cada um deles tem um ritmo de aprendizado e uma necessidade diferente de prática antes do aprendizado se consolidar.

O que fazemos então?

Antes de mais nada precisamos conhecer nossos alunos, pois só assim poderemos entender o processo de aprendizado de cada um. Dar um ensino personalizado a cada um deles me parece a forma mais correta, uma vez que o ensino levando-se em conta que “são todos iguais” não funciona. Levar uma atividade diferente para o Joãozinho que sempre acaba primeiro para evitar que se chateie e comece então a chatear os outros; uma lição de casa extra para o Luisinho que precisa de mais prática para aprender; um mapa ou figura para a Mariazinha que é essencialmente visual em seu aprendizado; tecer exemplos para Teresinha e Jorginho que têm imaginação fértil; sempre que possível combinar diferentes atividades que contemplem todos os alunos que você tem.

Como os dedos da mão

Nossos dedos são todos diferentes e assim são nossos alunos, como todos os seres humanos. Levar em conta as diferenças na hora de ensinar irá proporcionar a todos um aprendizado eficiente e todos irão interessar-se pelas aulas. Aluno feliz sim, mas não por sua perpétua ignorância. Feliz porque sabe que aprendeu.

assinatura coração

Leia também: A lição de casa não precisa ser monótona e repetitiva

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