A voz do professor

Durante a maior parte do tempo transmitimos o que sabemos através de nossa voz e é ela que usamos para interagir com os alunos na maioria das vezes. É claro que a linguagem corporal também conta pontos, mas a voz é o principal meio que temos para transmitir informação aos alunos. Devemos, portanto, preservá-la ao máximo e usá-la da melhor forma possível.

Em primeiro lugar o professor precisa se posicionar bem na sala de aula, frente aos seus alunos. De qualquer ponto em que o aluno esteja ele tem que ver o professor e o professor a ele, e devem estar posicionados de forma a não ficarem muito distantes. Se a distribuição da sala é a clássica, em fileiras, é bom falar caminhando entre elas, o que ajuda a “acordar” os alunos mais distraídos.

Prefiro a disposição em semi-círculo e me posiciono sempre em sua entrada e circulo em seu interior, percorrendo o olhar por todos os alunos enquanto falo.

A disciplina ajuda a preservar a voz do professor, porque se surgem conversas paralelas, além de desvirtuar o objetivo principal, que é o aprendizado, isso fará com que o professor automaticamente aumente seu tom de voz para se fazer ouvir. Faça isso durante algumas horas, 5 dias por semana e verá o resultado devastadoramente negativo, tanto para os alunos, que se acostumarão a só ouvir sua voz em tom elevado, quanto para sua garganta.

Isso somado às mudanças de clima e ao famigerado ar condicionado que somos obrigados a tolerar em dias quentes com classes numerosas, em pouco tempo sua voz estará um desastre.

O importante é manter o tom de voz e acostumá-los a ouvir enquanto você fala. Se por acaso quiserem fazer algum comentário (a respeito do assunto tratado) devem levantar a mão e esperar que você lhes dê a palavra. Nunca, mas nunca mesmo, devem interrompê-lo, nem você a eles. Se o assunto não tem nada a ver com o que está sendo discutido, peça educadamente que esperem ao final da aula para tratar do assunto em particular.

Sua voz deve também ser modulada, dê vida e “represente” um pouco. Enfatize a interrogação ao fazer perguntas, exagere quando fizer uma exclamação. Um discurso “vivo” e bem modulado desperta a atenção do aluno, ao passo que uma voz monótona e sem vida os fará dormir em poucos minutos.

Os alunos que estão inseguros quanto ao que vão dizer costumam falar mais baixo e mais rápido. Portanto não fale muito rápido porque isso sempre dá a impressão que você não domina muito bem o assunto tratado. Não fale muito devagar porque parecerá que está falando com idiotas, e isso eles com certeza não são. Não repita muitas vezes a mesma informação porque isso torna o discurso enfadonho. Eles é que têm que repetir, e não você.

Acompanhe seu discurso com gestos que ajudem o entendimento porque isso poupa algumas explicações mais extensas. Quando explico big um gesto é muito mais efetivo que mil palavras. Sempre que possível leve figuras, vídeos, mapas, folhas impressas, ou qualquer outra coisa que auxilie o aluno a entender o que você quer passar. Além de fazer com que ele fixe melhor, isso poupará um pouco a sua voz.

Não recapitule toda a explicação ao final. Peça aos alunos, um de cada vez, que a refaçam, fazendo perguntas sobre o que você acabou de ensinar. Isso os fará aprender melhor e você poderá checar com mais eficiência se compreenderam bem todos os pontos ensinados ou se ficou alguma coisa no ar.

Se por acaso alguma coisa não “entrou bem”, se ficou um tanto confusa, outra explicação extensa e mais pormenorizada não irá resolver, na maioria dos casos. Dê exemplos, peça aos que entenderam que expliquem, leve uma atividade na qual exercitem esse ponto que ficou um tanto vago. Essa atividade pode ser um jogo, por exemplo. Falar sem parar na esperança de que em algum momento eles entendam torna a aula chata para quem já entendeu.

Poupe sua voz. Afinal, palavras são palavras, nada mais que palavras.

(zailda coirano)

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