Seria o professor uma ilha?

Quando fiz a postagem Professor X diretor / orientador de escola confesso que fiquei frustrada por ter passado em brancas nuvens, como se fosse um problema só meu. E eu ficava matutando, porque imagino que os professores que por aqui passam o fazem porque estão em busca de novos caminhos, respostas para velhas perguntas, e a proposta do blog é uma discussão saudável sobre os problemas enfrentados na escola pelos educadores. E esse assunto ficou lá, abandonado, como se todo o problema na escola fosse gerado apenas pelos alunos. Algo assim como se os outros educadores trabalhassem todos em escolas inovadoras e que dessem total apoio a qualquer iniciativa ou proposta de vanguarda.

Bom seria se fosse assim, mas infelizmente sei por experiência própria e de outros que nem todas as escolas favorecem o crescimento do profissional, algumas preocupam-se exclusivamente com o bem-estar do aluno. E por “bem-estar” entenda-se que esse aluno sinta-se à vontade e nunca seja incomodado a ponto de querer mudar de escola.

Se por um lado há instituições que realmente dedicam-se de corpo e alma a propiciar um aprendizado eficiente, completo e o mais agradável possível ao aluno, há também instituições que são apenas um negócio como outro qualquer, e que por mero acaso atuam na área da educação e não no setor de calçados ou restaurantes, por exemplo. Vendem educação, por assim dizer, mais por uma questão de mercado que por ideais ou filosofias.

Nesse caso fica muito difícil para o profissional que acredita no que faz desempenhar bem sua função, porque tem que vender um produto, ou antes – entregar o produto que foi vendido – e o ensino fica em segundo plano. Quando fica claro para mim que estou trabalhando num “comércio de educação” e não numa instituição de ensino, não me resta mesmo outra alternativa senão sair à francesa ou à brasileira.

Interessante a questão levantada no comentário do post original, a de que pensando nos alunos o professor deveria permanecer no estabelecimento e lutar contra tudo e contra todos. A causa é atraente e talvez eu a abraçasse ainda no vigor da juventude quando acreditava que Golias sempre venceria o gigante (ou qualquer coisa no gênero), mas depois de muitos anos de vida e experiência creio que nem sempre vale a pena lutar contra moinhos de vento.

Os alunos que procuram um aprendizado consciente e livre daquelas antigas fórmulas já empregadas por nossos avós e que não estejam vendo suas necessidades atendidas pela escola, não acho que deveriam esperar que cabeças do corpo docente rolassem para lutar por suas necessidades. É muito menos quichotesco e mais lógico que esses alunos procurem uma outra escola que atenda a seus anseios, e com certeza lá encontrarão aqueles professores que lecionavam em sua antiga escola, e que agora encontram no novo ambiente de trabalho todo o apoio e incentivo necessário tanto para seu crescimento como profissionais quanto para o sucesso no aprendizado dos alunos.

Se os profissionais criativos e inquiridores continuarem prestando serviço em escolas onde o ensino é mera justificativa para a manutenção de um estabelecimento que comercializa educação, assim como poderia comercializar qualquer outra “mercadoria”, estarão fornecendo lastro para que essas instituições se multipliquem e se estabilizem no mercado.

Quando o profissional se conforma em ser uma peça nesse jogo está compactuando com a banalização de tudo aquilo pelo qual lutamos. Dar as costas à “monetização” do ensino me parece a atitude mais viável, pois  caso esse comportamento seja imitado pelos demais componentes do corpo docente, quem sabe os administradores não resolvam mudar sua área de atuação e tenhamos então apenas escolas fundamentadas em princípios única e exclusivamente voltados para o ensino?

(Zailda Coirano)

2 Respostas

  1. […] também: Seria o professor uma ilha? Tags: aprendizado, brincadeiras, educação, ensino, Escola, Filosofia, jogos, Métodos de […]

%d blogueiros gostam disto: