Fim de ano, hora de balanço geral

Todo final de ano costumo fazer um balanço geral, e claro que na escola não podia ser diferente. Nas férias, depois de passado o furor das provas e reprovas, quando fico descansando no sagrado recesso do meu lar, costumo rever conceitos, analisar o que produziu bons resultados e questionar o que não foi tão bom.

Projetos que estão engavetados são então reanalisados para ver a possibilidade de levá-los em frente agora ou futuramente. Alguns são descartados definitivamente, outros que já estavam iniciados ou só no papel, têm uma continuidade.

Nessa época é comum ouvir críticas, especialmente dos alunos e pais de alunos que não conseguiram bom rendimento ou que foram reprovados. É necessário ter a cabeça fria e os pés no chão para separar o joio do trigo, ver o que é verdade ou o que é apenas desculpa.

Alunos que são reprovados costumam achar alguém para botar a culpa – frequentemente o professor. Apesar do dito muito popular entre os alunos: “o aluno aprende com o professor, sem o professor e apesar do professor” que costumam por vezes estampar até em suas camisetas, basta serem reprovados para mudarem radicalmente de idéia e lá está você na berlinda.

Eu tinha uma colega que afirmava que “amor de aluno é falso”, porque se vão bem em sua matéria são só elogios, querem que lhes dê aula novamente ano que vem, deixam recado no orkut… Mas se reprovam começam a inventar histórias, que você os reprimia, que não dava aula direito, que não se adaptaram com sua maneira de ensinar…

Interessante é que têm o ano todo para observar isso, mas só vêm as criticas na última semana. Em algumas escolas particulares isso chega a tornar-se um caso grave, tenho alguns colegas (que não vou citar os nomes, por motivos óbvios) que já me confessaram que têm medo de reprovar alunos, devido às pressões que sabem que sofrerão dos pais e até do diretor da escola.

Eu não aprovo nem reprovo ninguém, alguns alunos que eu até acho que seriam beneficiados com uma reprovação – assim teriam oportunidade de aprender direito – por terem boa memória decoram tudo e acabam tirando boa nota, então são aprovados. Outros que se esforçam e sei que mereceriam passar, infelizmente não atingem a média necessária e têm que refazer o nível.

A verdade é que é muito fácil encontrar culpados para o próprio fracasso, e como diz o ditado popular: “errar é humano, botar a culpa nos outros é mais humano ainda”, é natural do ser humano encontrar desculpas para não ter que enfrentar a dura realidade de que se não aprendeu a falha foi sua, e de mais ninguém.

Sou uma professora, portanto responsável pelo ensino. O aprendizado, se bem que estimulado e facilitado por mim, não é uma ação involuntária, mecânica ou passiva. Para aprender o aluno tem que tomar certas atitudes, e se ele falha (por vontade própria, por preguiça, descaso ou dificuldade natural, emocional ou intelectual) tem que aprender com seus erros, para evitar que ocorra novamente no futuro.

Se o aluno não assume o fato de que se não conseguiu aprovação fez alguma coisa de errado ou relegou o aprendizado a segundo plano, jamais vai corrigir as falhas que o levaram à reprovação.

É uma coisa dura ter que enfrentar isso com o aluno, mas infelizmente também faz parte.

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