Publicado por: Zailda Coirano em: 17 17UTC Maio 17UTC 2009
A professora Suzana de Curitiba iniciou uma interessante discussão no grupo Troca de materiais de inglês e no site ESL Printables: como a comunicação dos jovens no msn, orkut e afins afeta a escrita e o aprendizado da linguagem? Você, professor: já encontrou as abreviações que os alunos usam no msn em trabalhos escolares?
Eu tenho uma opinião formada a respeito: na verdade não importa o que pensemos sobre essa forma abreviada de escrever, chamada “miguxês”, pois ela veio para ficar. Estamos assistindo a uma mudança drástica na linguagem escrita, que é seguida pela comunicação oral. Meus alunos quando se encontram dizem apenas: “E aê, belê?” Depois trocam mais meia-dúzia de frases monossilábicas e está feita a comunicação.
Para horror dos educadores essa linguagem hoje é usada pelos jovens e a tendência é que ela se estenda e que permaneça entre nós. Muito dessa linguagem será incorporado ao nosso vocabulário e deverá substituir palavras que usamos hoje.
A linguagem falada ou escrita é apenas uma ferramenta para a comunicação e uma vez que a linguagem oral já foi modificada, a tendência da linguagem escrita é adequar-se para representar os sons da linguagem oral.
Na internet ou no mundo de modo geral o tempo é um fator cada vez mais valorizado e se podemos representar a mesma palavra de duas formas “casa e ksa”, por exemplo, por que usar a forma mais comprida? A tendência de abreviação está presente em todos os vocábulos, e uma vez que se consiga o objetivo da comunicação, trata-se apenas de uma consequência natural da internet e dos computadores, que já tomaram todas as áreas de nossas vidas.
Nos anos 60 os jovens escandalizaram a geração anterior com seus cabelos longos, camisas coloridas e calças de boca-de-sino; nos anos 80 tocavam um rock estridente e cheio de efeitos instrumentais que os mais velhos condenavam e não entendiam; agora é a mudança na linguagem e por mais que os saudosistas e reacionários tentem manter as coisas como estão, as mudanças são irreversíveis e vêm para ficar e substituir o que tínhamos antes como “standard”.
Eu já disse um dia que no futuro o aluno não vai aprender a usar lápis, já será alfabetizado diretamente no teclado de um computador. Meus colegas protestaram, dizendo que eu era visionária, que o lápis sempre seria o instrumento inicial da comunicação escrita. Não sei não. Meu filho mal sabe se virar com uma caneta mas digita dezenas de palavras por segundo, todas abreviadas, miguxês puro. Ele e toda uma geração mal sabem escrever em português, inclusive acham que aqui no Brasil falamos o idioma “brasileiro”. Não estão totalmente errados, devidas às diferenças de vocabulário, entonação e pronúncia (eu mal consigo entender um lusitano falando o que – pretensamente deveria ser – o mesmo idioma que eu).
Infelizmente se não aceitarmos e nos aventurarmos pelo miguxês, a tendência é nos tornarmos estrangeiros em nosso próprio país, incapazes de entender o idioma oficial. Como se dizia nos desenhos animados, se não pode com eles, junte-se a eles.
Axo q ta ae td q eu qria dize. bom findi, xau e bjim pro c!
Zailda Coirano
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