Oops…

Ensinar ou aprender um idioma sempre tem lances engraçados porque é comum alguém se embaraçar na hora de pronunciar alguma palavra ou mesmo dizer alguma bobagem. Lembro-me de que quando era ainda aluna de inglês meu “teacher” perguntou sobre passatempos durante a aula e eu expliquei que o meu era “penpaling”, que significa escrever cartas para pessoas que você não conhece, inclusive de outros países.

Logo em seguida ele fez perguntas a outros alunos mas eu fiquei divagando sobre meu passatempo de forma que quando ele me perguntou: “what do you like the best?” eu ainda estava pensando no assunto e respondi: “fat mail”.

O queixo do meu “teacher” caiu até quase o umbigo, o silêncio pairou na sala e quase todos os rostos se voltaram para mim. Senti as orelhas queimando enquanto meu cérebro analisava a situação a mil milhas por segundo (milhas porque era inglês americano) para entender o que eu dissera de errado.

Olhando novamente para meu professor entendi o que houvera. Ele pesava mais de 100 quilos e havia entendido “fat male”, ou seja, deve ter achado que levara uma cantada bem no meio da aula na frente de outros alunos. Eu expliquei como pude o que tentara dizer. E digo “como pude” porque tive uma crise de riso que demorou uns 10 minutos para passar.

Eu tive uma classe de espanhol que era composta de uma dúzia de pestinhas em torno de 9, 10 anos. Quando fui explicar pela primeira vez a palavra “caray” já previa a torrente de risadas e piadinhas logo que a palavra foi mencionada.

Nessa mesma classe, uns anos depois, um aluno que era ligeiramente gago (só gaguejava quando nervoso) tinha que repetir a frase “hoy me desperté temprano” mas na hora do apavoramento disse: “hoy me desperté trepano“. Os minutos de aula que ainda restavam foram inúteis porque não conseguíamos parar de rir para continuar.

Anos depois esses mesmos alunos estavam fazendo inglês, no livro 3, e eu estava passando um vídeo com as palavras novas da lição. Quando ouviu “bus stop”, o Paulo, que era o mais danado da turma, deu um pulo da cadeira e gritou: “ele falou bosta“. E não é que parecia mesmo?

Numa outra sala eu estava ensinando “could” como uma forma de demonstrar capacidade no passado. Para praticar pedia aos alunos que fizessem perguntas uns para os outros. E estava nessa de “ask Fulana if her mother could read when she was 5 years old”, “ask Beltrano if his brother could take a shower alone when he was 2 yeas old” quando uma aluna que de vez em quando misturava inglês e português, não entendendo o que eu mandara perguntou: “c_ de quem?” provocando uma gargalhada geral.

Numa classe onde eu ensinava “favorite” perguntei a um aluno “what’s your favorite sport?” e ele, em vez de responder “soccer” disse “sucker”. Eu o olhei, séria, e disse: “Don’t say that to anyone else.” E claro que foi uma gargalhada geral.

Alguns professores criticam essa postura do bom-humor, mas a gargalhada depois de um “fora” é inevitável, não há como impedir os outros alunos de rirem quando acontece algo assim porque o riso é uma reação natural e incontrolável. Nessas situações, quanto mais tentamos não rir, mais rimos. E acho que sempre que uma coisa assim acontece, isso fixa a palavra na memória dos alunos e eles jamais a esquecerão. Quem me dera que acontecesse um “deslize” desses a cada palavra que eu ensinasse…

(zailda mendes)

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