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O que te move ao ensinar?

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Ensinar não é uma tarefa fácil, e eu tenho para mim a noção de que é até impossível. Como???? Ora, eu não acredito que se possa “ensinar” algo, pelo menos não da forma como se espera. Não existe para mim a noção de que eu “tenho o poder” de fazer com que teoria se transubistancie em aprendizado na cabeça de alguém. Há muito abandonei a crença de que sou capaz de fazer com que a informação se transfira do meu livro para o cérebro do meu aluno como num passe de mágica.

Reconhecendo minha pequena parcela de participação nesse processo, hoje eu me sinto apenas como “facilitador” ou uma mera “ferramenta” no processo de aprendizado. Ou seja, reconheço sim o “aprendizado” como um processo ativo e não passivo (onde alguém simplesmente “bebe” a informação derramada por outro ser, bem mais culto, informado ou preparado que ele).

Partindo do princípio de que não sou a detentora da informação e agente principal no processo “ensino – aprendizado”, sou capaz de perceber também que de nada adianta o discurso inflamado perante algumas dezenas de cabecinhas jovens ou nem tanto. Muitas de minhas convicções ao preparar uma aula simplesmente caem por terra ao tentar colocá-las em prática, pela razão óbvia para mim agora (nem tanto no passado) de que o ensino deve ser focado no aluno e não no professor.

Eu não tinha a menor intenção de tornar-me uma estrela da música ou da dramaturgia, o que já é uma grande vantagem. Se tivesse essa intenção tentaria fazer da sala de aula meu palco, e de meus alunos a minha plateia. Com certeza – mesmo que inconscientemente – tentaria compensar essa frustração de não ter sido quem eu queria ser e reverteria a situação a meu favor, fazendo de conta que os alunos eram meus expectadores.

Prepararia então um discurso com frases de efeito, monólogos que eu recitaria sem pestanejar ou gaguejar, com impostação de voz calculada para combater o sono, o enfado e o marasmo que tanta verborragia certamente iria provocar. Ano após ano eu me especializaria nessa sessão de “fala que eu te escuto” constante permeada de exemplos e que (na minha cabeça, claro) deixaria os alunos embevecidos e admirados pela quantidade e qualidade de informação que eu seria capaz de simplesmente despejar sobre a cabeça dos pobres mortais a quem tinha sido concedida a extrema graça de pertencer ao seleto grupo de privilegiados que desfrutariam de minha performance decorada e estudada, mil vezes ensaiada na frente do espelho.

Mas eu nunca quis ser uma estrela. Nem tampouco sou tão arrogante para sequer imaginar que eu seja o centro das atenções numa sala cheia de cabeças fervilhantes e que têm acesso a todo tipo de informação. Hoje não somos mais os “detentores” da informação. Ela se encontra livre e abundantemente espalhada pela internet. Qualquer um pode digitar o que deseja saber e em alguns segundos verá descortinar-se diante de si um universo de informação em todas as formas possíveis.

Seria então a Wikipedia um bom professor? Creio que não. Acredito que a missão do professor não seja simplesmente “passar informação”. O professor tem tantes disso a missão de aguçar a curiosidade de seus alunos, torná-los independentes e auto-suficientes na busca pela informação. Deve também mostrar a cada um como essa nova informação cabe em seu universo e como pode conectar-se a outros dados anteriormente trabalhados.

O professor deve antes de tudo ensinar a aprender, deve perguntar ao invés de responder. Meus melhores professores nunca me deram respostas prontas, mas deles recebi boas perguntas para que eu aprendesse a pensar.

Não acredito que alguns preparem suas aulas de uma maneira melhor do que outros. Acredito, sim, que muitas vezes partem de premissas equivocadas ou têm um enfoque que só favorece a si mesmos.

O que te move?

Você quer formar criaturas pensantes que questionam e buscam respostas? Ou quer provar que é um bom professor?

Você quer que seus alunos se tornem seres humanos bem sucedidos e que contribuam de maneira efetiva para que a sociedade se beneficie? Ou quer que aprendam rápido para ter menos trabalho?

Você consegue visualizar seus alunos daqui 20, 30 anos usando aquilo que aprenderam? Ou está apenas preocupado em passar toda a informação que consta de seu cronograma e daí para diante é problema deles?

Às vezes nossa questão é simplesmente “como vou dar essa aula” e nem pensamos em “como os alunos irão entender e usar esse conteúdo”. Partimos do ponto de vista errado e depois não entendemos o que não deu certo. Nossa preocupação fundamental deve ser sempre como fornecer a prática, inserindo informação nova no universo do aluno. De que forma faremos isso depende muito do perfil de sua classe, do quanto pretende se aprofundar no tema e quanto tempo terá disponível para cumprir sua função.

Mas sempre o mais importante é o aluno e não o professor. Não podemos confundir hierarquia com prioridade. O professor é superior hierárquico pois mantém a ordem, orienta os trabalhos e determina funções. Mas a prioridade é e sempre será o aluno, nunca o professor.

O que teoricamente seria um elogio “você é a melhor professora que eu já tive” me soa sempre como algo oco, que carece de sentido. Melhor por quê? Dou os melhores prêmios nos jogos? Sou bonita, criativa, cheirosa, inteligente? Não faz sentido para mim. Mas o que me move, o que me deixa feliz é ouvir “aprendi muito com você”. E o melhor: não de você. Aprendeu comigo. Aprendemos juntos então. Pelo menos dessa vez eu sinto que minha missão foi cumprida.

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Zailda Coirano

Professor que queria ser ator

Vejo todos os dias colegas se lamentando da postura dos alunos, que não respeitam mais o professor, que não prestam atenção à aula, que fazem bagunça durante a explicação, que não se interessam em aprender.

Cobram uma atitude dos pais e do governo: mais atenção à educação por parte dos governantes; mais energia por parte dos pais.

Tudo isso é verdadeiro e a sala de aula às vezes beira o caos. Mas vamos ficar esperando até que os pais resolvam dar bons modos aos filhos e que o governo resolva olhar pela educação?

Essa atitude passiva e de espera por algo que poderá jamais acontecer pode ser fatal. Gritar e espernear podem não resolver.

Acredito que a solução seja adaptar-se à realidade. Não adianta lamentar o que passou: o tempo de ajoelhar alunos faltosos em cima do milho atrás da porta, o tempo em que os pais castigavam os filhos que obtinham notas baixas, o tempo em que os alunos respeitavam ou temiam o professor.

Eu duvido que as coisas voltem a ser como antes, porque a sociedade evolui e mesmo que não gostemos do resultado é uma evolução. Pensar num retrocesso é altamente improvável, então eu acredito que as coisas continuarão caminhando no rumo em que estão.

Se a escola mudou, se o aluno mudou, se a família mudou, temos que mudar também. Aquela figura do professor em frente de uma classe falando, falando e falando – e os alunos bebendo sua sabedoria – só existe em nossa lembrança ou em nossa imaginação.

Se tudo mudou é necessário que mudemos também. Que adotemos técnicas que lidem melhor com essa nova situação. Mais que nunca é exigido de nós que nos adaptemos e que evoluamos junto com uma sociedade que já não é mais a mesma e que evolui constantemente, quem não a acompanhar ficará para trás.

Antes de inviabilizar seu trabalho faça um exame de consciência. Conheço muitos professores que insistem em dar murros em ponta de faca, reclamando de volta aquele padrão que já ficou para trás. Por que querem aquilo de volta?

Talvez a resposta esteja entre os motivos que levaram essas pessoas a dedicarem-se ao ensino. Talvez sejam atores frustrados que queriam uma platéia atenta que os ouvisse enquanto declamassem seu script. Talvez quisessem algumas centenas de adoradores que ouvissem com atenção suas palavras e imitassem seus gestos teatrais.

Antes que sua peça teatral se transforme em circo no qual você será o personagem principal, tente encontrar em você mesmo a vontade de ensinar. Reencontre o prazer de levar seus alunos a descobrirem respostas e formularem suas próprias perguntas. Lembre-se de sua missão maior e muna-se de ferramentas modernas e mais adequadas para lidar com  o panorama que temos agora.

Não resista, quanto mais cedo você mudar para se adaptar, mais cedo obterá frutos que farão com que continue sua missão. Lembre-se que para ensinar é necessário também aprender. Aprender novas formas de abordagem, um novo formato de aula e uma nova proposta para ensinar. Vamos aprender algo novo a cada dia, e nossos alunos também irão recuperar o prazer de aprender e descobrir.

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Zailda Coirano

Ensino e aprendizado–dá para separá-los?

Da mesma forma que um médico não pode dizer que curou se seu paciente não sarar, até aonde vai nossa responsabilidade no aprendizado de nossos alunos? É desnecessário dizer que nos cabe a parte “ensino” e que o “aprendizado” depende do esforço e da motivação dos alunos, mas será que não podemos influenciar esse processo?

Eu não concordo quando o aluno não aprende e diz que “a culpa” é do professor, mas também acredito que não devemos ficar simplesmente de braços cruzados deixando que o aluno se envolva sem ajuda com seu aprendizado. Seria quase como se o médico dissesse à família de um paciente que morreu que fez sua parte, mas o doente não fez a sua (que seria sarar).

Não podemos nos omitir simplesmente e há muita coisa que podemos fazer para que nossos alunos tenham melhor desempenho.

Motivação e estímulo

Quando estamos motivados fazemos tudo com mais facilidade e não desanimamos quando aparecem dificuldades; se suficientemente estimulados por meio de palavras de encorajamento, atitudes positivas e feed-back positivo em todas as conquistas continuaremos mesmo quando o cansaço e a preguiça nos disserem para desistir.

Nosso cérebro capta as mensagens em parte e tendemos a repetir as experiências que nos deram resultados positivos; também temos a tendência de evitar situações que geraram angústia ou frustração.

Se quando o aluno faz algo errado o professor disser que “dessa maneira vai repetir” essa experiência será computada como “negativa”. Após algumas repetições (aluno desempenhando mal) a reação do professor se mantiver, em breve o aluno começará a esquecer de fazer a lição, não vai responder nada em classe, tudo isso para evitar a “resposta negativa” do professor.

Se, por outro lado, na primeira vez que o aluno fizer um exercício correto o professor o felicitar e mostrar que ficou contente com seu desempenho, o aluno tentará repetir a experiência, que será computada em seu cérebro como “positiva”.

Dessa maneira o primeiro aluno (cujo professor limitou-se a criticar os erros) tentará evitar envolver-se de forma efetiva em seu próprio aprendizado, porque suas experiências anteriores foram negativas; o aluno 2 que foi incentivado pelo professor que chamou-lhe a atenção para seus pontos fortes (acertos), tentará sempre repetir essa experiência, esforçando-se para superar o que já conseguiu.

Tem que ser chato?

Também será interessante perceber que tipo de atividades chamariam mais a atenção do aluno, e quebrar sempre a monotonia. “Surpreenda-os” deveria ser nosso lema, já que a monotonia leva à estagnação e à preguiça.

Novidades são apreciadas pela maioria, e a minoria costuma seguir o que a maioria faz, então gostando ou não todos irão participar. Se as atividades forem desafiadoras, engraçadas, se fizerem pensar, se forem ligadas ao universo do aluno, elas serão desempenhadas não só como obrigação, mas também como um prazer.

Associando aprender a “prazer”, nosso aluno ficará cada vez mais receptivo à nova matéria, novos tópicos, novas atividades, novos desafios…

Observação

Um aluno é diferente do outro e o conjunto de todos os alunos forma um grupo que tem suas próprias características, reações e necessidades. O professor não pode ignorar as reações de seus alunos e deveria estar sempre atento ao que falam, o que assistem, o que compram, o que fazem fora da escola.

Só com observação perceberá o momento de introduzir novas práticas, novos jogos, novas formas de aprender. Só observando, conhecendo seus alunos e – sobretudo – preocupando-se com eles não só como sua “audiência”, mas também como indivíduos únicos e com necessidades diferenciadas, o professor conseguirá incentivar e motivar seus alunos para que assumam verdadeiramente o compromisso com o próprio aprendizado.

Zailda Coirano – SOS Idiomas

Você tem domínio da classe?

Agora virou moda, basta o professor mandar um aluno para a diretoria ou pedir que saia da sala que logo é acusado de “não ter domínio da classe”. Com medo dessa “acusação” muitos professores tentam lidar com os problemas que surgem dentro da sala de aula como podem, às vezes comprometendo o cumprimento do cronograma que é cobrado de qualquer forma, não importa se temos 5 ou 50 alunos, se estão interessados em aprender ou em correr pela classe e berrar uns com os outros.

Ensino x disciplina

Quando a disciplina torna-se um fator gerador de stress e problemas, ou seja, quando não há disciplina, normalmente uma boa parcela da culpa é nossa mesmo. Nós somos os profissionais, nós fomos treinados para ensinar, nós devemos estar preparados para fornecer meios para motivar e fazer com que os alunos aprendam.

Eu concordo com você que está abanando a cabeça em sinal de que discorda do parágrafo anterior que uma boa parte desses problemas não é culpa do professor. Mas sejam ou não originados por nós, devemos nos preparar para lidar com as mais diversas situações e ocorrências frustrantes dentro da sala de aula para que consigamos fazer aquilo que fomos treinados e ganhamos para fazer: ensinar.

Use seu discernimento

Para lidar com essas situações devemos – antes de mais nada – reconhecer o que está ao nosso alcance e o que deve ser tratado por outros profissionais. Podemos cativar os alunos, desenvolver com eles um relacionamento amistoso (que não quer dizer de “igual para igual” para não comprometer a hierarquia), usar todos os meios disponíveis para motivá-los e melhorar seu aprendizado. Mas não podemos lidar com problemas mentais, emocionais, familiares. Não vamos tentar vestir o uniforme do Super Homem ou da Mulher Maravilha e tratar problemas psicológicos graves, traumas ou resolver questões familiares.

Tudo o que for possível resolver dentro da esfera professor x aluno está sob nossa responsabilidade, e devemos estar preparados para lidar com as mais diversas situações que podem comprometer o aprendizado de uma classe inteira, mas não podemos nos arvorar em “Dr. Sabe Tudo” apenas para não levar a pecha de “não ter o domínio da classe”.

Se alguma coisa realmente estiver fora da sua alçada, não pense duas vezes e encaminhe para quem foi treinado para lidar com o problema ou que tem meios para tal: diretor, coordenador, supervisor, psicólogo, pai ou responsável.

Não tente fazer tudo porque além de não conseguir bons resultados você irá perder o foco do que seria seu objetivo principal, e sacrificar uma classe inteira por causa de um ou dois alunos seria (aí sim) perder o controle não só da classe, mas também de todo o resto.

Para saber mais sobre métodos de ensino, disciplina, preparação de aula e assuntos relacionados visite o site em novo endereço:

questaodeclasse.com 

Zailda Coirano

Nesse artigo você aprendeu que nem todos os problemas que ocorrem na sala de aula podem ser tratados pelo professor.

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Postagens em vídeo

youtubeNo mês de fevereiro começarei a postar alguns dos artigos com maior número de acessos ou comentários do blog em vídeo, pois creio que os vídeos agilizarão a busca e interação com os leitores.

Percebi que alguns leitores postam comentários e pedidos de ajuda sem antes ler (ou ler completamente) o artigo no qual postam o comentário, que muitas vezes já contém a resposta à pergunta que estão postando.

Espero dessa forma estar contribuindo para que os leitores encontrem o que precisam sem ter que ler todos os artigos. Entendo também que o formato “vídeo” facilita a compreensão e tornará o blog mais “humano”.

Aguardem a novidade para breve, já estou trabalhando na produção dos vídeos e a escolha das postagens que receberão a versão do YouTube já foram escolhidas. Caso queira sugerir alguma postagem que você gostaria de ver convertida em vídeo basta comentar esse artigo enviando o título da postagem que seu pedido será analisado assim que possível.

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