Enem não terá questões de inglês em 2009

Haverá questões de inglês e espanhol no ENEM/2010

Haverá questões de inglês e espanhol no ENEM/2010

O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que pretende substituir vestibulares de instituições federais em todo o país, não vai ter perguntas de inglês em 2009. A disciplina é habitualmente avaliada pelos processos seletivos, mas foi excluída porque há escolas que não estão preparadas para o exame de idioma.

“Isso pegaria muita gente de surpresa”, explicou o presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Reynaldo Fernandes. “O novo Enem foi concebido com a prova de línguas, mas o comitê [que elabora as diretrizes da prova] achou que era melhor tirar esse ano.”

Enem 2010 terá inglês e espanhol

Fernandes afirma que em 2010 a disciplina vai fazer parte da prova, com mais uma novidade: haverá a cobrança de conhecimentos de espanhol. “Como há escolas que ensinam espanhol em vez de inglês, vamos deixar a cobrança para o próximo ano. Este ano foi uma exceção”.

O presidente do Inep ainda não deu detalhes, no entanto, sobre como será realizada a cobrança das disciplinas. Nem se o estudante poderá optar por um dos idiomas ou se terá de responder a testes dos dois.

Fonte: UOL

A escola pública tem condições de preparar o aluno para um exame com inglês e espanhol?

O ensino do inglês e do espanhol na escola pública (e até em algumas escolas privadas) não é levado a sério, em alguns estados o professor é obrigado a trabalhar sem material didático e com salas abarrotadas – como se fosse possível ensinar uma língua estrangeira em 50 minutos por semana em salas com até 50 alunos. E os idiomas “não reprovam”, o que desestimula o aluno que só “estuda para passar” a interessar-se pelo aprendizado da língua.

Se o ensino de idiomas na escola pública fosse realmente um projeto sério e com o objetivo de realmente ensinar alguma coisa, as milhares de escolas particulares e franquias de ensino de idiomas não teriam tanto espaço no mercado, e a cada dia novas portas se abrem para suprir a deficiência do ensino nas escolas. Hoje quem quer aprender inglês ou espanhol de fato, tem que dirigir-se a uma escola franquiada porque se for confiar no que aprendeu nos bancos da escola pública para arrumar um emprego dificilmente conseguirá sequer uma entrevista.

A culpa não é dos professores, vejo projetos maravilhosos dos colegas, hoje em dia para dar aulas de idiomas em escolas o professor tem que ter várias funções ao mesmo tempo:

– editor de livros – na maioria das vezes o professor vê-se obrigado a preparar seu próprio material (apostilas, filmes, apresentações de slides, etc.) porque a escola não permite nem tirar xerox de letras de músicas para ensinar aos alunos.

– malabarista – tem que aprender a fazer malabarismos para ensinar o máximo possível nos parcos minutos que tem por semana. Se for reclamar você pode ouvir mais ou menos o que ouvi quando dava aulas de espanhol uma vez por semana às turmas: “se vira nos 50.”

– palhaço – para aguentar tantas mudanças em nome da “educação” e que nada têm a ver com o intuito de ensinar: inglês não reprova, espanhol entra nas escolas, não há professores de espanhol, governo vai formar professor de espanhol, criam-se cursos de espanhol nas universidades, sai o inglês da escola e permanece o espanhol? Quem é que vai saber…

O que é necessário para ser professor

Hoje para ensinar idiomas na escola pública o professor tem que ter originalidade, criatividade, tempo para criar material, paciência, amor à profissão, dom de ensinar, didática, ética, paciência, força de vontade, clareza de objetivos, envolvimento total com a profissão, paciência, conteúdo, jogo de cintura, paciência, paciência. Ai, dai-nos muita paciência. E mais ainda, persistência.

Não adianta matar um leão por dia, tem que matar, desossar, tirar o couro, e tudo isso em apenas 50 minutos! E o que são 50 minutos? Menos do que a maioria gasta dentro dos meios de transporte para ir ao trabalho todos os dias. Mas o professor tem 50 minutos por semana! Numa classe com 50 alunos desinteressados porque o idioma não reprova (tanto faz saber como não saber) se o professor conseguir dar uma aula vai ser depois de 15 minutos para acalmar os alunos. Sobram no máximo uns 35, 40. Sem material, tem que criar o seu próprio (e lá se vão muitas horas de trabalho grátis por semana…) e com o salário que ganha (uma autêntica fortuna, deve ser por isso que todos os professores de escola pública que conheço andam de carro importado com chofer…) tem que dar aulas em mais de uma escola. Não admira que haja tantos casos de depressão, úlcera, enfartes e outras tantas doenças com origem no estress da profissão.

Haverá mais mudanças?

Colocar prova de inglês e espanhol no ENEM? Ótimo. Mas o governo não pode exigir sem poder suprir. Se o ENEM existe para equiparar escola pública e privada e se pretende substituir o vestibular, o ensino tem que ser levado à sério. Os professores têm que ter melhores condições de salário e trabalho e as classes precisam deixar de ser um amontoado de alunos que mal cabem no recinto. E se é ensinado tem que ser exigido. Se ensinam mas não precisa aprender porque o aluno vai passando de uma série para a outra do mesmo jeito, então pra que ensinar?

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Uma resposta

  1. Ótimo texto! Estava procurando info da prova de inglês e soube por aqui que esse ano não terá, assim não terei que dar umas aulinhas pra minha irmã. Fiquei admirado com esse desabafo, muito bem escrito! Sucesso.

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