Novela da Globo inicia discussão sobre violência na escola

Eu não costumo assistir novela, mas outro dia a TV estava ligada e meu filho assistia a novela “Caminho das Índias” e a situação (vagamente familiar) logo me chamou a atenção: uma professora tentava de todas as maneiras fazer com que a classe prestasse atenção à sua aula. Os alunos nem pareciam notar sua presença, jogavam aviõezinhos de papel uns nos outros, conversavam entre si e falavam no celular.

Como contraponto, a cena cortava e aparecia uma escola na Índia, o aluno todo respeitoso com seu mestre, tratando-o quase como um deus. A cena me fez pensar e dias depois vi na TV um debate sobre a mesma cena. Soube depois que um aluno chega a agredir a professora, mas que o pai do aluno o defende com unhas e dentes e tudo indica que a professora vai levar a pior.

A arte imita a vida e se temos de um lado uma escola pública sucateada pelo próprio governo, que nela amontoa quantos alunos conseguir, de outro temos a escola privada, onde cada aluno a menos é um ganho que se perde. Na balança escolar o aluno é lucro e o professor é despesa, então imagine quem ganha a batalha aluno X professor.

Uma vez botei um aluno para fora da classe por um motivo que não me lembro agora, e ele saiu a princípio, mas depois voltou e disse que ia permanecer na escola “porque estava pagando”. Eu disse a ele que todas as regras da escola se aplicavam “a quem estava pagando”, já que nenhum aluno estudava ali de graça.

Como o pai dele era dono de um supermercado, um negócio que era pequeno e levado pela família, perguntei a ele se eu poderia ir até lá, comprar uma dúzia de ovos e depois jogar um por um na cara dele, de sua mãe, de seu pai e de sua irmã. Assustado ele me respondeu que não. Eu perguntei a ele: “mas eu também não estarei pagando?”

A noção do “eu pago então faço tudo o que quero” é inclusive incentivada pelos pais, que pensam que o dinheiro é o poder maior que compra tudo: consciência, cumplicidade, tolerância, ética. Ensinam os filhos desde cedo que o dinheiro compra tudo e que cada pessoa tem seu preço. Filosofia perigosa que não deixa margem para a ética, a consciência, o caráter, a lei e a ordem.

Uma sociedade que ensina seus filhos a pagarem para descumprirem leis e regras só pode esperar deles que juntem-se em bandos para estraçalhar seus desafetos, que ateiem fogo a mendigos e que estuprem e matem. Afinal, estão pagando. Mas quem paga o maior preço por essa permissividade comprada é a própria sociedade, que vê os valores que a mantêm coesa e a salvo da dissolução serem sistematicamente ignorados e descumpridos.

As regras existem para que possamos viver dentro dessa sociedade, para que sejamos aceitos pelos outros membros e para que tenhamos nossa própria integridade física, moral e emocional respeitada pelos outros membros. Se ensinamos os membros dessa mesma sociedade a passar por cima desses valores, o que poderemos esperar deles no futuro?

Os pais devem perceber que educamos os filhos não só para que se deem bem na vida, mas também para que sejam aceitos pelos outros membros da sociedade. Se não os ensinamos a respeitar as regras – e por conseguinte os outros membros da sociedade – estamos criando pessoas que serão rejeitadas e das quais ninguém irá gostar.

Pais superprotetores que sempre estão “do lado dos filhos”, não importa o que tenham feito, esquecem-se de que não estarão ali para o resto da vida, e de que a vida é uma selva, quem não se adapta à lei é destruído ou abandonado.

Você quer que seu filho seja amado? EDUQUE-O!

Leia também: Educar para a paz

5 Respostas

  1. Falando em violência , vejam o que aconteceu comigo no rio neste carnaval:

    http://agrj.wordpress.com/2009/02/23/cidade-maravilhosa-leis-que-pegam/

    []s

    Dinho

    1. Nossa, que coisa, já fui lá comentar…
      Um abraço

  2. Quando será que uma novela da globo ou de qualquer outra emissora
    televisiva “iniciará discussões”sobre a violência das “programações televisivas?

    1. Ola Geraldo!
      Olha, eu não curto nem acompanho novela, mas o fato de haver uma professora que tem problemas reais (que enfrentamos na realidade) chama a atenção para um assunto que muito nos interessa, não acha? Eu não sei qual será o caminho adotado pelo escritor nem se as “soluções” apontadas serão pelo menos verossímeis, mas podíamos aproveitar esse “gancho” e puxar a brasa para nossa sardinha, discutindo o assunto que assim fica “na moda”.
      Um abraço

  3. Parabéns pelo site!!! Parabéns mesmo!!! =)))

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