Métodos de ensino

Cada pessoa ao ensinar usa o método que mais se aproxima daquilo em que ela acredita em matéria de ensino. Outro dia sofri uma crítica de uma aluna, que dizia que o professor anterior dava muitas explicações e exemplos e só parava de explicar quando todos já haviam entendido.

Eu disse a ela que ele usa a forma na qual ele acredita e que eu tenho outra forma de encarar a relação ensino / aprendizado.

Não vejo essa relação como uma rua de mão única onde o professor faz todo o trabalho e o aluno fica na posição de receptor passivo. Nunca dou o peixe, prefiro dar a vara e a linha e ensinar o aluno a pescar.

Se, por exemplo, vou ensinar “azul”, acho que de nada adianta discorrer sobre cores primárias e secundárias, arco-íris ou o que o valha, se ele não sabe do que estou falando isso só vai gerar confusão. Citando dezenas de exemplos creio que os estou acostumando a ficarem passivos até que a luz se faça em suas cabeças. Ou eu me cansar de tanto explicar.

Simplesmente digo que azul é uma cor (conceito que já conhecem) e que isso (demonstro) é azul. Depois faço perguntas como “isso é azul ou vermelho?”. Como já conhecem vermelho, sabem que só pode ser azul. O próximo passo é tentar ligar a algo que já conhecem. Como o filme “Edith Piaf” está em voga, posso perguntar a cor do olhos dela. Se ele já sabe, dirá que são azuis, se não sabe (como SABE que estou explicando azul) deduz que os olhos dela são azuis e adquire também esse conhecimento, ou seja, que “aquela” cor é azul e que a Edith tinha olhos azuis.

Depois pergunto de que cor é a frente da escola (azul), as carteiras da escola (azuis) e assim ele vai descobrindo perto de si a cor que está aprendendo e ao final eles já está apontando outras coisas à sua volta que também são azuis.

Lembrando que ensino inglês, enquanto assimila o novo conceito o aluno também ouve e fala várias vezes a palavra nova, acostumando-se também ao som dela e ajustando sua pronúncia.

Tento, dessa forma, aproximar ao máximo o conceito novo da realidade do aluno, ao mesmo tempo em que tento “lincar” o conhecimento novo a outras noções que ele já tenha aprendido.

O único inconveniente é que aqueles alunos que não estão acostumados ao aprendizado interativo, a serem solicitados a participarem de forma ativa de seu próprio aprendizado e a “descobrirem” respostas mais que recebê-las de mão beijada, costumam rebelar-se contra esse método.

Claro, o outro é mais cômodo e não é necessário pensar muito, da forma que apresento a matéria nova eles têm que participar, responder, perguntar, deduzir, raciocinar. Mas não abro mão dessa forma de ensinar porque estou convencida de que todo conhecimento adquirido dessa forma dificilmente é esquecido e o conceito novo é rapidamente incorporado à bagagem intelectual do aluno.

Críticas sempre ouvirei e é óbvio que nem todos se adaptam a esse tipo de apresentação da matéria, mas pelo menos até agora os resultados no geral têm sido mais que satisfatórios e continuo procurando formas de ampliá-la e torná-la cada vez mais leve e próxima da vida de cada um.

(zailda mendes)

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