O Orkut, Facebook (e outras redes sociais) podem arruinar sua vida–fique atento!

redes-sociaisO Orkut tornou-se o “point” de encontro favorito dos brasileiros na internet e o Facebook já desponta não só como “ponto de encontro” como um gerador de negócios em potencial. Há poucos anos li uma reportagem extensa em uma revista, que informava que muitas empresas brasileiras já “fuçam” o Orkut de candidatos a vagas, como uma das formas de decidir se ele serve ou não. Algumas até já solicitam que se envie o perfil já no currículo ou no formulário candidatando-se à vaga.

Se o Facebook e Orkut já estão sendo usados para fins mais “sérios” e até podem ser usados como um currículo alternativo online, podem também ser considerados “facas de dois gumes”, porque se podem promover seus trabalhos e seu produto, também podem arruinar a imagem de sua empresa ou destruir suas chances de conseguir o emprego dos seus sonhos.

Nós professores temos que ter ainda um cuidado redobrado pois somos também formadores de opinião e – queiramos ou não – também servimos de modelo para nossos alunos, que são em sua maioria menores de idade. Vimos há pouco tempo o caso de uma professora demitida porque circulava na internet um vídeo no qual ela dançava um tipo de música que não poderia ser considerado “apropriado” para uma professora.

Alguns podem discordar, argumentar que o que ela faz em sua vida privada é problema dela (desde que se entenda a internet como “vida privada”) e que um perfil do Orkut ou Facebook pode não ter um cunho profissional e ser apenas para lazer. Argumentando-se qualquer coisa, isso não mudará o fato de que ela foi demitida por causa do tal vídeo e que seu patrão, cliente, futuro (talvez) patrão, aluno, pai do seu aluno, etc., pode não ter a mesma opinião que você.

O que “cai bem” quando um possível empregador “fuça” seu Orkut / Facebook

Encarregados desse tipo de “pesquisa” explicam que o candidato tem mais chances quando:

– tem perfil profissional, onde constam empregos anteriores, experiência, projetos divulgados, comunidades relacionadas à empresa ou à profissão que exerce.

– tem fotos de viagens ou cursos para especialização, ocasiõs especiais na companhia de ex-patrões ou colegas, tudo num ambiente bem “profissional”.

O que “detona” o candidato

– indícios de consumo excessivo de álcool ou de drogas.

– indícios de participação em atos ilegais ou duvidosos.

– referências jocosas ao ex-patrão, colegas, à profissão que exerce ou empresas do ramo.

– fotos com nudez (no seu perfil ou marcadas por outros no perfil dos seus amigos) ou em estado de embriaguez, ou em companhia de amigos que não seriam exatamente recomendáveis para o cargo que você exerce / exerceria.

– frases de cunho racista ou machista, ou que denotam aversão ao trabalho.

Perigos ocultos nos sites sociais

Cuidado redobrado se você tem seu chefe entre seus amigos, se você falta “por motivo de doença” e depois passa o dia todo online enviando recadinhos “para todos os seus amigos”, seu chefe também os receberá e com certeza irá estranhar, principalmente se você depois postar fotos tiradas em uma festa ou pescaria no mesmo horário em que deveria estar trabalhando ou “doente em casa”.

Também não são recomendáveis os comentários sobre colegas de trabalho ou chefes do tipo: “Fulano reza por uma TV na frente da mesa dele pra poder assistir o jogo da quarta-feira à tarde.” – principalmente se “Fulano” é seu chefe.

Se você costuma acessar seu perfil em horário de trabalho, tome cuidado com suas atualizações. Se seu chefe perceber que há 60 novas fotos postadas às 11 da manhã (horário em que você deveria estar trabalhando) você pode até não perder o emprego, mas certamente vai “pegar mal”.

Cuidado também com os comentários adicionados por amigos em suas fotos e atualizações (devem sempre ser checados) porque tão (ou mais importante) quanto o que você diz sobre você, é o que seus amigos falam de você, ou o tipo de amigos que você tem. Já diz o ditado: “diz-me com quem andas e lhe direi quem és”.

Pode parecer bobagem, mas comunidades “nonsense”, que podem parecer engraçadas quando você as adiciona irão na verdade depor contra você.

Detalhes bobos também podem ser fatores negativos. Eu, por exemplo, não sei se analisaria com a mesma boa vontade o currículo de uma candidata que tivesse um email tipo: gatinha_manhosa@qualquercoisa.com ou um candidato com um email gostosaodopedaco@kkcoisaassim.com.

Existe uma solução?

Há várias soluções:

– “Limpar” seus perfis públicos, mantendo-os isentos de fotos e comentários comprometedores, tanto seus quanto de seus amigos.

– Ler atentamente todos os depoimentos sobre você antes de aceitá-los e só os aceite se não depõem contra você.

– Abandonar o hábito de vangloriar-se de suas trapalhadas, de falhas de caráter, de seus tropeços. Caso queira realmente fazer isso, use as mensagens particulares. Não é necessário que todos na internet (incluindo seu empregador) saibam que você é um babaca (ou que gosta de se passar por).

Se acha difícil “limpar” seu perfil e acha que irá perder boa parte da diversão, mude as configurações de seu perfil “só para amigos” e nesse caso, jamais adicione seu chefe.

Outra opção é ter um perfil “fechado” para os amigos e manter outro para fins profissionais, aberto e “limpo” de informações que deponham contra você.

Pequenos deslizes que podem prejudicar

Até informações “inocentes” podem dizer mais sobre você do que você imagina. Na seção “favoritos”, colocar 50 filmes de terror sangrento pode assustar o seu potencial patrão, que é dono de uma escola-berçário. Igualmente para ter 300 músicas de rap de protesto contra tudo e contra todos.

O melhor seria colocar alguns bons livros entre seus favoritos (que podem estar relacionados à sua área) e mencionar apenas 1 ou 2 filmes ou músicas de cada gênero. Ser eclético quanto ao gosto musical e para filmes também pode indicar ao seu patrão que você é uma pessoa flexível e que não terá problemas para se adaptar.

Cuidado com a forma que se expressa na internet. O miguxês já é abominável para os alunos, mostre que domina o idioma e as regras gramaticais, porque não adianta apresentar um currículo impecável (que pode ter sido escrito por outra pessoa) e cometer erros terríveis, assassinando a gramática e ignorando a ortografia quando escreve na internet.

Isso tudo é bobagem!

Pode ser que você esteja achando exatamente que tudo isso é uma bobagem, mas outros (inclusive possíveis empregadores) podem concordar totalmente comigo. Alguns especialistas com certeza concordam, e quem sou eu para discordar deles?

Essa “pesquisa” pode ser feita antes mesmo que você tenha a chance de uma entrevista e certamente será melhor que a primeira impressão seja de uma pessoa profissional e preparada, e não de um bobão que escreve errado, mata o trabalho, bebe em más companhias e ainda fala mal do chefe pelas costas. E ninguém tem uma segunda chance de causar uma primeira boa impressão.

Mesmo os jovens que ainda não estão procurando emprego deveriam estar mais atentos aos “perigos” que a internet pode representar para seu futuro ingresso na vida profissional tão sonhada. Na internet nada se perde, então uma foto ou comentário infeliz postado hoje aos 16 anos poderá ser uma arma contra você daqui a 5 anos, quando entregar seu currículo na esperança de conseguir o emprego dos seus sonhos.

Conclusão

Ninguém sugere que você seja alguém que você não é, mas que deve escolher o que deve mostrar e a quem deve mostrar não resta a menor dúvida. As redes sociais podem ser uma ferramenta excelente para promovê-lo como profissional mas podem também mostrar seu pior lado, aquele que com certeza você gostaria de – e deveria – manter fora do alcance dos olhos do seu futuro patrão, pelo menos até que ele tenha a chance de conhecer suas qualidades.

Que todos temos direito a ter uma vida privada que não é da conta de nossos patrões ninguém discute, desde que continue privada. Se a escancaramos aos olhos de quem quiser vê-la e a expomos ao julgamento alheio, não poderemos nos queixar se realmente formos julgados por ela.

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Uma resposta

  1. gostei do seu blog add aos meus favoritos.

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