O prazer de ensinar

Antes eu era bancária, ficava o dia todo atrás do balcão do caixa entregando talões de cheques, vendo saldos, pagando e recebendo. Ao fim do dia contava o dinheiro, ia para casa. No dia seguinte começava tudo de novo. Assim foram 19 anos, todos os dias a mesma fila à minha frente, rostos ora conhecidos, ora totalmente estranhos, olhar impaciente.

Nascida em uma família de professores resisti quando me propuseram que seguisse a profissão que segundo eles “estava no sangue”. Quase 20 anos depois deixei o banco de rostos em filas sempre iguais e comecei a lecionar. No início era só um bico mas acho que estava mesmo no sangue.

Logo percebi a diferença, a emoção de receber no início do ano um bando de alunos que não sabiam nada de inglês e que saíam já conversando ao final do ano letivo. E os anos foram se passando e a primeira turma que iniciou comigo recebeu o diploma. Eram fluentes, aptos a falar, entender, ler e escrever em inglês. E havia também os formandos de espanhol.

Aí a emoção foi tanta que não consegui nem ler meu discurso, tão cuidadosamente preparado. E quando o orador deles começou a falar eu não parava mais de chorar. Chorava de pura emoção ao me lembrar deles no primeiro dia de aula e de imaginar que tinha alguma participação na realização do sonho deles, nem que fosse uma pequena parcela.

Ensinar é mais que uma profissão, é uma devoção. Não há como descrever a sensação de saber-se capaz de ajudar outro ser humano a conseguir o que quer e ajudá-lo a galgar os degraus que o separam de tudo o que sempre sonhou. Sentir-se responsável (mesmo em parte) pela realização do sonho de outra pessoa é mais do que eu poderia descrever aqui em palavras. Só quem já sentiu isso um dia entende do que estou falando.

Leia também: Como você prepara sua aula?

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: