Dinâmicas de grupo – o que funciona e o que não funciona

Além de estabelecer o objetivo que deseja atingir com a aplicação de uma dinâmica e de usá-la no momento mais apropriado, é bom ficar de olho para não cometer certos erros que podem comprometer o resultado final.

A primeira coisa à qual você tem que atentar é a de escolher cuidadosamente uma dinâmica que se adapte ao perfil dos seus alunos. De nada adianta aplicar uma dinâmica cheia de conceitos abstratos se seus alunos são ainda imaturos demais para entendê-los ou lidar com eles.

Outro fator que interfere negativamente no resultado de uma atividade assim é o grau de complexidade do que se pretende propor ao grupo. Dinâmicas divididas em mais de 2 estágios não costumam funcionar bem e é comum os alunos cansarem-se dela antes que termine. E é importante estabelecer desde o início o tempo de duração de cada etapa da atividade para não se prolongar demais.

Diga, por exemplo, que eles terão 5 minutos para preencher os dados na folha que você apresentou, e ao final de 5 minutos passe para a próxima etapa mesmo que alguns alunos ainda não tenham terminado, porque é melhor que eles aprendam a importância de realizar uma atividade dentro do tempo estabelecido do que comprometer o trabalho de todo o grupo.

O grupo como um todo nunca deve ser sacrificado ou subjugado às necessidades de 1 ou 2 elementos que não se adequaram ao que foi proposto a todos. Sempre se deve respeitar os que estão dentro do horário e não submeter a maioria a esperar pelos ‘atrasadinhos’. Além de desestimular o grupo, é uma falta de respeito para com quem cumpriu sua parte.

Dinâmicas com instruções muito longas ou confusas também devem ser evitadas e caso queira mesmo aplicá-las, resuma ou simplifique, ou então divida em duas partes para aplicar em ocasiões diferentes. Quando você tem que falar muitos minutos para que eles entendam o que está sendo proposto eles já se desestimulam de cara e após as primeiras instruções alguns já não estão prestando atenção. Esses elementos, no decorrer da brincadeira, podem interromper para perguntar o que não entenderam ou então fazer de forma diferente do que foi pedido, comprometendo o resultado.

As explicações iniciais devem ser na maioria das vezes completas, excetuando-se aquelas que têm uma ‘surpresa’ no final. Os ‘mistérios’ não funcionam muito bem porque os alunos têm reservas quanto a desenvolver atividades sem saber qual o objetivo delas. Caso haja uma surpresa no final, convém ‘enganá-los’, fazê-los cumprir sua parte pensando que a atividade será dirigida de uma determinada maneira.

Se você simplesmente disser: preencham esse papel com 3 frases sobre vocês, duas verdadeiras e uma falsa, eles vão se entreolhar pensando que após tanto stress finalmente conseguiram fazer com que você perdesse completamente sua sanidade mental.

Se, por outro lado, você disser que após isso eles lhe entregarão os papéis e que você irá ler as frases para que eles descubram de quem são as frases e qual a que não é verdadeira (veja essa brincadeira no blog Coelho da Cartola) eles entenderão e agirão de acordo com o que se espera, entenderão que os outros não podem ver e que não podem ser coisas óbvias, etc.

Um outro alerta é que por mais que a dinâmica tenha dado certo com uma classe, isso não significa que surtirá efeito em outra. Mesmo que os alunos de uma turma a tenham adorado, não quer dizer que outra turma terá a mesma reação. Cada grupo tem seu próprio perfil e o que dá certo com uns pode falhar com outros.

Acima de tudo, por mais que eles tenham gostado de uma determinada brincadeira, só aplique uma dinâmica uma vez com cada turma, a não ser que você faça uma grande mudança nela. As dinâmicas só surtem efeito e só têm graça da primeira vez, como as piadas. Uma variação da mesma dinâmica pode ser uma boa idéia, porque sendo o desfecho diferente, o elemento surpresa fará com que se entusiasmem e se divirtam.

Leia também: Dinâmica para primeiro dia de aula (com balas ou jujubas)

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