Vandalismo e mau comportamento – isso tem cura?

São cada vez mais comuns os casos de vandalismo e comportamento inadequado ou agressivo dentro da escola (estendendo-se para outras áreas e locais). Isso tem cura? Vejo pais e professores sem saber o que fazer para combater os casos crescentes de alunos e filhos que estão cada vez mais fora de controle e termos como “bullying” e “agressão” parece que estão na moda porque são mais citados a cada dia.

As influências atuais

Quando a minha geração era jovem, tínhamos como modelo de rebeldia jovens que deixavam o cabelo crescer e usavam calças desbotadas e tênis, e era isso o que imitávamos. Hoje as influências são bem mais fortes e presentes. Se por um lado temos a banalização do sexo e a vulgarização da figura e do papel da mulher amplamente popularizados através do funk, temos o endeusamento da cultura carcerária e da formação de gangues em grupos que são formados por ex-detentos, alguns até incitando a violência como é o caso de alguns representantes do rap.

Não se trata aqui de desmerecer esse ou aquele gênero musical, mas que o modelo que o jovem segue hoje em dia tem muito mais de vândalo que de simplesmente rebelde, não se pode negar. Quando em grupo o jovem vê-se no direito – e até na obrigação – de mostrar-se o mais violento e anti-social possível, e esse comportamento é apreciado pelos demais elementos do seu grupo.

A internet e a TV são formadores de opinião mais que os conselhos ou exemplos de pais e professores e os jovens seguem apenas os maus exemplos, diga-se de passagem. E eu desconheço um grupo de rap ou de funk que os mande estudar para ter uma vida melhor no futuro.

Procurando alianças

Aos professores o que resta é a procura de uma aliança com a família dos alunos no sentido de procurarem em conjunto soluções que se adaptem a cada caso. Não adianta o pai em casa dar bom exemplo se na escola, junto com sua turma, o adolescente tem um modelo de comportamento bem diferente daquilo que papai e mamãe ensinaram. Também fica complicado para o professor fazer com que o aluno siga as normas da escola se dentro de casa ele faz o que bem entende.

É necessário que pais e professores se unam e que se olhe mais atentamente para a forma com que a geração adulta atual vem criando os filhos. Existem normas dentro de casa? Essas normas são cumpridas? O jovem é monitorado pelos pais? Os pais sabem com quem andam seus filhos? Os pais acompanham a vida escolar dos filhos? Os filhos desenvolvem alguma atividade escolar dentro de casa? Os pais estabelecem horários para as atividades e o lazer dos filhos? Os jovens têm limites dentro de casa? Até onde esses limites são respeitados?

E também é necessário fazerem outras perguntas, que considero de máxima importância, quanto às punições. O jovem recebe algum tipo de castigo quando não obedece as regras? Tem seus privilégios cortados por mau comportamento? São cobradas dele algumas atitudes ou tarefas dentro de casa? O jovem sente-se responsável por suas coisas e por suas atividades e compromissos? Ele tem a obrigação de manter a ordem e a fazer a limpeza de seus objetos pessoais?

Extensão da casa

A escola é a extensão da casa e se em casa o jovem não tem regras, ou se as tem elas não são bem definidas ou não tem um propósito claro, ou mesmo não existe alguém que supervisione o cumprimento dessas regras, e se elas são infringidas não existe ônus algum para ele, não há como querer que dentro da escola ele entenda que existem regras que precisam ser cumpridas. E se as cumpre é a contra-gosto, resultando daí sua revolta expressa em atos de violência e vandalismo.

Numa sociedade de famílias permissivas não há como a escola manter e fazer cumprir regras, pois a necessidade de adequar-se ao grupo e à sociedade obedecendo suas normas tem que ser ensinada desde cedo, dentro de casa. De nada adianta tentar impor esses conceitos quando o jovem já está literalmente mandando nos pais e fazendo apenas o que quer, quando quer e do jeito que bem entende.

Leia também: Aluno-problema

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Uma resposta

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