Professor de inglês

Eu tenho um cunhado alemão. Mas o que isso tem a ver com o título? Então eu explico:

Quando meu cunhado chegou ao Brasil recém-casado com minha irmã não falava uma palavra sequer de português. E vieram para morar aqui. Meu parco conhecimento de alemão não me permitia ir muito além do trivial na conversa e eu realmente queria conhecer meu cunhado. Então descobri que ele falava inglês – e muito bem. Conversamos bastante e fiquei curiosa para saber como ele aprendeu inglês. “Na escola” – disse ele.

Como assim “na escola’? Ah, na Alemanha todo mundo sai do segundo grau sabendo falar inglês e alguns também o espanhol. Ou melhor: todo mundo só sai da escola se souber inglês e também o espanhol. Lá não tem essa palhaçada de “não reprovar”. Ou aprende ou reprova.

Pode parecer um conceito absurdo aqui no Brasil esse negócio de “se aprender passa, se não aprender não passa” e até eu fiquei de boca aberta. Nossa, eles ensinam inglês na escola e o aluno aprende!

Pois vejam a que ponto chegamos. Uma pessoa vai para a auto-escola e sai de lá com carteira de motorista e sabendo dirigir (pelo menos na maioria das vezes) e temos uma matéria na escola – o inglês – e ninguém acha que o aluno tem que aprender. Como resultado, eles não aprendem mesmo!

Quem quer aprender paga uma escola de idiomas e se houver dedicação e esforço (por parte do aluno e do professor), em 4 ou 5 anos ele será fluente. Aí o aluno daquela escola que não ensina e onde ele não precisa aprender vai fazer uma faculdade de letras porque quer ser professor de inglês. E vai crente que agora vai aprender inglês. Aprende tudo: técnicas de ensino, metodologia, psicologia, até gramática. Mas ele sai da faculdade fluente? Raramente…

Então esse professor recebe seu diploma e está capacitado a dar aulas de inglês. A não ser que ele tenha usado esses 3 ou 4 anos de faculdade para fazer um curso “por fora” de inglês, será tão fluente no idioma quanto qualquer um de seus alunos. Mas estará capacitado para ensinar o que se espera que os alunos saibam quando chegarem ao vestibular: algum vocabulário, gramática na ponta da língua (se bem que estão pensando em abolir a gramática…) e interpretar um texto em inglês.

Ora, num país repleto de analfabetos funcionais que não sabem interpretar nem uma receita de bolo em velho e bom português, o que estamos formando? Um novo idioma? Será que seria o caso de mudar a postura da escola ou de mudar o nome das matérias? Na escola pública estão precisando urgentemente de professores de portunhol e embromês, alguém se candidata?

Leia também:

Inglês não reprova na escola

O ensino de idiomas na escola

Inglês e espanhol na escola

Formulário de pedido de dinâmicas

Visite a página no Facebook: Professor de inglês no Brasil


Anúncios

Uma resposta

  1. Olá, Zailda!
    Essa questão de inglês é complicada, mesmo em escolas particulares.
    Estudei da 5ª ao 3ºEM e acabei não aprendendo muita coisa. Nunca tive aulas de conversação ou outros recursos para sair falando inglês da escola. Só gramática, gramática, gramática. Até hoje não sei gramática.
    Mês que vem começo um curso de inglês, finalmente, com duração de 6 anos, para, enfim, chegar à tão sonhada fluência.
    Concluíndo: todos estes anos, já estaria fluente se fosse sério, não?

    Adoro seu blog!
    Abraço.

%d blogueiros gostam disto: