Professor de inglês no Brasil

Criei uma página no Facebook para discutir a situação do professor de inglês no Brasil. Sabemos que há um completo descaso pelo aprendizado de um idioma nas escolas, não só na escola pública. O professor de inglês precisa se virar para encontrar (ou produzir) material complementar, para despertar o interesse dos alunos e para ensinar em classes com 40 ou 50 alunos, sem qualquer recurso de mídia e com restrição do número de cópias que pode fazer por mês.

Ainda por cima “inglês não reprova”, é quase como se disséssemos ao aluno: não precisa se preocupar com o inglês, porque se não aprender irá passar do mesmo jeito. O aluno não aprende o conteúdo de matemática, fica de recuperação ou reprova. Se não aprende inglês, não há problema.

Como muitos alunos são imediatistas, não compreendem o benefício do aprendizado de um idioma, temos não só que ensinar, mas despertar o interesse em aprender antes. Temos que dar aulas “prazerosas, interessantes, magistrais”. Se possível, vestidos de acordo com a situação: fantasia de palhaço.

Nas escolas particulares o problema é parecido. Lembro-me que fui contratada para dar aulas de espanhol numa escola particular e que após algumas semanas fazendo o que fui contratada para fazer (ensinar espanhol), fui chamada à diretoria e me foi explicado para “não me empolgar muito”, porque queriam que eu desse apenas “umas noções sem aprofundar”. Em suma, estavam me contratando apenas para justificar a mensalidade que cobravam. Afinal de contas, também ensinavam espanhol.

Claro que detestei trabalhar naquela escola, detesto fazer de conta que estou fazendo uma coisa que considero ser minha obrigação. E o que considero mais contraditório é o fato de uma escola que nunca exigiu que seus alunos aprendessem inglês ou espanhol para serem promovidos, depois exige que o saibam para ingressar numa faculdade. Como vão saber se nunca lhes disseram que era necessário aprender?

Essa tônica dos “dois pesos e duas medidas” põe o professor na fogueira. De um lado ele é questionado porque não ensina, se ensina é aconselhado a “ir devagar”. Não tem qualquer autoridade sobre os alunos, já que se ele botar o aluno para fora o aluno não estará perdendo nada. Pelo menos não perderá nada que o faça passar de ano.

E como fica o professor no meio de tudo isso? De um lado é pressionado para que ensine, de outro é pressionado para que faça vista grossa. E ainda tem que “entreter” os alunos e manter a ordem durante o ano todo. Só mesmo vestindo roupa de palhaço.

Para participar da discussão, visite a página no Facebook: Professor de inglês no Brasil

2 Respostas

  1. além do inglês, o espanhol e a filosofia deverão ser importantes disciplinas, bem como outros extra-curriculares.
    O aluno também deverá ter a liberdade de optar por qual direção que quer seguir o ensino médio, bem como o ingresso na universidade.
    http://paranalitica.blogspot.com/

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