O aluno feliz

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Para o aluno feliz tudo o que você ensinar será novidade, não importa se você já falou alguma coisa “milhões” de vezes, na milionésima primeira vez que você falar será sempre a primeira. Para ele não existe aula chata já que tudo é novo, mesmo se você se enganar e em vez de dar a lição que daria hoje der a que já deu o mês passado. Ele é feliz até por antecipação, porque já sabe que tudo o que está ouvindo não ocupará o mínimo espaço em seu “disco rígido”, já que irá diretamente para a lixeira. Ele é o famoso “entra por um ouvido e sai pelo outro”.

Por quê alguns alunos não aprendem?

Quando ensinamos tomamos por base a maioria, a média da classe. Fatalmente excluímos os que estão acima ou abaixo dessa média, que são aqueles alunos que mais sairão prejudicados. O que está acima da média terá que aturar aulas chatas e repetitivas e mofará de tédio esperando que todos os outros terminem o que ele até já esqueceu que fez. Normalmente é ignorado pelo professor, que “não se preocupa” com ele. Talvez sinta necessidade de chamar a atenção ou espantar o tédio e aí pode começar a apresentar problemas de disciplina.

O que está abaixo da média pode sentir vergonha de perguntar, ou então estará tão perdido que nem sabe o que perguntar. E quando digo “abaixo da média” não me refiro ao fator “inteligência” e sim “ritmo de aprendizado”.

O que é ritmo de aprendizado?

Cada um tem seu ritmo e sua forma de aprender. Os alunos que normalmente são apontados como “acima da média” têm um “atalho” no cérebro, o que escutam é rapidamente decodificado e armazenado, então conseguem colocar em prática imediatamente. Mas hoje em dia temos muitos alunos “visuais”, que aprendem quando “veem” a coisa. Ou quando a veem sendo executada. Imagine que não sabe amarrar os sapatos, que método seria menos complicado: alguém lhe ensinar na teoria o que deve fazer ou ver alguém fazendo?

Ver alguém fazendo resolve?

Ver alguém fazendo – me dirá você. Claro, mas será que só de ver alguém fazendo você poderia dizer: “Muito bem, já entendi e daqui pra frente já posso amarrar meu sapato eu mesmo?” Claro que não, para que realmente aprenda o aluno precisa praticar. E se você sair perguntando por aí quanto tempo levou para cada pessoa aprender a amarrar os sapatos verá uma diversidade tão grande que será difícil equacionar tudo isso e generalizar. Da mesma forma não podemos generalizar nossos alunos, cada um deles tem um ritmo de aprendizado e uma necessidade diferente de prática antes do aprendizado se consolidar.

O que fazemos então?

Antes de mais nada precisamos conhecer nossos alunos, pois só assim poderemos entender o processo de aprendizado de cada um. Dar um ensino personalizado a cada um deles me parece a forma mais correta, uma vez que o ensino levando-se em conta que “são todos iguais” não funciona. Levar uma atividade diferente para o Joãozinho que sempre acaba primeiro para evitar que se chateie e comece então a chatear os outros; uma lição de casa extra para o Luisinho que precisa de mais prática para aprender; um mapa ou figura para a Mariazinha que é essencialmente visual em seu aprendizado; tecer exemplos para Teresinha e Jorginho que têm imaginação fértil; sempre que possível combinar diferentes atividades que contemplem todos os alunos que você tem.

Como os dedos da mão

Nossos dedos são todos diferentes e assim são nossos alunos, como todos os seres humanos. Levar em conta as diferenças na hora de ensinar irá proporcionar a todos um aprendizado eficiente e todos irão interessar-se pelas aulas. Aluno feliz sim, mas não por sua perpétua ignorância. Feliz porque sabe que aprendeu.

assinatura coração

Leia também: A lição de casa não precisa ser monótona e repetitiva

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2 Respostas

  1. Zailda, você sempre tão sábia!

    Conseguiu descrever muito bem um aluno feliz e, as diferentes formas de trabalhar com os nossos alunos para que todos sejam felizes, independente da capacidade de assimilação do assunto de cada um.

    Parabéns!
    Continuo sua fã.

    1. Betzabe, estava sentindo sua falta. Obrigada por tudo, tambm sou sua f de carteirinha. Zailda Coirano

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