Contato com os pais

Quem além de professor também tem filhos irá entender bem o que quero dizer nessa postagem; quem ainda não os tem, por favor, leia com atenção porque além de professora tenho também 5 filhos que já passaram pelos bancos escolares.

Ao conversar com os pais a respeito do aluno, alguns pontos são fundamentais:

Use sua sensibilidade

Ninguém gosta de ouvir fatos desagradáveis a respeito dos filhos e por mais rigorosos que sejam a primeira tendência será sempre de defendê-los “contra’ você. Portanto é necessário ter muito tato e lembre-se: não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você. Pense bem antes no que vai falar para evitar conflitos desnecessários.

Seja simpático

Consegue-se muito mais confiança e cumplicidade dos pais recebendo-os com um sorriso, palavras amáveis e muita educação (aquela que recebemos desde o berço). Se queremos ajuda dos pais temos também que saber cativá-los e pegam-se muito mais moscas com mel que com vinagre. O pai não tem culpa se seu dia foi um calvário e se você está cheio de problemas pessoais e descontente com sua profissão. Não faça do aluno o bode expiatório de todos os seus problemas.

Seja objetivo

Por piores que sejam as “notícias”, é sempre melhor ir direto ao assunto. Nada mais exasperante do que rodeios quando se trata de um assunto relacionado a nosso filho. O pai também tem seus compromissos e por mais que a educação da criança seja importante, ele não pode perder meia hora ouvindo rodeios até chegar ao assunto original.

Um “chamei-o aqui porque…” logo no início é fundamental para justificar a presença do responsável ali em horário que mesmo disponível pode ser incômodo. Quando marcar essa conversa já marque horário do início e final (não excedendo meia hora, por mais assuntos que tenha a tratar). Se forem muitos, organize-se no papel antes, traga algo por escrito para facilitar. Se vai falar das notas, traga sua caderneta. Se vai falar de faltas ou outro assunto qualquer, venha documentado para evitar interrupções desnecessárias.

Seja neutro

Relate o que observou, deixando suas opiniões e pensamentos para você. Diga “o rendimento de Fulano vem caindo sensivelmente nos últimos meses e ele entrega a tarefa incompleta e com atraso.” E não: “fulano está desatento e atrasado na entrega das tarefas.

Aproveite para falar também das qualidades do aluno, ou compare com qualidades anteriormente observadas: “estou preocupado porque ele obteve um aproveitamento excelente no bimestre anterior, sendo inclusive um dos melhores alunos da classe.” ou então: “relaciona-se muito bem com os colegas e sempre sabe o que responder, participa da aula mas está trazendo a tarefa incompleta.”

Peça ajuda

Pergunte se há algum problema preocupando a criança; se o pai percebeu alguma mudança de comportamento no mesmo período; se o aluno tem um horário determinado para os deveres de casa e se conta com a ajuda ou supervisão de um adulto quanto ao cumprimento dos horários.

Peça ao pai para observar esses itens, explique a importância da prática em casa, do envolvimento com o aprendizado, do interesse dos pais nas tarefas desenvolvidas pelo filho.

Evite negativismo

Evite palavras negativas como “nãos” e “nuncas”. Palavras negativas produzem um estímulo negativo no cérebro e tendem a desestimular as pessoas ao esforço para conseguir resultados.

Em vez de: “Com essas notas ele nunca irá conseguir passar de ano.” tente: “Ainda há tempo de reverter essa situação se pudermos contar com a ajuda um do outro.”

Em vez de: “Ele não está participando da aula.” tente: “Algumas vezes ele se distrai durante a explicação. Ele está com algum problema?”

Em vez de: “Ele nunca entrega nada em dia.” tente: “Ele está entregando a lição após a data marcada.”

É importante mostrar não só os problemas como tentar encontrar junto com os pais as possíveis causas e também ajudar a encontrar possíveis soluções. O principal objetivo deve ser ajudar e não crucificar. Mostrar caminhos e encontrar respostas e não julgar. Afinal ter os pais como aliados é muito melhor do que tê-los como “inimigos”. Se o aluno já não corresponde ao que se espera dele, uma “guerra” entre pai e professor só fará piorar as coisas.

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