Educando os pais

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Como professora lido com alunos de 10 a 60 anos e percebo claramente as diferenças na forma de educar das gerações anteriores e dessa geração. Tenho que contornar alguns problemas que poderiam ser perfeitamente evitáveis e enfrentar outros que aparecem como que por encanto, sem mais nem menos.

Criam-se filhos hoje como que pedindo desculpas por ter que dizer “não posso agora, mas vou me esforçar” sempre que não se pode dizer um sim. Quando perguntei a um pai de aluno “quem é que manda em sua casa?” fui taxada de ignorante. Mas então é ignorância minha supor que os pais tenham autoridade dentro de casa? Ou que a exerçam com seus filhos?

É tão absurdo assim supor que a missão dos pais é educar os filhos, ensinar a diferença entre certo e errado, a respeitar as leis – e por conseguinte os outros mortais? Ensinar os filhos a respeitar os direitos alheios, cumprir seus deveres é tão absurdo assim?

Quando ligo para uma mãe para avisar que seu filho está com o dever de casa atrasado, ela ao invés de me dizer que vai tomar providências, começa a arranjar mil e uma desculpas para o comportamento do filho! Será que quando ele for um trabalhador ela também vai ligar para o chefe dele e pedir clemência para com as faltas dele?

Eu entendo que pai ou mãe têm que ajudar, participar, fiscalizar tudo o que os filhos fazem. Se o filho tem dificuldades para conciliar suas atividades é dever dos pais ajudar. Se têm dificuldades na tarefa, ou os pais ajudam ou comunicam o professor. E não é o filho quem decide o que vai ou não fazer, que cursos vai ou não frequentar. Será que ele sabe mesmo o que é melhor para ele?

Imagino que se soubesse os pais seriam dispensáveis, se nascemos com pai e mãe algum papel eles têm que desempenhar em nossa vida, e não é possível ter filhos e fingir que os educamos simplesmente porque lhes damos casa, comida, roupa lavada e uma mesada para fazerem o que bem entendem.

O que mais encontro hoje em dia são pais omissos, que esquecem seus deveres de pais, então não têm moral para cobrar quando o filho falta com seus deveres. Que não conseguem organizar seu tempo para dedicar alguns momentos ao filho e por isso mesmo não podem exigir que ele se organize para cumprir todos os deveres que tem com as dezenas de cursos que fazem por semana.

Eu me pergunto: será que esses pais conversam com seus filhos? Mas uma conversa verdadeira, onde realmente escutem o que o filho tem a dizer? Será que tanta permissividade não seria apenas uma medida compensatória para tudo o que está faltando nessa relação? Seriam os pais permissivos movidos pelo amor aos filhos e pela vontade de suprir todas as suas necessidades ou simplesmente estariam deixando-se subjugar por um sentimento de culpa por estarem falhando em seu papel de educadores?

Eu me pergunto o que vale mais para um filho: um celular novo ou alguns momentos da atenção plena de seu pai; um video-game último tipo ou uma conversa carinhosa antes de dormir. E esses filhos que são criados recebendo apenas bens materiais em lugar de carinho, atenção e amor, que saberão doar quando forem adultos? O que esperarão de uma relação?

Ontem foi “Dia dos Pais”. Alguns pais ausentes que há meses não viam seus filhos receberam seus presentes, um cartão ou uma mensagem no celular. E o que isso significa? Mais uma “troca” ou o reconhecimento de sua missão cumprida? Isso só quem pode responder é você. Pergunte à sua consciência.

assinatura coração

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