Aprender com professor nativo

Você deve estar aí pensando que deve ser o supra-sumo aprender inglês (ou qualquer outro idioma) com um professor nativo. E realmente é. Ele fala o idioma desde pequeno, não tem problemas de pronúncia e ninguém irá questionar o que ele disser. Mas como tudo na vida também pode ter algumas desvantagens.

É lógico que as desvantagens que eu vou citar aqui são apenas uma generalização, pode haver professores nativos que fujam ao que vou dizer, mas em sua maioria o que eu vejo de desvantagem é que:

– Nem sempre o nativo fez um curso para ensinar sua língua e algumas dúvidas do aluno ele poderá não saber responder. Meu cunhado, que é alemão e tem curso superior, de vez em quando dá aulas de alemão mas confessa que nem sempre sabe responder quando o aluno pergunta “por quê”? Ele é obrigado a dizer que não sabe, só sabe que é assim e pronto.

Muitas vezes falamos o idioma mas é tão natural para nós que não nos questionamos certos detalhes, que para nós passam despercebidos. Detalhes de gramática (que eu chamo de detalhes técnicos) podem nunca ter-lhes ocorrido.

– Fica difícil para o professor nativo entender a dificuldade de quem está aprendendo seu idioma, se ele não conhece bem o idioma de quem está ensinando. Quando eu vou dar aulas de inglês, por exemplo, tenho uma preocupação especial com palavras ou tópicos de gramática que são muito diferentes do português porque eu me lembro das dificuldades que tive quando aprendi o idioma. O que é simples para o nativo pode ser uma palavra impronunciável ou um tópico de gramática ininteligível para seu aluno e ele pode (ou não) saber disso.

– Preparar uma aula é algo que um nativo pode não achar importante porque o assunto para ele é simples, mas quando se prepara uma aula a preocupação é cobrir aqueles aspectos que podem gerar confusão na cabeça do aluno, coisa que nem sempre desperta a atenção do nativo. Por falar fluentemente o idioma ele pode imaginar que não terá qualquer dificuldade em ensinar alguma coisa. Já o professor que estudou o idioma para ensiná-lo procura cobrir possíveis “furos” preparando melhor a aula e cobrindo pontos e questões que ele sabe que o aluno pode solicitar.

Naturalmente que uma aula de conversação com um nativo pode ser uma maravilha – ou não. Não é o fato de ser nativo que o torna um bom professor, e nem sempre estamos aptos a ensinar aquilo que sabemos. Para ensinar o nativo tem que ser, antes de tudo, um bom professor. Falar fluentemente um idioma só não basta. Como exemplo, pergunto aos leitores do blog: “Todos vocês falam português fluente, certo? Mas quantos estariam preparados para dar uma aula de português?”

3 Respostas

  1. Olha, existem 2 formas infalíveis para se aprender a falar inglês. A primeira delas é nascer nos EUA. A segunda forma é morar nos EUA – tipo assim, uns 5 ou 6 anos. Já parou para pensar no tanto de gente que faz inglês desde a infância, mas que mesmo assim não aprendeu a falar. Sinceramente falando (português), creio que somente estudar aqui no Brasil torna o processo de aprendizado mais difícil, complicado e lento – mas não impossível. Entretanto, a verdade éh que muita coisa agente só aprenderia nascendo lá nos EUA, pois o idioma está extremamente ligado com a cultura de cada povo. A prova irrefutável disso é que nem todos aqueles que estudam ou estudaram em colégios particulares (onde é dada uma ênfase especial para o idioma) sabem falar inglês. Mas por qual razão afinal de contas isso acontece? Analisando a questão através desse ponto, já dá para desconfiar e propor algumas hipóteses sobre o porquê das pessoas não conseguirem aprender a falar inglês ou a razão de tanta dificuldade para com o idioma. 2 delas já foram explicitadas no início da minha conversa, ou seja, se Vc nascer nos EUA ou ir morar lá por um bom tempo, desta forma é possível alcançar a fluência no idioma com muito mais facilidade. Vivi minha vida inteira aqui em SP – mas durante 2 anos morei em outro estado brasileiro (Fortaleza-CE). Depois de um certo tempo de convivência, percebi que estava assimilando a pronuncia, entonação de voz, sotaque, e talvez isso estivesse acontecendo de uma forma inconsciente, entendeu? O que acontece é que Vc não suporta a pressão cultural e a sua mente acaba sucumbindo, e isso se reflete sob a forma de aprendizado, creio. Ao morar nos EUA aconteceria a mesma coisa também. Mas é importante agente saber que nem todos que vão para os EUA passar uma temporada lá conseguem dominar o idioma, a questão do aproveitamento e esforço pessoal éh super inportante. Jáh vi casos um pessoa que passou um bom tempo no exterio, mas que mesmo assim não conseguiu aprender a falar, dá para acreditar nisso? Mas, e quem não tem condições $$$ para ir morar no exterior, não possui um parente lá e tudo mais? Todo mundo sabe o quanto pode ser difícil conseguir um visto do consulado norte americano, o tanto de exigências que eles fazem, isso só para ficar lá 30 dias, imagine agora para ficar mais tempo! Do meu ponto de vista, a principal barreira no aprendizado é Vc mesmo (eu também faço parte desta totalidade). As palavras servem para qual finalidade exatamente? Para externar pensamentos, idéias, opiniões, mas principalmente para satisfazer uma necessidade humana, que é a comunicação, assim podemos expressar com muito mais facilidade as nossas NECESSIDADES. Ou seja, pense bem, a principal barreira no aprendizado é Vc mesmo, porque como Vc já tem o português fluente, não existe em Vc a necessidade de desenvolvimento da linguagem e um novo idioma. O seu idioma materno, que é o português, satifaz e preenche plenamente as sua necessidades de existência, de vida. Se Vc quer comida, Vc pede por comida, simples! Não há a necessidade de desenvolvimento de um novo idioma, pois Vc não consegue se enxergar numa situação de risco. Por exemplo, se a sua casa está em chamas, Vc ligar para 190 e pede por SOCORRO! O que eu quero dizer é que morando aqui no Brasil agente fica no COMODISMO, Vc não se vê obrigado a aprender uma nova linguagem para satisfazer suas necessidades humanas e minimizar todas as situações de risco (espero ter sido claro em minha análise). Agora, voltando ao cerne da questão principal, seria melhor um professor nativo ou brasileiro. Creio que existam vantagens exclusivas tanto numa opção quanto na outra. O nativo é capaz de oferecer a informação em sua forma genuína, original. Um professor nascido aqui no Brasil é capaz de formular respostas levando em consideração as dificuldades específicas do estudante brasileiro, nuances (dificuldades do aluno brasileiro) que poderiam passar despercebidos por um professor norte americano ou britânico. Entretanto, porém, creio que a melhor forma seja escolher um professor brasileiro naturalizado norte americano ou britânico. Pronto! Fechou a questão! Dizem que a melhor fase para o aprendizado de qualquer idioma é na infância, e isso é verdade. O problema é que as pessoas levam isso ao pé da letra, desta forma, todas as esperanças de aprendizados são extintas, sem força de vontade fica quase impossível aprender. Somente para finalizar a minha explanação, vejo o processo de aprendizagem de qualquer coisa ou idioma como um processo de cicatrização.Vou explicar por quê. Quando Vc se corta, o seu corpo se regenera, por mais que Vc vá ao médico, que providencia a solução é Vc mesmo. O médico, na verdade, é um ator (importante) coadjuvante no processo de cura. Mas ele não é a cura. O processo de cura e regeneração é uma capacidade inerente a todos nós humanos e todos os animais. Percebe? É como se fosse um dom divino, é uma capacidade nossa que a possuímos desde sempre. Vc se cura sozinho no final das contas. A mesma coisa acontece com o aprendizado, Vc aprende sozinho, por conta própria, no final das contas. A aprendizagem também é um capacidade que Vc sempre teve. Por isso eu não duvido daquelas pessoas que “eu aprendi a tocar violão sozinho”, ou, “eu aprendi a falar inglês sozinho e pela internet”… E para finalizar, as pessoas não aprendem porque ela dão uma ênfase muito grande, e tão fora do comum a questão da pronúncia do inglês, como isso fosse uma coisa importante… A pronúncia, querendo ou não, é uma das últimas coisas que Vc aprende na vida. Vc acha que é possível começar a construir uma casa pelo teto? Repare que mesmo as crianças pequenas que ainda não aprenderam a falar seu próprio idioma, que não conseguem expressar seus pensamentos e idéias, são capazes de entender e obedecer ordens dos pais, reconhecer pessoas, gestos, cores. Elas, de certa forma, já detêm o poder da linguagem, só não sabem falar. Elas ainda não possuem fluência e uma pronúncia perfeita, mas já conseguem se comunicar, e isso que é o mais importante! A pronúncia vem depois. Se elas fosse se importar com a pronúncia, não aprenderiam a falar nunca. Não andianta forçar a barra!

    1. Jackson, eu até concordo com você em alguns pontos: tem que haver força de vontade e necessidade para aprender. A necessidade hoje é clara, já que o mercado de trabalho prefere os bilingues. E sem força de vontade não se aprende nada.

      Mas discordo quando você diz que para aprender tem que morar no exterior, somos 17 professores na minha unidade, todos somos fluentes em inglês, nenhum de nós é nativo nem morou fora do país. E todos os alunos da escola de nível avançado em diante são fluentes.

      Já fui “tutor” de alguns nativos que vieram para cá, levava-os para a escola comigo e todos ficavam pasmos como os alunos falavam bem o inglês, sem nunca terem saído do país.

      Existem sim, métodos eficientes para aprender outro idioma + necessidade + força de vontade.

      A pronúncia também é importante desde o começo, pra que aprender errado e depois consertar? E o inglês (ou espanhol) têm muitas palavras que precisam ser bem pronunciadas ou não serão entendidas.

      Perguntei uma vez a um aluno “What’s your favorite sport?” e ele, em vez de dizer “soccer” (futebol) respondeu sucker (que pode ser interpretado como uma bobagem, dependendo da forma como a pessoa entender.

      E em espanhol coger (tirar dinheiro do banco, tomar ônibus e outros…) tem a mesma pronúncia que correr em português, mas que em espanhol se escreve igual mas se pronuncia diferente.

      Então a pronúncia é importante, desde o começo.

      Um abraço

      Zailda Coirano

  2. Achei interessante a parte que Jackson diz: “O que eu quero dizer é que morando aqui no Brasil agente fica no COMODISMO, Vc não se vê obrigado a aprender uma nova linguagem para satisfazer suas necessidades humanas (…)”. De um jeito simples ele mostrou que o inglês realmente é visto e ensinado no Brasil – ainda – como língua estrangeira. E que não há muita situações em que nós precisamos usar um outro idioma; fazendo compras, atendendo telefone, dirigindo, pegando ônibus – salvo em algumas situações em que nos encontramos ajudando algum turista (mas isso quase não acontece para pessoas que moram no interior). Eu acho que a copa do mundo vai dar um outro sentido ao ensino e aprendizado de idiomas.

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