Professor sonhador

O professor é antes de tudo um sonhador, um idealista que vive para sua profissão. Ensinar é um ato de amor antes de ser uma profissão. Vivemos num país onde a preocupação com a educação é apenas uma fachada, uma palavra que nossos governantes repetem de boca cheia na hora da eleição mas que não tem o menor significado depois que já foram eleitos.

“Investir na educação” para a maioria de nossos governantes seria mandar pintar a escola antes do início do ano letivo – ou nem isso. Um médico tem todo o suporte para se aperfeiçoar e se especializar, recebe salário digno e é valorizado pela sociedade. Um professor é simplesmente jogado na sala de aula (para não dizer jogado aos leões) e se ordena a ele que se vire. Se não consegue aprovação maciça é mau professor; se tem problemas com disciplina não tem o domínio da classe; se é enérgico é porque persegue os alunos; se dá uma prova difícil e os alunos tiram notas baixas é um incompetente.

O respeito pela figura do ‘mestre’ há muito foi esquecido, e se nossos alunos nos respeitam isso é resultado de todo um trabalho individual de cada um. E daí se um aluno desrespeitar um professor? O máximo que se dirá a ele é que mude de profissão. Mas normalmente o professor segue por amor à profissão e aos alunos, mesmo que esses o considerem um chato.

O que nos move em busca de um ideal de educação que por enquanto só existe em nossas cabeças é que eu não sei. O salário certamente não é. O respeito por nosso conhecimento por parte dos alunos também com certeza não. O respaldo por parte de nossos superiores na certa também não é.

O professor se alimenta de esperança. Esperança de dias melhores, quando a educação deixará de ser apenas uma pasta no secretariado público e tornar-se prioridade nacional. Quando a ignorância deixar de ser a ferramenta usada pelos políticos para se reelegerem, quando o fato de estudar será um orgulho e não a necessidade de um diploma para se conseguir um emprego de meio-período.

Infelizmente trabalhamos à sombra da sociedade, não se vê que todo médico, advogado ou presidente da república (acho que esse não) passou por nossas mãos um dia para chegar onde chegou. Quando se encarar o fato de ensinar como uma profissão nobre e não de meros escravos a serviço do governo na função de mascarar a ignorância alheia.

Acho que não somos vistos com bons olhos porque não nos conformamos com o triste papel de fazer de conta, como convém nessa situação. Não fazemos de conta que ensinamos, queremos que os alunos saiam com um diploma que represente conhecimento e não apenas frequencia na escola. Nós professores não queremos ter apenas alunos que frequentem a escola durante alguns anos, queremos ter estudantes.

Citação: Aos jovens professores que pretendem lecionar no Estado de São Paulo

Leia também: O aluno aprende sem o professor?

2 Respostas

  1. professortemporario

    Professar, segundo o dicionário, é reconhecer publicamente alguma coisa, ou colocá-la em prática.

    A idéia original de professor, que se perdeu em meio ao tempo, era de um sacerdócio, no qual o mestre distribuía sua luz para atenuar a ignorância (alunos= sem luz).

    Isso acontecia porque em uma época passada existia uma abismo muito grande entre os letrados e iletrados. Até 1950, segundo o IBGE, o Estado de São Paulo possuía 43% de analfabetos em sua população e a média nacional era próxima de 60%.

    Naquela época, não só o professor, mas qualquer profissão que requeresse um conheciemnto maior era muito valorizada.

    Ocorre que hoje, em meio as transformações sociais, o quadro do analfabetismo foi significativametne melhorado, o que reduziu o abismo entre o estudante e o professor.

    Evidentemente, o investimento real do Estado em um ensino de qualidade interessa a poucos, até porque os filhos de nossas autoridades não estudam em escolas públicas.

    Evidetemente, o sucateamento das escolas atrapalha muito o desenvolvimento de qualquer coisa.

    Entretanto, a postura das pessoas que “estão” como professoras mudou bastante, e para pior. Se perguntarmos aos formandos de cursos de licenciatura ou aos bachareis que procuram de aulas das atribuições das escolas públicas, por qual razão decidiram lecionar, a resposta na maioria das vezes fará referência, ou ao preço da mensalidade do curso de licenciatura ser mais acessível, ou ao fato do curso de licenciatura ser mais fácil, ou ao fato social do desemprego.

    Poucos, muito poucos, serão os que afirmarão ter escolhido a licenciatura com o objetivo de ajudar na formação de novas gerações para o desenvolvimento do país.

    Daí, escutamos os argumentos de que isso ocorre apenas em função da defasagem salarial, que acontece e realmente constitui um fato lamentável, principalmente por direcionar as pessoas mais brilhantes para outras áreas.

    Não podemos atribuir o fracasso da educação no Brasil apenas à defasagem salarial. Nosso problema maior é que temos muitos que “estão” como professores e poucos que realmente “são” professores.

    Como a sociedade não percebe essa diferença, todos são colocados no mesmo transporte coletivo superlotado, rumo ao fracasso.

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