Gerando polêmica

profraimundoAo escrever a postagem anterior (Você tem domínio da classe?) eu tinha consciência de que estaria “tocando um nervo sensível” e por isso não me admiro por ter recebido diversos comentários de colegas. Eu apenas pediria aos colegas que antes de comentarem, indignados, que todos os problemas de disciplina não são causados pelo professor, que lessem a postagem, porque em nenhum momento eu disse isso.

Eu dou o maior valor à opinião dos colegas e acho o debate muito proveitoso, mas só se nos dermos ao trabalho de ouvir o que o outro tem a dizer antes de nos posicionarmos.

O artigo trata justamente DE QUANDO NÃO É “CULPA” DO PROFESSOR NEM ESTÁ DENTRO DE SUA ALÇADA RESOLVER.

Eu entendo que todos nós temos pavor de ouvir de um diretor ou coordenador “que não temos domínio da classe”, mas temos que abrir os olhos, porque usam esse nosso “pavor” para nos fazerem lidar com problemas para os quais não fomos treinados, não somos pagos nem tampouco temos “culpa”.

Ficou tudo fácil para todos: os pais não educam os filhos, não há classes para alunos com necessidades especiais e o professor fica entre a cruz e a machadinha: tem que dar nó em pingo dágua para manter a disciplina dentro de uma sala com alunos que não sabem o que é punição, não aceitam não como resposta e não sabem lidar com a frustração. Para não levar o nome de “incompetente”, o professor se vira como pode, substituindo mãe (educando), babá (vigiando e tomando conta), secretária (anotando no caderno os prazos e provas), psicólogo (tratando problemas emocionais), conselheiro matrimonial, amigo do peito, policial, enfermeiro, etc.

Quando vamos acordar? Tente mandar uma enfermeira fazer uma cirurgia, uma secretária ir à reunião no lugar do diretor, uma recepcionista varrer a sala. Eles vão dizer – e com razão – que não são pagos para isso. Mas nós, professores, reclamamos tanto, damos tanta bronca, somos tão conhecedores de nossos direitos e obrigações e ao longo dos anos estamos aceitando todas as tarefas, obrigações e cobranças que nos impõem – e sem questionar.

Eu só ouço colegas dizerem: “a diretora me disse para tentar resolver o caso do aluno que tem dislexia (ou seja lá o termo que inventaram para dizer isso, já que não se pode dizer mais nada porque demonstra preconceito e discriminação)”, ou “recebi 2 alunos que têm paralisia cerebral e não sei que tipo de atividades usar com eles” ou então: “tenho um aluno que grita e pula o tempo todo, toma remédio para desvio de atenção mas tenho que lidar com ele em classe, segundo a coordenação”.

Quando vamos acordar? Quando vamos dizer: sou um educador e minha tarefa é ensinar? Quantas tarefas mais irão nos empurrar goela abaixo sem nenhuma capacitação anterior, sem opção, sem acréscimo no salário?

Se a situação está assim talvez seja nossa culpa. Vamos fazer um “mea culpa”, porque não nos recusamos a fazer aquilo que “os outros decidem” que a partir de agora será nossa(s) outra(s) função(ões). Quando decidem fechar as “classes para alunos com necessidades especiais” (nem sei se ainda pode-se dizer assim) e mandar todos esses alunos para as classes dos alunos que teoricamente não as tem, nós os aceitamos como parte do nosso fardo e achamos que temos que dar conta. Reclamamos, é verdade, mas na maioria das vezes apenas em rodinhas de amigos, na sala do professor. Temos medo de botar a boca no trombone e sermos demitidos. Os outros aceitam, então também temos que aceitar. Mas “os outros” também reclamam.

Então eu acho muito bonito vir aqui no blog, nem ler a postagem direito e botar lá que a tarefa não é nossa, porque quando o diretor ou qualquer outro superior nos empurra essas tarefas nós esperneamos, mas nos conformamos. Ou nem esperneamos.

Zailda Coirano

Nessa postagem você viu que reclamamos, mas aceitamos todas as tarefas extras que nos impõem.

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Uma resposta

  1. Joice Ferreira Nicola

    Não tenho o que pôr nem o que tirar do seu blog…. Totalmente de acordo e acho que todos deveriamos analisar nossas funções…… e fazer com que exista limites pra não ficarmos sobrecarregados.

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