Professor que queria ser ator

Vejo todos os dias colegas se lamentando da postura dos alunos, que não respeitam mais o professor, que não prestam atenção à aula, que fazem bagunça durante a explicação, que não se interessam em aprender.

Cobram uma atitude dos pais e do governo: mais atenção à educação por parte dos governantes; mais energia por parte dos pais.

Tudo isso é verdadeiro e a sala de aula às vezes beira o caos. Mas vamos ficar esperando até que os pais resolvam dar bons modos aos filhos e que o governo resolva olhar pela educação?

Essa atitude passiva e de espera por algo que poderá jamais acontecer pode ser fatal. Gritar e espernear podem não resolver.

Acredito que a solução seja adaptar-se à realidade. Não adianta lamentar o que passou: o tempo de ajoelhar alunos faltosos em cima do milho atrás da porta, o tempo em que os pais castigavam os filhos que obtinham notas baixas, o tempo em que os alunos respeitavam ou temiam o professor.

Eu duvido que as coisas voltem a ser como antes, porque a sociedade evolui e mesmo que não gostemos do resultado é uma evolução. Pensar num retrocesso é altamente improvável, então eu acredito que as coisas continuarão caminhando no rumo em que estão.

Se a escola mudou, se o aluno mudou, se a família mudou, temos que mudar também. Aquela figura do professor em frente de uma classe falando, falando e falando – e os alunos bebendo sua sabedoria – só existe em nossa lembrança ou em nossa imaginação.

Se tudo mudou é necessário que mudemos também. Que adotemos técnicas que lidem melhor com essa nova situação. Mais que nunca é exigido de nós que nos adaptemos e que evoluamos junto com uma sociedade que já não é mais a mesma e que evolui constantemente, quem não a acompanhar ficará para trás.

Antes de inviabilizar seu trabalho faça um exame de consciência. Conheço muitos professores que insistem em dar murros em ponta de faca, reclamando de volta aquele padrão que já ficou para trás. Por que querem aquilo de volta?

Talvez a resposta esteja entre os motivos que levaram essas pessoas a dedicarem-se ao ensino. Talvez sejam atores frustrados que queriam uma platéia atenta que os ouvisse enquanto declamassem seu script. Talvez quisessem algumas centenas de adoradores que ouvissem com atenção suas palavras e imitassem seus gestos teatrais.

Antes que sua peça teatral se transforme em circo no qual você será o personagem principal, tente encontrar em você mesmo a vontade de ensinar. Reencontre o prazer de levar seus alunos a descobrirem respostas e formularem suas próprias perguntas. Lembre-se de sua missão maior e muna-se de ferramentas modernas e mais adequadas para lidar com  o panorama que temos agora.

Não resista, quanto mais cedo você mudar para se adaptar, mais cedo obterá frutos que farão com que continue sua missão. Lembre-se que para ensinar é necessário também aprender. Aprender novas formas de abordagem, um novo formato de aula e uma nova proposta para ensinar. Vamos aprender algo novo a cada dia, e nossos alunos também irão recuperar o prazer de aprender e descobrir.

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Zailda Coirano

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Uma resposta

  1. Zailda,
    identifiquei-me muito com seus comentários. O texto reflete bastante o que passo, o que penso, mas (graças a Deus!) o que vc sugere, já utilizo em sala. Sou professora de Inglês da rede pública em Brasília, e com 26 anos de experiência nunca tive medo de ousar e fazer a diferença! Não por querer me mostrar, como infelizmente alguns colegas ainda nos veem ao tentarmos envolver nossos alunos e realizar uma pedagogia dinâmica e que FUNCIONA! Mas não vou aqui falar de quem não quer sair da mesmice. Quero trocar figurinhas contigo. Faço o curso PSTDP (Public School Teachers’ Development Program) pela Embaixada Americana e a Casa Thomas Jefferson (que é uma espécie de CCBEU ou IBEU aqui em Brasília) e nele tenho me encantado com as dezenas de possibilidades de IMPROVEMENT que tenho aprendido. Meus alunos têm agradecido (que é fantástico!). E o melhor, eu tenho me encantado cada dia mais pelo universo que escolhi fazer parte ao fazer o curso de Letras e a especialização em Educação Inclusiva. Tudo é inclusão, tudo é tentativa, ensaio e erro, mas nunca desistência! Obrigada.

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