Reitor vai pedir afastamento de professor que ironizou QI dos baianos

A reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) confirmou nesta quinta-feira (1) que vai pedir o afastamento do coordenador do curso de Medicina da instituição, o professor Antônio Natalino Dantas

O motivo é a declaração feita pelo coordenador nesta quarta-feira à imprensa nacional. Ele disse que o resultado negativo do curso no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) foi causado por deficiências de inteligência dos alunos baianos. Para ele, a nota 2 obtida na avaliação refletiria a inferioridade dos baianos e a política de cotas que estaria incluindo pessoas com baixo Quociente de Inteligência (QI) na universidade.

Em entrevista à Agência Brasil, o reitor da UFBA classificou as declarações do coordenador como lamentáveis e frontalmente opostas a políticas afirmativas da instituição.

Foram declarações extremamente infelizes. Além de não terem substância, têm problemas éticos sérios, são insensíveis em termos culturais e de uma ignorância antropológica imensa. Ele chegou a apontar o berimbau, um dos símbolos da matriz africana na cultura brasileira, como indicativo de deficiência dos baianos em geral. Essas opiniões o desqualificam como coordenador que está gerindo um programa de formação acadêmica com mais de mil alunos sob sua responsabilidade” afirmou.

O reitor explicou que não pode demitir o professor já que ele é funcionário público federal e essa seria uma prerrogativa do presidente da República, nem mesmo exonerá-lo do cargo, pois Dantas foi eleito por seus colegas de colegiado. Por esse motivo o pedido de afastamento foi feito à coordenação da Faculdade de Medicina.

Fiz um requerimento coordenação da Faculdade de Medicina para afastá-lo da função de coordenador do curso e, se for o caso, a própria faculdade deverá abrir um processo administrativo disciplinar para avaliar se o conjunto de declarações infringiu algum regulamento do estatuto do servidor público, explicou.

De acordo com o reitor, além de opiniões individuais, as afirmações do coordenador representam posições reacionárias na instituição e na sociedade que resistem a processos de mudança, como o sistema de cotas. Segundo Almeida, um acompanhamento minucioso sobre as cotas na instituição comprova que os alunos admitidos pelo sistema de reserva de vagas têm desempenho pelo menos igual aos que ingressaram pela seleção geral.

Em nota divulgada na noite de hoje (30), a UFBA aponta que a hipótese mais provável para justificar o baixo desempenho dos alunos [no Enade] seria um possível boicote do movimento estudantil ao processo avaliativo, já que todos os cursos da instituição submetidos ao exame tiveram desempenho satisfatório, exceto aqueles cujo diretório acadêmico assumiu posição contrária à prova.

Ontem (29), o Ministério da Educação (MEC) anunciou a lista de 17 cursos de Medicina que serão supervisionados por causa de baixos conceitos obtidos no Enade, entre eles o da UFBA.

Meu comentário

Ontem vi no noticiário de TV que os baianos estão irados com as declarações do professor, alegando em defesa dos baianos o antigo dito popular “baiano burro nasce morto”. Sou filha e neta de baianos e sei que muitas cabeças pensantes e brilhantes desse país são originárias da Bahia e jamais ousaria supor que há diferenças de QI de acordo com a região em que se vive. Uma afirmação assim carece de fundamento lógico e científico, portanto as declarações do professor são no mínimo levianas e indelicadas para com o povo da Bahia.

Alguns alunos afirmaram que ele ironizava e ridicularizava alunos que não obtinham bons resultados em sua matéria, o que considero uma pobreza de espírito que não condiz com a profissão de professor. Usar de sua “superioridade” tanto em hierárquica quanto (pretensamente) cognitiva para diminuir e humilhar alunos é um comportamento que vai de encontro a tudo o que a moderna pedagogia prega.

Pessoas como ele, que gostam de chocar e causar polêmica com ditos irônicos e mesmo ofensivos deveriam atuar em outras áreas, uma vez que o ensino pressupõe respeito e consideração para com a individualidade e necessidades do aluno, e ademais suporte para que o mesmo desenvolva sua auto-estima e assim obtenha melhores resultados.

Professores que preferem a auto-afirmação através do ataque aos alunos – e ao povo de forma geral – devem manter-se afastados dessa área, porque não são compatíveis com o perfil exigido para ensinar.

(zailda mendes)

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