Professor insatisfeito, aluno desmotivado

Errar é humano e atribuir o erro a outra pessoa é mais humano ainda. Erramos muito mas podemos posturas diferentes em relação aos nossos erros:

Negação

Aprendizado

Reflexo

Na negação, como você deve imaginar, eu erro e continuo jurando até a morte que estou certo. Não adianta nem me mostrarem provas concretas de meu erro, eu vou dizer que não errei e pronto.

No aprendizado eu uso uma experiência negativa, analiso-a, tiro conclusões e tento evitar o que fez meu barquinho naufragar na primeira tentativa. Se errar de novo em outro ponto faço o mesmo e assim vou, errando e aprendendo com meus erros.

No reflexo eu erro sim, mas a culpa é sempre de outra pessoa. Meus alunos estão desmotivados porque o governo tem uma grade curricular incompatível com a realidade deles, porque não há recursos para que eu possa despertar o interesse deles, porque eles não têm educação nem interesse em aprender… e por aí vai. Sempre vou encontrar um motivo para justificar meu erro, sendo sempre a culpa exterior, ela nunca está em mim.

Não falemos em culpa, falemos em responsabilidades. Um professor insatisfeito com a escola, com a profissão, com o salário ou com o que quer que seja irá passar toda essa carga emocional para os alunos durante sua aula, que por ele estar insatisfeito também não irá conter nada de especial que desperte o interesse dos alunos. Vou dar o arroz com feijão e olhe lá. Pelo que estão me pagando está até bom demais.

Então voltemos a responsabilidade. Tenho um aluno cuja formação depende de mim. Eu sou o profissional que se especializou para dar essa informação e formá-lo da melhor maneira possível. Então eu sou o profissional. A responsabilidade é minha de criar meios e um ambiente favorável para que ele sinta-se motivado. Eu tenho a faca e o queijo na mão.

Dizer que um aluno é o culpado por não aprender é mais ou menos como se um médico fizesse um tratamento e como o doente não sarasse, dissesse:

“Não sarou porque não quis, eu fiz o que tinha que fazer.”

O profissional é quem aprende todas as técnicas e procedimentos para que o “tratamento” seja um sucesso. Se o doente morrer, a culpa nunca será dele e sim do profissional que o tratou.

Leia também: Por quê o aluno sai da escola?

5 Respostas

  1. Saibam que o emocional do doente conta muito em sua recuperação!!!!

    1. Já está provado que quando o emocional está envolvido no aprendizado, o aluno aprende muito mais.

  2. E QUANDO O ALUNO É QUE DESMOTIVA O PROFESSOR. QUAL É A RESPOSTA.

    1. Aricelma, quando nos tornamos professores sabíamos que tínhamos uma missão. Se o aluno não corresponde ao que espero dele, longe de me desmotivar, isso me motiva a aperfeiçoar ainda mais minhas técnicas, buscando formas alternativas e complementares de ensinar.

      Será que é obrigação do provável comprador motivar o vendedor ou é o vendedor que precisa criar meios para que o provável cliente deixe de ser “provável” e se torne um cliente de verdade, comprando o seu produto?

      Também estamos “vendendo” uma mercadoria: conhecimento e cultura. Conhecimento é a moeda mais valorizada de nossa época, como o sal e o ouro já foram em outras. Só precisamos fazer com que o aluno perceba isso e sinta prazer em adquirir nosso produto.

      Um abraço

      Zailda Coirano

    2. Quando escolhemos a profissão já sabemos de antemão que é parte de nossa missão motivar nossos alunos, então devemos estar preparados para enfrentar os problemas relacionados com alunos que não querem aprender ou que querem atrapalhar. Os que já querem aprender não precisam ser motivados para isso, nossa tarefa é justamente fazer com que os que tentam se afastar do ensino sintam prazer em aprender. Se permitimos que eles nos mudem – e não nós a eles – devemos repensar nossas estratégias e objetivos em nossa profissão.

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