Ensino e aprendizado–dá para separá-los?

Da mesma forma que um médico não pode dizer que curou se seu paciente não sarar, até aonde vai nossa responsabilidade no aprendizado de nossos alunos? É desnecessário dizer que nos cabe a parte “ensino” e que o “aprendizado” depende do esforço e da motivação dos alunos, mas será que não podemos influenciar esse processo?

Eu não concordo quando o aluno não aprende e diz que “a culpa” é do professor, mas também acredito que não devemos ficar simplesmente de braços cruzados deixando que o aluno se envolva sem ajuda com seu aprendizado. Seria quase como se o médico dissesse à família de um paciente que morreu que fez sua parte, mas o doente não fez a sua (que seria sarar).

Não podemos nos omitir simplesmente e há muita coisa que podemos fazer para que nossos alunos tenham melhor desempenho.

Motivação e estímulo

Quando estamos motivados fazemos tudo com mais facilidade e não desanimamos quando aparecem dificuldades; se suficientemente estimulados por meio de palavras de encorajamento, atitudes positivas e feed-back positivo em todas as conquistas continuaremos mesmo quando o cansaço e a preguiça nos disserem para desistir.

Nosso cérebro capta as mensagens em parte e tendemos a repetir as experiências que nos deram resultados positivos; também temos a tendência de evitar situações que geraram angústia ou frustração.

Se quando o aluno faz algo errado o professor disser que “dessa maneira vai repetir” essa experiência será computada como “negativa”. Após algumas repetições (aluno desempenhando mal) a reação do professor se mantiver, em breve o aluno começará a esquecer de fazer a lição, não vai responder nada em classe, tudo isso para evitar a “resposta negativa” do professor.

Se, por outro lado, na primeira vez que o aluno fizer um exercício correto o professor o felicitar e mostrar que ficou contente com seu desempenho, o aluno tentará repetir a experiência, que será computada em seu cérebro como “positiva”.

Dessa maneira o primeiro aluno (cujo professor limitou-se a criticar os erros) tentará evitar envolver-se de forma efetiva em seu próprio aprendizado, porque suas experiências anteriores foram negativas; o aluno 2 que foi incentivado pelo professor que chamou-lhe a atenção para seus pontos fortes (acertos), tentará sempre repetir essa experiência, esforçando-se para superar o que já conseguiu.

Tem que ser chato?

Também será interessante perceber que tipo de atividades chamariam mais a atenção do aluno, e quebrar sempre a monotonia. “Surpreenda-os” deveria ser nosso lema, já que a monotonia leva à estagnação e à preguiça.

Novidades são apreciadas pela maioria, e a minoria costuma seguir o que a maioria faz, então gostando ou não todos irão participar. Se as atividades forem desafiadoras, engraçadas, se fizerem pensar, se forem ligadas ao universo do aluno, elas serão desempenhadas não só como obrigação, mas também como um prazer.

Associando aprender a “prazer”, nosso aluno ficará cada vez mais receptivo à nova matéria, novos tópicos, novas atividades, novos desafios…

Observação

Um aluno é diferente do outro e o conjunto de todos os alunos forma um grupo que tem suas próprias características, reações e necessidades. O professor não pode ignorar as reações de seus alunos e deveria estar sempre atento ao que falam, o que assistem, o que compram, o que fazem fora da escola.

Só com observação perceberá o momento de introduzir novas práticas, novos jogos, novas formas de aprender. Só observando, conhecendo seus alunos e – sobretudo – preocupando-se com eles não só como sua “audiência”, mas também como indivíduos únicos e com necessidades diferenciadas, o professor conseguirá incentivar e motivar seus alunos para que assumam verdadeiramente o compromisso com o próprio aprendizado.

Zailda Coirano – SOS Idiomas

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