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A disposição das carteiras na sala de aula

Eu sei que esse assunto é complicado porque nem sempre há lugar na sala para os alunos que temos, então falar da disposição das carteiras pode parecer uma utopia. A disposição tradicional (em fileiras) pode ser a que abriga o maior número de carteiras na sala e portanto a mais prática, mas não é a mais eficiente do ponto-de-vista didático.

Trabalho há anos (desde 98) com as carteiras em círculo e essa é a melhor disposição em minha opinião. Se não há lugar para todos os alunos em um grande círculo, por que não um círculo maior com outro menor no centro deste?

Claro que esse “círculo” seria aberto na parte da frente da sala, dando passagem para o professor. Dessa forma o professor, à medida em que explica, passeia por entre os alunos, e pode dar sua aula alternando-se entre o quadro (ou a frente da sala, onde pode haver também um aparelho de DVD) e o centro do(s) círculo(s).

As vantagens são inúmeras porque o professor (mesmo que haja dois círculos, um dentro do outro) tem um contato visual direto com todos os alunos durante a aula e pode – pela expressão de seus olhos – perceber o quanto cada aluno está entendendo de sua aula.

Aula participativa

Para conseguir uma aula mais participativa a formação em círculo facilita muito, porque o professor pode interagir com todos os alunos e não apenas com aqueles que estão na frente da sala. A formação em fileiras privilegia os alunos que se sentam mais à frente e deixa os alunos do “fundão” livres para dedicarem-se a outras atividades, nem sempre relacionadas ao assunto da aula.

O aluno que senta-se ao fundo da classe também tem problemas para ver (há toda uma fileira de cabeças movimentando-se à sua frente) e o quadro nem sempre é visto com a precisão necessária para ler ou entender o que nele está escrito. Seu entendimento também fica prejudicado porque não consegue ouvir direito, muitas vezes a voz do professor chega até ele abafada ou misturada a outros ruídos da sala de aula ou do exterior.

Todas essas dificuldades transformam-se em estímulos negativos para os alunos que se sentam nas últimas carteiras de cada fileira, de forma que a formação em círculo (ou círculos) me parece mais “democrática”, pois todos são expostos aos estímulos com a mesma intensidade e – como o professor tem um contato visual por igual com todos os alunos – esse estímulo pode ser reforçado nos alunos que apresentam tendência a “ausentar-se” em espírito.

Mais conversas paralelas

Os professores que não gostam dessa disposição geralmente apontam como uma desvantagem dessa forma de disposição o aumento das famosas e incômodas “conversas paralelas”, mas a meu ver elas podem ser facilmente erradicadas com medidas como: mudança de alunos de lugar, colocando os “gêmeos siameses” em carteiras afastadas; conduzir a aula com perguntas diretas, que são formuladas e depois um aluno é apontado para responder (essas perguntas nada mais são que uma “construção” do aprendizado, partindo-se do conhecimento anterior do aluno para introduzir a matéria nova); apresentação de aulas dinâmicas, nas quais o aluno passe de mero expectador a parte atuante na construção do aprendizado; introdução de técnicas diferenciadas, jogos, disputas, trabalhos em pares e grupos, que despertem o interesse e a curiosidade dos alunos.

O aluno se distrai com conversas paralelas sempre que o assunto da aula torna-se pouco interessante para ele. Infelizmente nem sempre o que temos que passar é algo estimulante e inovador, mas podemos dar-lhe uma “roupagem” interessante e estimulante. Não há nenhuma regra dizendo que a aula “precisa” ser chata, nós é que a tornamos assim na medida em que a transformamos em longas e monótonas preleções sobre algo que dominamos perfeitamente mas que para os alunos não passa de um blá-blá-blá interminável sobre algo que ele não entende a razão de ser.

Mudar as carteiras de lugar não irá assegurar que seus alunos aprenderão mais ou que conversarão menos, mas regras (poucas e claras), formas interessantes de introduzir os tópicos, participação de todos, desafios e jogos tornarão com certeza essa disposição um aliado no aprendizado e na manutenção da disciplina.

Leia também: Métodos de Ensino


Jogos em sala de aula

Jogando os alunos irão aprender pensando que estão "matando aula"

Jogando os alunos irão aprender pensando que estão "matando aula"

Sou professora de inglês e espanhol e costumo usar vários recursos para ajudar os alunos a praticar e usar o que aprenderam, e os jogos são sem dúvida os preferidos das crianças e pré-adolescentes. Não que os alunos mais velhos também não gostem de jogos, eles costumam sentir-se mais à vontade com outras atividades, mas nem por isso os jogos precisam ser deixados de lado. Adaptados à faixa etária dos alunos irão sempre agradar.

Aqueles minutinhos finais da aula, em que parece que ninguém aguenta mais ficar ali ouvindo blá-blá-blá, podem ser bem aproveitados com um jogo interessante e que faça com que seus alunos sacudam de vez o marasmo e a preguiça, o cansaço de uma aula inteira, esqueçam que acham que escola é um troço chato e participem com entusiasmo.

DOMINÓ

Como dou aulas de inglês e espanhol, meus jogos são voltados para o aprendizado de vocabulário e gramática. Um jogo sempre apreciado é o dominó, que para praticar vocabulário é uma dádiva. Você nem precisa respeitar o número de pedras, faça no word com caixas de texto coloridas, use a palavra escrita e a figura para combinar. Se são muitas palavras você terá que fazer muitas peças, então o melhor é fazer com poucas de cada vez, a cada quinze dias você vem com um jogo novo e peças novas, trabalhando outras palavras.

Para dar certo o jogo, imagine que se você quiser trabalhar com sete palavras, cada uma terá que entrar 14 vezes nas peças, 7 em forma escrita e 7 em forma de figura, então reduza o jogo às palavras mais difíceis de serem lembradas, ou deixe para uma lição com muito vocabulário. Depois de preparar as peças no word, imprima numa folha mais grossa (tipo filipaper), depois passe contact e por último corte as peças.

As peças podem ser maiores do que um dominó maior, é até bom que assim seja porque assim seus alunos não terão dificuldades de visualizá-las.

JOGO DA MEMÓRIA

No caso de ter muito vocabulário para fixar ou revisar (antes de uma prova, por exemplo), ou mesmo depois de uma lição com muito vocabulário, você pode prepara um jogo da memória. Bem parecido com o dominó, a diferença é que cada peça tem apenas uma figura ou palavra escrita. Eu coloco cada palavra duas vezes, uma em figura e outra escrita e os alunos vão virando as peças e têm que encontrar o par. Quando encontram ficam com o par e jogam de novo até errar, quando erram viram a peça de novo e o aluno seguinte joga.

JOGOS DE TABULEIRO (BOARD GAMES)

Para gramática ou compreensão de texto não existe coisa melhor. Eles leem o texto e depois em vez de responderem por escrito às perguntas, você prepara um board game e eles vão jogando o dado e respondendo à pergunta correspondente à casa na qual caíram. Você pode preparar um board game “temático” para cada atividade, já com as perguntas nas casas ou pode ter um board game numerado e imprimir as perguntas à parte em cartões ou numa folha que você vai lendo.

Se você tem muitos alunos seria interessante fazer um board game temático já com as perguntas, imprimir 3 ou 4 cópias, dividir os alunos em grupos e entregar um tabuleiro e um dado a cada grupo. O tabuleiro já com as perguntas dá mais independência aos alunos e você só vai supervisionar. Inclusive para cada grupo pode nomear um “juiz”, que ficará com a folha de respostas para ir definindo quem acertou e marcando os pontos dos jogadores. No final o ganhador de cada grupo pode disputar uma “negra” ou então você pode guardar 2 ou 3 perguntas mais difíceis e ganha quem acertar mais.

BARALHO

Quem foi que disse que baralho só está associado a vício? Também pode ajudar a aprender. Eu fiz um template com todas as cartas do baralho, quando tenho que fazer uma revisão Coloco as perguntas correspondentes à cada carta do baralho e imprimo. Boto um baralho na mesa e os alunos vão tirando as cartas e respondendo as perguntas correspondentes à carta que tiraram. Se acertarem, ficam com a carta, se errarem põem de volta no monte. No final conto quantos pontos cada um tem e ganha quem fizer mais pontos. As cartas têm valores diferenciados, como no buraco: figuras 1 ponto, azes 1,5 e as demais 0,5.

MAIS JOGOS?

Bem, são muitos jogos, o importante é que a competição estimula e os alunos nem percebem que estão estudando, é até possível que algum pai de aluno vá reclamar com o diretor que você não dá aula, só fica brincando. Mas com certeza o seu diretor vai entender que você apenas encontrou uma maneira de “enganar” seus alunos, que pensam que estão matando aula quando na verdade estão aprendendo.

Leia também: Jogos e brincadeiras na aula

assinatura coração

Formulário de pedido de dinâmicas

Já disponibilizei o formulário para encomenda de dinâmicas e jogos, está no blog Coelho da Cartola. A partir de agora só vou atender aos pedidos que forem encaminhados através desse formulário. O formulário está no rodapé do blog, logo depois do “Formulário para professores”, que seria bom preencher também, assim tenho mais dados sobre o professor para entender exatemente o que ele quer. Preencha todos os campos exigidos e me dê o prazo mínimo de uma semana para que fique pronto.

Preencha nome e endereço de email corretamente no formulário porque eu avisarei por email quando a dinâmica ou jogo ficarem prontos. Todos os pedidos serão publicados no blog “Coelho da Cartola”, com os links para fazer downloads, se for o caso.

Zailda Coirano

Leia também: Crie jogos de tabuleiro para praticar sua matéria

Pedidos de dinâmicas

brincadeiras

Todos os dias recebo vários comentários pedindo dinâmicas – para ontem. Infelizmente a maioria não posso atender por vários motivos. O primeiro deles é a falta de mais informações. Eu sou professora de idiomas (inglês e espanhol) e até tenho conhecimento das matérias da escola porque para chegar a ser professora frequentei a escola e se não era uma aluna exemplar, pelo menos aprendi a maior parte do que me ensinaram. Mas não sei tudo de tudo, preciso sempre saber o que o professor está ensinando e que matéria pretende trabalhar.

Em segundo lugar vem o fator tempo: tendo os elementos em mãos, sabendo exatamente a matéria que o professor quer trabalhar, preciso de algum tempo para elaborar a brincadeira, jogo ou outra dinâmica que melhor se adeque à situação. Preciso também saber a idade dos alunos, quantos são, quanto tempo o professor pretende gastar com essa atividade, etc. Para que seja uma dinâmica personalizada, preciso de mais informação e algum tempo.

Alguns me escrevem e dizem que precisam para “amanhã de manhã”. Abro meus emails à noite e sinto muito, para amanhã de manhã vou ficar devendo. Alguns pedem dinâmicas mas nem se preocupam em procurar no blog Coelho da Cartola, que é onde posto as dinâmicas, e muitas vezes me pedem coisas que já estão postadas lá. Portanto, antes de pedir uma dinâmica, primeiro consulte o Coelho da Cartola e depois deixe seu recado. Vou colocar um formulário lá, assim todos que quiserem uma dinâmica o preenchem, ele vai diretamente para meu email e eu envio a dinâmica assim que ficar pronta, ok? Isso pode demorar uns 2 ou 3 dias, então não deixe para pedir na véspera. Odeio “dead lines” e não trabalho muito bem sob pressão. Costumo me programar para não deixar nada para o último dia por isso detesto embarcar no apavoramento de quem deixou tudo para a última hora.

Portanto a partir da semana que vem haverá um formulário no blog Coelho da Cartola exclusivamente para o pedido de dinâmicas, ok? Dessa forma terei todos os dados de que preciso e também o email de quem está fazendo o pedido, para que eu possa avisar quando ficar pronta.

Eu sei que muitos dizem “vocês do Questão de Classe”, achando que há uma equipe de professores por trás do blog mas não há. Conto com a ajuda de alguns profissionais aos quais recorro para ajudar na elaboração de certos posts que atingem outras áreas – que não são especificamente a minha – mas apesar de aposentada ainda estou dando aulas porque gosto, tenho 6 turmas para ensinar, corrigir tarefas e provas, 5 filhos, marido, casa… e não há só esse blog. Então se peço um tempo é porque preciso mesmo, porque não quero fazer qualquer coisa, quero fazer algo individualizado e que realmente vá atingir o objetivo a ser alcançado.

Conto com a compreensão de todos.

Um abraço

Zailda Coirano

Leia também: Dinãmicas e jogos para História e Geografia

Não entendeu? Azar o seu!

Não existe o ensino sem o aprendizado

Não existe o ensino sem o aprendizado

Quando comecei a dar aulas eu tinha uma visão do ensino diferente da que tenho hoje. Eu me esforçava para preparar uma boa aula, mas se eu achasse que estava boa, não importava o que os alunos pensassem. Se alguns deles não entendiam eu creditava isso a alguma deficiência do aluno ou a conversas paralelas que desviavam a atenção.

Aluno que não fazia tarefa era porque era preguiçoso e isso não era problema meu. Se não tinham interesse em aprender eu os taxava mentalmente de “futuros fracassados” e seguia ensinando, focando minha atenção nos alunos que não tinham dificuldades, não eram preguiçosos, estavam interessados e faziam as atividades em dia.

Com o tempo percebi que alguma coisa estava errada porque eu dava aula cada vez para menos alunos, os outros eu ia ignorando com o passar dos meses.

Hoje eu encaro a educação como uma coisa bem diferente. O ensino está diretamente ligado ao aprendizado, para que exista ensino é necessário que ocorra o aprendizado. Só considero minha missão cumprida quando os alunos já entenderam, praticaram, participaram e executaram todas as atividades sugeridas.

Isso significa que eu já não vejo o ensino do ponto-de-vista do professor, agora eu o encaro do ponto-de-vista do aluno. Quando vou preparar uma aula penso nos alunos que vou ensinar.

“O que a Mariazinha vai pensar disso?”

“O Pedrinho saberá como executar isso?”

“O Joãozinho, que gosta tanto de música, como vai se interessar por isso?”

Essas e outras perguntas eu me faço quando preparo o material para apresentar para eles e já me tornei uma “expert” em inserir música numa aula sobre países e capitais (criando um jogo de cantores ou bandas para eles identificarem de onde são, que idioma falam, qual a capital de seu país, etc). Uso filmes de que gostam para demonstrar vocabulário, dinâmicas para colocar em prática as apresentações formais, trago textos mais “leves” quando o assunto é complicado e exige um trabalho prévio.

Agora estou pensando em como inserir “fashion”  em algumas aulas e é claro que a aula sobre “clothes” vai ter um outro enfoque. Estou pensando em organizar um mini-desfile de moda no qual a cada rodada um aluno descreva as roupas. E é claro que haverá muitas roupas para trocar, não é?

Estou me especializando na arte de “enganar” meus alunos, eles não sabem que estão estudando. Eu finjo que brinco enquanto ensino e eles pensam que me enganam mas aprendem. E aprendem bem, tomam gosto pela coisa. Começaram agora com a mania de entregar tarefa em dia, de me ligar ou mandar email para esclarecer dúvidas, de ir bem na prova e de estudar por conta própria.

E eu, claro, fazendo de tudo para dourar a pílula da melhor forma possível e quando o remédio for amargo, dando com uma taça de sorvete.

Acho que agora eu estou envolvida com meus alunos, eles sentem isso e portanto também se envolvem com a aula e com o aprendizado. Agora formamos um time, os alunos e eu, e nosso objetivo é o mesmo. Assim ficou muito mais fácil e tanto eu quanto eles não encaramos mais a escola como fonte de chateação ou trabalho. Se nos chateamos às vezes com alguma coisa menos digerível, sabemos que logo a seguir virá algo mais agradável.

Surpreenda seus alunos, não deixe que eles saibam de antemão o que vai acontecer. Desperte a curiosidade deles antes de jogar tudo de uma vez como se o ensino fosse uma rua de mão única. Não é. De um lado há o ensino, do outro o aprendizado, e o fluxo só se dará se ambas as mãos desse caminho estiverem desobstruídas e funcionando normalmente, em harmonia uma com a outra.

Leia também: Seria o professor uma ilha?

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