Quem são os culpados num caso de bullying?

Somos todos culpados. Quando um caso ultrapassa os limites “comuns” e passa a ser um problema grave ou generalizado todos contribuíram com sua parte de ação ou omissão para que as coisas chegassem onde chegaram. A primeira reação do aluno que o sofre é pedir socorro para a pessoa em quem confia. Podem ser os pais, um colega, o professor. Se essa pessoa não levou a sério, apenas disse para “não dar bola” e deixou o barco correr, é também responsável nesse caso.

Devemos estar atentos a mudanças de comportamento, olhares e gestos dentro da sala. Mesmo que nos façamos de desentendidos ou que façamos com que os alunos pensem que não percebemos nada, devemos estar sempre atentos.

Alunos que têm mudança súbita de comportamento, ou que se isolam do grupo, ou que ficam de cabeça baixa e de vez em quando lançam olhares na direção de um aluno ou grupo de alunos devem ser observados diligentemente, porque com certeza “aí tem”. Pode até não ser um caso de bullying, mas alguma coisa pode estar acontecendo e é sempre bom investigar.

Alunos que sofrem bullying são frequentemente ameaçados que “se contarem a alguém” serão punidos de alguma forma, portanto se suspeitar que algum aluno está sendo uma vítima, não o exponha perante seus agressores. Arranje uma desculpa plausível. Mesmo que não seja verdade, diga para que a classe (e o grupo que o atemoriza) ouçam: noto que deixou alguns exercícios sem fazer, tem algumas dúvidas. Poderia ficar comigo após a aula para resolvê-las?

Dessa forma seus opressores sentirão que está tudo bem e não há nada a temer. Você poderá começar pelas dúvidas e abordar o assunto “assim como quem não quer nada”, dizendo que notou que ele está distante dos outros, ou que está triste. Perguntar se algo o preocupa ou se há algo errado.

Alguns de meus alunos com problemas com outros alunos da classe reagiram bem com esse tipo de tática “branda” e acabaram me contando o que estava acontecendo. Encaminhei o assunto à direção da escola que está melhor preparada para cuidar desse tipo de problema.

Um bom conselho é que não tente resolver assuntos que fogem da sua alçada. O que foge da sua alçada é tudo o que envolve mais de um aluno, seus pais, seu comportamento fora da escola, etc. Tente resolver sozinho apenas o que diz respeito ao aluno e seu aprendizado e comportamento dentro da classe. Tudo o que ultrapassar esses limites, peça ajuda para resolver.

Saiba mais sobre o bullying aqui.

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3 Respostas

  1. Olá sou professora e também mãe.A meu ver o bullying é uma questão de educação, respeito, ética e princípio que se adquire em casa, no seio da familia. Criei o meu filho, por sinal filho único, sempre mostrando o valor o respeito e as diferenças do outro, nosso semelhante. Portanto meu filho nunca se sentiu o “tal” na escola, nem em qualquer lugar!

    1. Parabéns, Lucimar. Você fez a sua parte. Infelizmente nem todos pensam da mesma forma, e nossos filhos convivem com eles também na escola. Sua avaliação está correta, ensinar valores morais seria o primeiro passo no combate ao bullying. Criar filhos que pensam que são donos do mundo e podem fazer o que querem é uma das causas do aumento de casos de bullying, em minha opinião. Talvez fosse o momento de pensarmos o que é mais importante: criar um mundo melhor para nossos filhos ou criar filhos melhores para nosso mundo?

    2. Concordo …acho que é questão de educação os pais e familiares são responsáveis por dar educação ,ensinar valores de respeito e amor ao próximo ,hj émuito fácil falar que a escola é responsável . Ficou fácil colocar filho no mundo !!!!!!

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