Como ensino isso?

Conheço alguns professores que reagem muito mal todas as vezes que alguém sugere alguma novidade ou dá alguma sugestão sobre como ensinar, praticar ou reforçar qualquer ítem novo. A resposta deles às vezes me surpreendia, vinda de um colega que até então eu admirava:

– Não, eu sempre ensinei assim e sempre deu certo.

E eu ficava me perguntando: “Sempre não é muito tempo? Será que os alunos de 20, 30 anos atrás quando esse professor começou a ensinar dessa maneira não são um pouco diferentes dos alunos de hoje em dia? Sempre deu certo? O que significa exatamente isso? Que todos os alunos aprenderam e não tiveram problemas? Ou que fazendo sempre do mesmo jeito deu certo porque não dá muito trabalho? Mas afinal, deu certo pra quem?”

Sobre pedras e seres humanos

Há um ditado popular que diz que “até as pedras se encontram” e se isso acontece deve ser porque elas mudam de lugar. Se até as pedras, que são objetos inanimados se movimentam, por que nós, seres humanos, devemos fincar pé em nossas convicções e métodos (muitas vezes ultrapassados) e não sair do lugar? Somos professores ou mulas empacadas? Será que não podemos aprender também com nossos erros e com nossos alunos?

Se você tem alergia só de ouvir falar em “reciclagem”, “otimização”, “aperfeiçoamento”, “desenvolvimento”, e já fica se coçando todo, será que não está mais do que na hora de você rever seus conceitos? Será que seus alunos aprendem mesmo e gostam de sua aula ou será que ela só é agradável e produtiva para você?

E mesmo que você esteja conseguindo um bom resultado, há algum mal em melhorar? Será que faria mal sair dos seus 70 ou 80% (quem dera…) que parecem satisfatórios para você e tentar outros caminhos? Faria algum mal além de ensinar também ter uma aula agradável e leve, onde os alunos além de aprender também se divertissem? Que fizessem as atividades com prazer e não por obrigação?

Traçando metas

Se tudo o que você quer é cumprir suas horas e ir logo embora para casa, se a escola para você é uma obrigação e você já está em contagem regressiva, contando os anos que o separam da mais-que-almejada aposentadoria, então não temos mesmo muito a conversar. Foi um prazer te conhecer, mas talvez um blog de amenidades, quem sabe lhe agradaria mais…

Mas se você realmente quer melhorar o seu desempenho e a participação de sua classe, então há mesmo muitos caminhos. Trace seus objetivos: quer mais interesse, mais participação, alunos mais produtivos, resultados melhores nos testes? Desenhe seus ideais e depois vamos tratar de correr atrás.

Auto-crítica

Ninguém aprende sem auto-crítica. Se cada vez que alguém faz um comentário não muito elogioso ao seu trabalho ou aos seus métodos você fica mais ouriçado que um porco-espinho, fica difícil fazer uma análise fria e clara a respeito do que você vem fazendo até agora. Antes de mais nada, esqueça que foi você quem preparou o material e analise suas aulas como um aluno.

Pergunte a si mesmo, enquanto analisa seu material:

– Eu gostaria de assistir essa aula?

– Aprenderia? Haveria formas mais fáceis de ensinar / aprender isso?

– Eu acharia essa aula interessante ou seria apenas uma aula igual a todas as outras antes dessa e depois dela?

– Minhas aulas são criativas e exploram bem os assuntos propostos, inserindo-os na realidade dos alunos e usando seu conhecimento prévio ou são como as contas de um rosário, completamente iguais, monótonas e mais parece que estou ensinando para mim mesmo?

Mudanças são bem-vindas

Sempre que mudamos alguma coisa, que acrescentamos um toque pessoal àquilo que ensinamos, o interesse dos alunos cresce. Isso funciona em todos os setores, basta olhar o sagrado-bife-nosso-de-cada-dia, basta fazer um molhinho, jogar uma cebola picada e alguns pimentões cortados que ganham nova cor e sabor, até os que já estavam olhando de nariz torto para o seu bife vão querer comer pelo menos um pedacinho.

Gostamos de coisas novas, o ser humano gosta de novidades, está em nossa essência. Se assim não fosse, estaríamos ainda morando em cavernas e garatujando hieróglifos em suas paredes. O ensino também evolui porque as cabeças dos alunos de hoje não são as mesmas e nem funcionam da mesma forma que dos alunos da década passada.

A realidade dos alunos da segunda década do século 21 tem pouco a ver com a realidade dos alunos do início do século. E você ainda dá as mesmas aulas que dava no século passado?

Fazendo experiências

Se você não quer mudar radicalmente – nem deve, diga-se em seu favor – que tal experimentar algumas sugestões e idéias? Que tal trocar figurinhas com outros professores? Que tal usar técnicas e enfoques diferentes, testados e aprovados por outros professores?

A partir do mês que vem vou publicar idéias, sugestões, apostilas, planos de aula em outro blog. Será o blog da idéias, das novidades, da troca de idéias entre professores. Falta só um pouquinho, em breve estará com várias sugestões que você poderá aproveitar, adaptar ou simplesmente usar como fonte de inspiração. Alguns recursos “modernos” como a internet (e a internet é moderna? Foi criada na segunda guerra mundial!) e a internet 2.0 – essa sim um verdadeiro “achado” para nós, professores.

Espero com isso contribuir de alguma forma para que nossos alunos tenham um aprendizado mais prazeroso e eficiente, e que essa aposentadoria que você tanto espera custe menos a chegar, já que o tempo passa mais rápido quando estamos fazendo algo agradável. A minha já chegou, mas continuo aqui tentando desbravar novos caminhos. É a vida…

assinatura coração

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