Cyberbullying: como acontece e como evitar

cyberbullyingMuito se tem discutido sobre o bullying e uma nova modalidade começa a ser discutida no Brasil: o cyberbullying. Mas o que é o cyberbullying?

Segundo o professor-doutor Altemir José Gonçalves Barbosa, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), “O ciberbullying é um desdobramento do bullying e tem como característica específica o ambiente virtual.”

Temos ainda poucos dados sobre o bullying no Brasil e as escolas – tanto públicas quanto privadas – não estão preparadas para lidar com o problema. A maioria delas já reconhece os casos de bullying tradicional – que acontece dentro do ambiente escolar – como sua responsabilidade, mas como os casos de cyberbullying ocorrem normalmente fora desse ambiente, tendem a considerá-los fora de sua área de responsabilidade.

Tanto pais quanto a escola são responsáveis e devem lidar com o problema, recorrendo a profissionais que têm o conhecimento necessário para tratar e prevenir sua ocorrência.

Como saber que o bullying está ocorrendo?

Educadores e pais devem estar vigilantes e observar certos sinais, que podem ser o indício de que o bullying possa estar ocorrendo:

- tristeza, dores de cabeça, desânimo.

- recusa para ir à escola.

- queda no desempenho escolar.

- alunos que antes eram dedicados à escola e que começar a causar problemas.

- depressão ou agressividade.

Os pais – tanto quanto os professores – devem estar atentos às mudanças de comportamento e através do diálogo descobrir o que há de errado. A prevenção no caso do cyberbullying dá-se pelo monitoramento (diferente de “vigilância” ou “invasão de privacidade”) do uso da internet. Saber os sites que seu filho frequenta e usa, que tipo de interação tem com os outros membros, a quais comunidades ou grupos pertence – entre outras informações – é muito importante para saber se seu filho sofre ou pratica o bullying.

Quais são as características do bullying e do cyberbullying?

O que diferencia o bullying de uma agressão isolada são alguns fatores:

- ocorre principalmente no ambiente escolar ou no trajeto para a escola.

- atinge estudantes de todas as faixas etárias, do jardim de infância à universidade.

- é uma agressão constante, que se repete contra o mesmo indivíduo diversas vezes.

- é uma agressão intencional.

- é uma questão de poder onde o mais “forte” prevalece sobre o mais “fraco”. Essa força ou “poder” pode ser social, moral, intelectual, não necessáriamente envolvendo a “força física”.

No caso do cyberbullying essa agressão ocorre na internet, normalmente nas redes sociais e a força física não tem tanta importância já que a agressão física não acontece. Quem tem mais “poder” é quem domina melhor as novas tecnologias.

O que causa o bullying?

Tanto nos casos do bullying clássico quanto nos de cyberbullying, o agressor geralmente é uma pessoa que não consegue lidar de forma satisfatória com suas frustrações e limitações, e que portanto recorre ao bullying como uma forma de “compensação”.

Não se sabe ainda ao certo se todo agressor já foi uma vítima ou se o fato de ter sofrido bullying aumenta as chances de tornar-se também um agressor. Sabe-se que pais violentos ou omissos podem favorecer as condutas agressivas que podem resultar em bullying.

De qualquer forma tanto agressor quanto vítima têm problemas e precisam de orientação ou tratamento psicológico, de acordo com a extensão ou gravidade dos problemas detectados.

Quais são as consequências do bullying?

Os estudos e discussões sobre o bullying – especificamente no Brasil – são ainda recentes e muitas escolas ainda se recusam a admitir sua existência, portanto não se têm ainda dados concretos e confiáveis sobre o assunto, mas o atentado em Realengo e vários outros desfechos trágicos envolvendo alunos que foram vítimas de bullying em outros países apontam para problemas graves tanto sociais quanto comportamentais.

Cada ser humano reage de uma maneira e lida de forma diferente com problemas e frustrações. Interagindo com fatores agravantes, tais como: personalidade introspectiva, timidez excessiva, dificuldade de estabelecer relacionamentos, problemas com auto-estima, distúrbios emocionais e mesmo doenças mentais, o bullying pode causar danos profundos que podem estender-se até a idade adulta, e pode estar ligado a estados de ansiedade e depressão, segundo conclui um estudo da Universidade de Flórida, divulgado em sua recente publicação “Psychology in the Schools”.

Cyberbullying

No caso específico do cyberbullying, encontram-se todas as características do bullying, embora “constância e repetição” possam não estar presentes. Acontecendo no ambiente da internet, em redes como MSN, Orkut e Facebook, o bullying pode consistir na divulgação de um vídeo uma única vez, mas esse fato isolado poderá tornar-se perene, ou ser multiplicado por 100, 1.000 ou milhões de cópias na internet, e mesmo trantando-se de um caso isolado seus efeitos podem ser mais devastadores que o bullying praticado fora do mundo virtual.

As atividades de crianças e adolescentes na internet devem sempre ser monitoradas pelos pais. Não adianta dar sermões sobre os perigos da internet e rezar para que o adolescente os siga, pois nem sempre percebem as armadilhas e perigos aos quais estão expostos.

Se o filho passa muito tempo no Orkut, por exemplo, é interessante que os pais criem também um perfil e que interajam com os filhos online, vejam com quem está conversando, links que recebe ou envia, tipo de amigos ou comunidades encontradas em seu perfil.

Naturalmente tudo isso deve ser feito de forma a demonstrar apenas interesse dos pais nas atividades dos filhos, o que é bem diferente de invasão de privacidade, agressões ou castigos.

Colocar-se sempre na posição de ouvir e ajudar e não recriminar e punir, é um comportamento que abre caminho para o diálogo e torna os pais uma opção viável para que os filhos recorram quando tiverem algum problema.

Leis sobre bullying

O Brasil não tem uma lei federal sobre o combate ao bullying. Um projeto de lei propõe que as ações de combate ao bullying sejam detalhadas na Lei de Direitrizes e Bases da Educação. (Globo)

Em Santa Catarina uma lei sancionada em 2009 obriga escolas a criar uma equipe multidisciplinar, com a participação de docentes, alunos, pais e voluntários, para a promoção de atividades didáticas, informativas, de orientação e prevenção.

Na cidade de São Paulo uma lei determina que as escolas públicas do município deverão incluir em seu projeto pedagógico medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying escolar.

Em Belo Horizonte um estudante foi condenado a pagar indenização de 8 mil reais a uma colega vítima de bullying.

Há projetos de leis estaduais e municipais mas por enquanto ainda são insuficientes para se dizer que há uma diretriz no que diz respeito ao problema.

As ações visam prevenir e conscientizar, responsabilizando a escola e o grupo pela detecção e prevenção dos ataques.

Sabe-se também que os pais precisam engajar-se nessa luta contra o bullying, porque tanto os pais de agressores quanto das vítimas devem sentir-se responsáveis pelo problema, sua solução e prevenção.

Leia também:

Quem são os culpados num caso de bullying?

Como prevenir o bullying? 

Material Didático: Apostilas de inglês

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