Para que servem as regras?

Praticamente qualquer coisa que envolva a participação de 2 ou mais pessoas implica em regras. O casamento impõe regras, no seu ambiente de trabalho há regras, para exercer sua cidadania há regras a seguir da mesma forma. As regras existem para organizar e garantir que todos tenham as mesmas oportunidades e o mesmo tratamento.

Modero alguns grupos de professores e alunos e eles se tornariam uma grande bagunça que não atenderia às expectativas de ninguém sem regras. Na escola, como lidamos com pessoas de várias faixas etárias, diferente educação e formas de criação, elas são mais que nunca necessárias.

Temos pouco tempo para passar bastante conteúdo, então todos os elementos do grupo precisam saber que papel se espera deles para que todo o grupo funcione. O professor passa informação e orienta, mas precisa também que os outros elementos façam seu papel, ou sua tarefa não será bem sucedida.

Todos dentro da escola têm regras a seguir e os alunos não são diferentes sob esse aspecto. A despeito da aversão que os alunos têm das regras, eles precisam entender que elas não existem apenas para beneficiá-los, mas também para proteger seus interesses e sua integridade.

Para que as regras da sala de aula sejam cumpridas elas precisam ser entendidas, têm que ser poucas e claras. Quanto mais regras você impuser, maior a chance de não serem respeitadas. Quanto menos entenderem as regras, maior a chance de seus alunos as infringirem.

As regras não podem cobrir apenas os deveres, precisam contemplar também os direitos e prever algumas compensações além de castigos. Regras que apenas restringem e punem são odiadas e burladas sempre que possível.

Elas também não podem ser impostas, mesmo as mais necessárias precisam de alguma colaboração dos alunos, alguma negociação para que eles as vejam não só como “fruto dos caprichos do professor” como também resultado do um consenso.

Você pode, por exemplo, dizer que há a necessidade de estabelecer um prazo para a entrega da lição de casa após terminar cada lição. Pode explicar aos alunos que um prazo muito curto poderá não ser suficiente para que todos façam e que um prazo muito longo pode fazer com que alguns alunos tenham dificuldade, porque é a lição de casa que faz com que o aluno fixe o que aprendeu. Alguns podem também confundir o tópico da lição de casa com o que estão já aprendendo (se o prazo for muito longo). Então pode dizer que o prazo pode ser entre 3 e 10 dias, e pedir que resolvam ou que votem no prazo que seria melhor.

Outras regras podem ser apresentadas dessa forma, e dessa maneira os alunos também se sentirão seus “autores” e a chance de respeitarem algo que eles mesmos produziram será bem maior do que se fosse algo simplesmente imposto e cujo objetivo eles não entendessem claramente.

Alguns professores gostam de – na primeira semana de aula – dividir a classe em grupos para que elaborem as regras da classe que valerão para aquele ano ou semestre. Esses professores dão áreas (atrasos, faltas não justificadas, entrega de lição de casa, participação durante a aula, etc.) e podem ser criadas as regras por todos os grupos, ou cada grupo cria sobre uma área específica e depois os outros alunos vão sugerindo mudanças, chegando-se assim a um consenso.

Naturalmente que todo esse trabalho deve ser orientado pelo professor e caso eles tenham propostas muito distantes da realidade da classe o professor poderá mostrar a eles os prós e contras de cada uma (como foi feito acima com a lição de casa).

Explicar a eles os objetivos de cada tipo de regra também é fundamental para que percebam o que precisam reduzir ou coibir, o que devem permitir ou incentivar. Depois de decididas as regras (com a intervenção e orientação do professor), podem fazer cartazes com as regras que permanecerão todo o semestre no quadro de avisos ou até que todos estiverem cientes de todas elas.

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