Direitos e deveres de crianças e adolescentes

A família tem que participar da vida escolar da criança.

A família tem que participar da vida escolar da criança.

A escola onde trabalho promoveu hoje à noite uma palestra com uma psicóloga com o tema “Direitos e deveres das crianças e adolescentes”, com enfoque especial na vida escolar e orientação para uma vida futura. Achei a palestra muito proveitosa, voltei cheia de idéias e o que ouvi me conduziu à reflexão. Embora fosse dirigida aos pais, nós educadores também temos uma parcela de responsabilidade na formação da futura geração e quanto mais sintonizados estivermos com a família, melhores resultados obteremos junto aos nossos alunos.

É interessante observar (observo porque sou de uma outra geração de pais) que hoje em dia os pais tendem principalmente para dois caminhos: há os que só cobram os deveres e os que só se esmeram em satisfazer os direitos dos filhos. Claro que isso é uma generalização, apenas uma tendência como já citei acima, mas percebo que há pais que encontram sempre desculpas para o comportamento insatisfatório de seu filho, ou encontram rapidamente alguém em quem botar a culpa.

Tivemos há poucos dias as provas de midterm e é o de sempre: assim que saíram as notas choveram telefonemas de pais cujos filhos não atingiram a média, o destino era a mesa da diretora e a queixa tinha sempre o mesmo alvo: os professores. Engraçado que as aulas já começaram na segunda semana de fevereiro e só agora os pais “acordaram” e começaram a achar montes de defeitos nos professores de seus filhos. Até duas semanas atrás, nada a declarar; a partir da divulgação das notas, tudo a reclamar. E o mais curioso é que não apareceu nenhum pai queixoso entre aqueles cujos filhos tiveram boas notas, o que felizmente são a grande maioria.

Será que só eu percebo o ridículo dessa atitude? Será que em nenhum momento o pai se lembrou de que a educação é um tripé e que igualmente são responsáveis o aluno, o professor e seus pais? Será que esses pais se lembraram de verificar diariamente se os filhos estudavam e faziam o dever de casa? Será que foram pais presentes que perguntavam “como andam as coisas na escola” ou só agora que o circo pegou fogo sentiram a necesidade de achar alguém para botar a culpa?

Antes de ligar na escola do filho e crucificar um profissional sem base nenhuma além da desculpa esfarrapada do filho que provavelmente não estudou e inventou um monte de histórias (que nunca tinha contado antes, ou o pai com certeza já teria ligado antes na escola para reclamar) para salvar a própria pele? E como explicar que numa classe com 20 alunos só 2 não conseguiram a nota? Será que os outros 18 alunos tinham então um outro professor? E será que os pais dos 18 alunos que se saíram bem também vão achar que a responsabilidade pelo sucesso do filho é do professor e vão ligar na escola para parabenizá-lo?

Será que é esse o exemplo que esses pais que nem se deram ao trabalho de procurar o professor uma vez sequer para saber do desempenho do filho, e alguns que nem se dignaram a comparecer à reunião de pais? Quando a coisa vai bem, eu sou o bom; quando a coisa vai mail, encontre alguém para botar a culpa?

Quando a coisa vai mal é hora de ver o que está errado e tentar consertar. Essa é uma excelente oportunidade para um exame de consciência e para sintonizar sua vida com a vida de seu filho. Eu até já disse a meus alunos que olhar para minha cara não faz ninguém falar inglês e se eu tivesse esse poder todo, certamente cobraria muito mais pela hora-aula. O que faz aprender inglês é o estudo, o interesse e a prática. Com duas horas e meia por semana de contato comigo essa prática tem que ser feita em casa (com supervisão dos pais, que devem estabelecer um horário de estudos para os filhos, pois não é?) e se isso não está sendo feito, a culpa não é minha e arrisco a dizer que nem é do aluno, já que toda criança quer fazer o que dá prazer e nem todas sentem prazer em estudar.

Talvez quando os pais liguem para a escola nem estejam tentando jogar a parcela de culpa do aluno que não estudou nas costas do professor, talvez estejam tentando jogar para ele a batata quente da culpa de quem sabe que trabalhou horas e horas durante o dia e que quando chegou em casa não teve tempo ou disposição para saber do filho se fez o dever de casa no horário estabelecido.

Quantos pais sabem o nome do professor de seus filhos? Alguns não sabem nem em que série escolar ou em que classe eles estudam. Essa é a grande verdade. E quando matriculam os filhos em cursos de idiomas, natação, violão, judô e pintura estão apenas tentando compensar o fato de que dão muito pouco de seu tempo ao filho. Esperam que toda essa parafernália de cursos e atividades mascare o fato de que não estão de fato cumprindo sua missão de educar.

Muitos desses pais que ligam para se queixar do professor ou do método de ensino da escola têm um sentimento de culpa tão grande por não assistirem adequadamente seus filhos que não conseguem sequer dizer um “não”. Esquecem que o “não” educa, ensina que nessa vida não se pode ter tudo e que nem sempre nossas necessidades ou desejos serão satisfeitos e que teremos que lidar com a frustração pela vida afora.

Aqueles que tentam criar os filhos numa redoma de satisfação total de todos os desejos esquecem que não estarão ali para sempre e que o fato de termos nascido com pai e mãe indica que os pais são os responsáveis por uma educação que possibilite aos filhos uma vida adulta sadia, feliz e que sejam futuros pais bem resolvidos e aptos a discernir entre o certo e o errado, a respeitar os direitos dos outros e que tenham valores morais bem definidos.

Vi a frase hoje e achei muito interessante, se não me engano é do Roosevelt:

“Quem dá educação mas não cultiva os valores morais, na verdade está criando uma ameaça à sociedade.”

Zailda Coirano

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8 Respostas

  1. tica escola trabalhar estudar deveres dsai

  2. Msc. Prof. Adão Costa Silva

    Artigo inteligente!
    Ao meu ver, faltou pontuar, os deveres e direitos dos menores, beneficiários amparados pelo Estatuto da Criança. Poderia, ainda, ter trabalhado a dimensão de que hoje os menores são menores na idade cronológica e jovens na idade psicosocial.

    1. Com todo o respeito, meu enfoque foi apenas na educação porque esse era o tema da palestra, mas já anotei sua sugestão e prometo trabalhar o assunto em futuras postagens.
      Obrigada por comentar e volte sempre
      Zailda Coirano

  3. Nildemar de Assis

    devemos rever direitos e deveres dos jovens e adolecentes, quando vejo alguem dizer que o futuro do Brasil esta nas mãos dos mesmos que vejo diariamente por ai, fico tremendamente chocado e não digam que é casos isolados porque não são. Um jovem com 16 anos tem que ser responsabilizado pelo seus atos como já um adulto, colocar isso na lei, por em pratica e dar suporte aos pais e não jogar toda culpa neles pois um jovem com essa idade independente de autorização ou não eles fazem aquilo que querem e quando querem, melhorar esta vergonha que é o ensino público neste país.

  4. excelente comentario, melhor se fosse exposto na midia em jornais, programas infantis, livros literarios.Acrestando o exposto pelo Prof. Adão Costa Silva, Pontuar mais os deveres dos menores, eu acrescentaria sensibilizá-los a formarem em sí a auto aceitação, e junto a isso a auto educação e respeito por si, pelos seus estudos, e pelos seus educadores, uma vez que é isso o que nao acontece, aluno´só rerconhece direitos, e só direitos, são defendidos mesmo culpados, enquanto isso alguem carrega culpa embora não possua a mesma sozinho.

  5. todos esses comentraios são ridiculos

  6. Adorei o texto super educativo………

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