Deixe seus problemas do lado de fora da escola

Parece uma coisa óbvia, mas mesmo sem percebermos muitas vezes acabamos jogando nos ombros dos alunos uma carga emocional que não lhes pertence. Você está com as contas atrasadas? Teve uma noite de cão, mal dormida? Está cheio de problemas pessoais? Sente-se desvalorizado em seu emprego? Não está contente com a direção da escola?

Sinto dizer colega, mas isso tudo é problema seu. O aluno não tem culpa de nada disso e nada mais injusto que um professor que está irritado porque teve uma discussão em casa e dá 100 broncas por hora em seus alunos. Ou que já chega avisando:

– Vão com calma porque hoje não estou bom!

E daí? Se você está descontente com seu salário não deve jamais virar um “chefe touro sentado” (que dá aula com a b… na cadeira e não levanta nem por decreto) porque seria desleal fazer isso com seus alunos. Eles estão lá para aprender e não devem ser responsabilizados por seus problemas ou pagar por eles.

Se você tem dificuldades para separar as coisas e quando tem um problema no trânsito chega em casa soltando fogo pela venta, convém tomar algumas providências e abaixo seguem algumas sugestões:

– O ideal seria resolver o problema que o está afligindo, mas nem sempre isso é possível. Muitas vezes temos que ir trabalhar e deixar várias coisas pendentes em nossa vida pessoal e alguns problemas só são solucionáveis a longo prazo. Já que não vai resolver isso agora durante o horário de trabalho, tente tirar o problema da cabeça, concentre-se em uma coisa de cada vez. Concentre-se em sua aula, em seus alunos e suas necessidades. Com o tempo irá perceber que tirar esse problema da cabeça no seu horário de trabalho lhe dará também uma trégua e quando novamente você pensar sobre o assunto, quem sabe não encontrará uma solução?

– Sempre que sentir que está perdendo o controle ou que está irritado demais para o tamanho do problema em sala, respire fundo e conte até dez antes de fazer qualquer coisa. Quando ficamos muito irritados ou enraivecidos o sangue fluirá para nosso tronco e membros e as chances de nos arrependermos de qualquer atitude tomada “de cabeça quente” serão muito maiores. Respire fundo, a respiração irá oxigenar seu cérebro. Conte até dez e pense se realmente a atitude que tem vontade de tomar nesse momento é a mais acertada e se tem relação com o que aconteceu ou se sofre a influência de seus problemas antes de chegar à escola.

– Chegue mais cedo à escola. Se já temos coisas nos “esquentando a cabeça” e ainda por cima chegamos em cima da hora, na maior correria para entrar na aula antes de dar o sinal, as chances de nosso nível de ansiedade subir são enormes. Junte problemas + ansiedade + insatisfação + 40 alunos irrequietos e verá que as possibilidades não são nada boas. Chegue mais cedo, sente-se, relaxe, tome água, converse com seus colegas. Faça 15 minutos de “exorcismo” de seus “fantasmas” e só depois vá, com calma, para sua classe.

– Pensar sobre os problemas e estressar-se com eles não me parece uma boa solução. Todo problema pede uma solução concreta e mesmo aqueles que nos parecem insolúveis podem ser resolvidos com calma e muita determinação. Faça uma lista das coisas que o estão irritando ou que o deixam insatisfeito. Depois coloque no papel o que você pode fazer para resolver ou pelo menos reduzi-los a um nível suportável.

Para tudo há uma solução, mas com toda certeza enquanto você não a encontra, tornar seus alunos reféns do seu mau-humor só irá criar mais problemas. É um círculo vicioso: professor estressado e insatisfeito = alunos desmotivados e pouco cooperativos. Alunos pouco cooperativos aumentam o nível de stress do professor, que ainda mais irritado irá causar situações desfavoráveis em classe que gerarão ainda mais stress e afastarão mais ainda os alunos do seu objetivo principal.

Lembre-se: o seu problema é problema seu.

Leia também: Dê boas-vindas aos seus alunos


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