Não entendeu? Azar o seu!

Não existe o ensino sem o aprendizado

Não existe o ensino sem o aprendizado

Quando comecei a dar aulas eu tinha uma visão do ensino diferente da que tenho hoje. Eu me esforçava para preparar uma boa aula, mas se eu achasse que estava boa, não importava o que os alunos pensassem. Se alguns deles não entendiam eu creditava isso a alguma deficiência do aluno ou a conversas paralelas que desviavam a atenção.

Aluno que não fazia tarefa era porque era preguiçoso e isso não era problema meu. Se não tinham interesse em aprender eu os taxava mentalmente de “futuros fracassados” e seguia ensinando, focando minha atenção nos alunos que não tinham dificuldades, não eram preguiçosos, estavam interessados e faziam as atividades em dia.

Com o tempo percebi que alguma coisa estava errada porque eu dava aula cada vez para menos alunos, os outros eu ia ignorando com o passar dos meses.

Hoje eu encaro a educação como uma coisa bem diferente. O ensino está diretamente ligado ao aprendizado, para que exista ensino é necessário que ocorra o aprendizado. Só considero minha missão cumprida quando os alunos já entenderam, praticaram, participaram e executaram todas as atividades sugeridas.

Isso significa que eu já não vejo o ensino do ponto-de-vista do professor, agora eu o encaro do ponto-de-vista do aluno. Quando vou preparar uma aula penso nos alunos que vou ensinar.

“O que a Mariazinha vai pensar disso?”

“O Pedrinho saberá como executar isso?”

“O Joãozinho, que gosta tanto de música, como vai se interessar por isso?”

Essas e outras perguntas eu me faço quando preparo o material para apresentar para eles e já me tornei uma “expert” em inserir música numa aula sobre países e capitais (criando um jogo de cantores ou bandas para eles identificarem de onde são, que idioma falam, qual a capital de seu país, etc). Uso filmes de que gostam para demonstrar vocabulário, dinâmicas para colocar em prática as apresentações formais, trago textos mais “leves” quando o assunto é complicado e exige um trabalho prévio.

Agora estou pensando em como inserir “fashion”  em algumas aulas e é claro que a aula sobre “clothes” vai ter um outro enfoque. Estou pensando em organizar um mini-desfile de moda no qual a cada rodada um aluno descreva as roupas. E é claro que haverá muitas roupas para trocar, não é?

Estou me especializando na arte de “enganar” meus alunos, eles não sabem que estão estudando. Eu finjo que brinco enquanto ensino e eles pensam que me enganam mas aprendem. E aprendem bem, tomam gosto pela coisa. Começaram agora com a mania de entregar tarefa em dia, de me ligar ou mandar email para esclarecer dúvidas, de ir bem na prova e de estudar por conta própria.

E eu, claro, fazendo de tudo para dourar a pílula da melhor forma possível e quando o remédio for amargo, dando com uma taça de sorvete.

Acho que agora eu estou envolvida com meus alunos, eles sentem isso e portanto também se envolvem com a aula e com o aprendizado. Agora formamos um time, os alunos e eu, e nosso objetivo é o mesmo. Assim ficou muito mais fácil e tanto eu quanto eles não encaramos mais a escola como fonte de chateação ou trabalho. Se nos chateamos às vezes com alguma coisa menos digerível, sabemos que logo a seguir virá algo mais agradável.

Surpreenda seus alunos, não deixe que eles saibam de antemão o que vai acontecer. Desperte a curiosidade deles antes de jogar tudo de uma vez como se o ensino fosse uma rua de mão única. Não é. De um lado há o ensino, do outro o aprendizado, e o fluxo só se dará se ambas as mãos desse caminho estiverem desobstruídas e funcionando normalmente, em harmonia uma com a outra.

Leia também: Seria o professor uma ilha?

5 Respostas

  1. Olá Zailda, como vai?
    Sou professora do CCAA m Minas Gerais.
    Estava lendo este post e concordo com vc. Mas, me veio uma questão: como aplicar tantas extra activities com o tempo limitadíssimo que temos no CCAA para passar o conteúdo?
    Não sei se vc concorda, mas a sensação que tenho é que é quase impossível dar todos os steps em 1h e 15min. Dependendo do cronograma, há lições que devem ser dadas em 2 aulas e meia! Um absurdo comparando com o enorme conteúdo. Aí não sobra tempo para este tipo de atividade. Como vc faz com suas turmas do CCAA?
    Obrigada,

    Janaína.

    1. Olá
      Eu copiei seu endereço para enviar um convite para participar do grupo e quando abri minha caixa de email percebi que você já havia pedido sua inscrição.
      De fato você tem razão, quando o horário das classes foi reduzido nós aqui do ABC também nos perguntávamos como seria possível, mas fizemos um curso ótimo “Se vira nos 75” e uma das sugestões era a de introduzir atividades para fixar a matéria. Achamos um absurdo, e entre outras coisas que foram recomendadas (como controlar o tempo de cada step rigorosamente) e a nossa surpresa foi a de que os alunos tiveram uma resposta imediata, estão mais participativos e percebemos que boa parte do tempo gastávamos repetindo a mesma coisa porque os alunos não estavam interessados na aula e por isso entendiam parcialmente ou não entendiam.
      Isso aliado a outro curso que fizemos “Palavra praticada – palavra aprendida” fez com que conseguíssemos melhor rendimento dos alunos.
      Claro que não faço todas as atividades que sugiro de uma vez, mas com certeza para cada lição procuro inserir algum tipo de atividade extra (crossword, game board, brincadeira ou dinâmica) e ainda sobra tempo para uma super-revisão antes da aula final.
      Mas entre para o grupo, lá já somos quase 40 e temos mais de 500 links, arquivos e sugestões de técnicas. Pode ter certeza de que quanto mais interessante a aula, mais os alunos irão participar e mais rápido irão aprender.
      Um abraço
      Vejo você no grupo.

  2. Oi Zailda,
    que professora legal vc deve ser!
    adorei o teu blog!
    dou aulas de frances mas as atividades q vc propoe sao super adaptaveis!!
    mas realmente esse curso “se vira nos 75” deve ser otemo hauahuahahuaha
    abssssss

  3. Prezada Zilda,

    Estou com problemas quanto a incentivar meu filho a estudar…ele sempre foi bem ,mas este ano está meio difícil,ele foi para o 6° ano do ensino fundamental.Percebo que as aulas,principalmente de português tem sido meio chatas ,tanto para ele quanto para alguns outros alunos d sala dele.
    Já fui conversar até com a professora dele,que tem uma conduta de exclusão,ela dá aula só para alunos que vão bem(ou seja 4),isso saiu d boca dela,viu!!!
    Fica complicdo..Bom o que estou tentando te dizer é que quero descobrir algo que dsperte o interesse dele e que eu possa empregar no acompanhamento que faço das lições dele em casa.

    Grata pela atenção,

    Jacy Veiga

    1. Olá
      Como você deve ter lido, eu também pensava como a professora do meu filho,
      mas felizmente hoje em dia tenho um caminho bem diferente que tem rendido
      mais e melhores frutos. Infelizmente alguns profissionais ainda seguem a
      filosofia de ensinar só para quem quer e os outros que se danem. No caso do
      seu filho, talvez fosse o caso de mudá-lo de sala, quem sabe com outro
      professor?
      Em casa você pode estimulá-lo dando livros de estórias para ele ler, e até
      mesmo gibis. A leitura vai facilitar sua compreensão de textos, o que será
      benéfico para o aprendizado da língua. Há alguns sites que trabalham a
      língua portuguesa de forma agradável e divertida, vou passar uns links
      interessantes nas próximas postagens, portanto fique atenta.
      Um abraço
      Zailda Coirano

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