Professor passado, presente e futuro

Apesar da terminação professor não é verbo mas pode se conjugado no passado, presente e futuro. Duvida? Então vamos lá:

Passado – ser professor era uma profissão nobre, bem remunerada e o professor era sempre respeitado como um profissional que detinha a informação. Era uma profissão tão respeitável que era a única permitida para as moças casadoiras e bem nascidas. Enfermeira não era visto com bons olhos, talvez pela proximidade de leitos alheios e para ser médica demorava muitos anos, corria-se o risco de ter uma ‘solteirona’ em casa ou de casar-se sem terminar os estudos.

Dentro da sala de aula não se questionava a autoridade do professor, havendo até alguns abusos de autoridade, até um certo autoritarismo, mas nem isso se questionava. Dentro da sala o mestre era soberano e sua palavra era lei. Os alunos sentiam-se honrados por ter aulas com esse ou aquele e alguns eram reconhecidos como autênticos gurus em sua área.

Presente – com o salário defasado e sem respaldo praticamente nenhum, insistimos em batalhar contra nossos moinhos de vento. Ao contrário de Dom Quixote os nossos moinhos não são fantasias nossas. São absurdamente reais. Temos alunos que vão à escola apenas para comer porque não têm comida em casa; alunos que só estão ocupando suas cadeiras em frente a nós porque são obrigados por lei; outros que lá estão porque querem prestar um concurso ou ter um emprego que os livre da miséria da casa paterna, e para isso necessitam de um diploma; outros que só nos brindam com sua presença porque um aluno a menos significa verba subtraída dos cofres da prefeitura, então a ordem é que os deixemos lá e não os incomodemos com nossa mania de ensinar.

Nossa autoridade foi sucateada juntamente com a educação e persistimos ensinando (talvez para as paredes) porque temos um ideal. Nosso ideal inclui um país de alfabetizados e cultos que leiam no mínimo 1 livro por semana, que sejam capazes de realizar operações matemáticas de cabeça e que saibam pelo menos citar a capital de seu país. Isso na quarta série do ensino fundamental.

Quanto ao respeito nem há o que dizer. Somos vistos como pessoas que não se adequaram em outras profissões e que quebramos o galho dando aulas. Como disse um ex-presidente (que por acaso já foi professor): ‘quando a pessoa não consegue emprego em outra área, vai ser professor’.

Futuro – esse é uma incógnita. Seremos capazes de reverter a situação e ganhar a guerra contra a ignorância, a falta de ética, o sucateamento das instituições de ensino? Seremos capazes de recuperar nosso posto de formadores de caráter e opinião?

A resposta só virá nos próximos anos, mas com certeza se ficarmos de braços cruzados e não continuarmos procurando nossos caminhos perderemos a batalha. Contra moinhos, contra preconceitos, contra o comodismo dos alunos que nos veem como ‘vendedores de diplomas’.

No futuro talvez voltemos a ser os responsáveis pela transmissão da cultura adquirida pela humanidade para a próxima geração. Ou não. Depende de muitos fatores, mas principalmente depende de nós.

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6 Respostas

  1. Você está de parabéns!!!

    continue com seus textos.

    []s

    Dinho

    http://agrj.wordpress.com

  2. bom trabalho, profissional e instrutivo…..continua

    http://www.delaorden.wordpress.com

    1. Olá DelaOrdem! Vou continuar sim, com o apoio de vocês, comparecendo e comentando!
      Um abraço!

  3. Obrigada, Agrj, pretendo continuar com a ajuda de vocês, comparecendo, comentando, mostrando o caminho. E me corrijam se eu estiver errada!
    Abração.

  4. voces estão de parabéns.

  5. Muito, boa a sua matéria sob a realidade do professor, em nosso país, infelizmente isso é uma triste realidade, isso só esta acontecendo porque o Brasil vem sendo governado por populistas, demagogos e patriarcais. Esse é o perfil de nossos políticos.
    Parabéns pela sua matéria.

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