Uma aula mais dinâmica e interessante

Fiz uma vez um curso com um pedadagogo e ao final tínhamos que dar uma aula que era gravada, e depois assistíamos ao vídeo. Foi um pavor. Concluí que se eu fosse minha aluna, iria antipatizar comigo mesma de cara.

Claro que o conhecimento da matéria é importante, bem como todo o seu preparo para ensinar. Mas como tudo na vida, a “roupagem” com que você apresenta tudo isso também é muito importante. Já vi professores sensacionais darem aulas horrorosas, chatas e arrastadas, e em quinze minutos já estavam todos os alunos bocejando.

Se isso já aconteceu com você, talvez seja porque está deixando de lado um dado muito importante, que é a forma com que você apresenta a matéria. O fator exterior ajuda muito, mas também pode botar tudo a perder. Por mais saborosa que seja uma lazanha, ninguém irá querer provar se tiver aparência de lavagem.

Alguns professores se dão ao luxo de ir para o trabalho vestindo andrajos, e é claro que com o salário que ganhamos não dá pra investir muito na aparência, mas pode ter a certeza de que será a primeira coisa avaliada pelo seu aluno. O professor deve se vestir da forma mais neutra e “clean” possível, nada de botons políticos ou camisetas de time. Seu aluno precisa se identificar com você e um aluno roqueiro não vai simpatizar de cara com um professor emo.

A roupa deve ser sobretudo confortável para que você possa se movimentar à vontade para aproximar-se de todos os seus alunos. Não acredito em aulas com um professor estático e de fala monótona. O professor deve transmitir entusiasmo aos alunos, não só na voz como em toda a sua postura.

Por falar em postura, aproveite para ajeitar a sua, fique ereto, de cabeça levantada e quando falar olhe nos olhos dos seus alunos, isso transmite confiança e eles não vão questionar o que você explicar.

Fale com voz clara e varie a entonação porque uma voz monótona dá sono e faz a mente dos alunos divagar por outros assuntos que certamente não têm nada a ver com o que você está falando.

Enquanto explica, aponte alunos e faça perguntas para checar até que ponto eles estão acompanhando o que explica. Isso também os mantém atentos porque a qualquer momento podem ser solicitados. Quanto mais eles participam da aula, mais se sentirão responsáveis pelo aprendizado.

Não dê broncas públicas em alunos que estão conversando, simplesmente escolha-os para as suas perguntas. Em breve eles irão perceber que não é uma boa política conversar durante a sua aula.

Faça gestos e dê exemplos que façam parte da vida de seus alunos. Procure conhecê-los bem para adequar o que ensina à realidade que vivem e aos círculos que freqüentam, assim eles verão um uso prático para o que você ensina e aprenderão com maior facilidade.

Dê e peça exemplos aos seus alunos. Olhando nos olhos deles você perceberá os que já entenderam e poderá solicitá-los para que acrescentem seus pensamentos e reflexões a respeito do tópico em pauta.

Quando terminar um assunto procure fazer com eles algum tipo de atividade que os faça usar o que aprenderam. Dê tarefas criativas, onde eles tenham que acrescentar algo pessoal e não exercícios puramente de repetição.

Se possível, dê uma aula na frente do espelho ou filme-se dando uma aula. Use sua auto-crítica para corrigir o que achar que não está de acordo com o que seus alunos esperam de você.

Não “pare no tempo”, procure sempre novos caminhos para atingir seus objetivos. Leia muito, pesquise na internet, cada aula deve ser uma descoberta e não uma sucessão de chatices intermináveis. Seus alunos agradecerão e certamente apresentarão um rendimento muito melhor.

(zailda coirano)

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16 Respostas

  1. Maria Jose de Araujo

    Zaira, achei muito interessante suas colocações, sou professora leciono
    em Faculdades privadas em Recife PE, como iniciante sinto uma certa insegurança quanto a dinâmica das minhas aulas

    Atenciosamente,

    Profa Maria Jose de Araújo

    Zailda responde:
    No início eu também me sentia insegura, e isso é natural, mas aos poucos a gente vai vendo o que funciona e o que não funciona, e vai seguindo o caminho que a própria realidade da classe nos indica. Cada classe tem seu perfil e precisamos ter sensibilidade para oferecer aos alunos o que esperam de nós.
    Beijão

  2. Adorei ler isso. Lembro de minha primeira aula, e de como eu estava nervoso. Apesar disso, me superei e procuro dar sempre uma aula diferente da outra. E quando vejo o desinteresse dos alunos, procuro com urgência algo interessante para se dizer.

    Bjo, querida!

    Zailda responde:
    Eu também me lembro de como estava insegura no primeiro dia, já vai longe esse tempo mas também procuro sempre coisas que despertem o interesse dos alunos.
    Apareça sempre!

  3. [...] Uma aula mais dinâmica e interessante Tags: alunos, aula, ensino, Escola, explicação, Métodos de ensino, participação, vocabulário [...]

  4. Gostei das suas sugestões. Sou professora estagiária e acredite que os teus conselhos foram úteis na minha primeira aula.

    1. Nossa, eu me lembro da minha primeira aula, era tanta coisa que eu tinha que pensar ao mesmo tempo que eu achava que nunca ia conseguir, mas deu certo. Fico contente por ter ajudado.
      Obrigada pela visita e volte sempre!

  5. [...] também: Uma aula mais dinâmica e interessante Tags: alunos, aula, educação, ensino, Preparação de [...]

  6. [...] também: Uma aula mais dinâmica e interessante Tags: aula, brincadeiras, dinamica de grupo, Dinâmica, educação, ensino, Escola, inicio das [...]

  7. Quando cursei o ensino médio, trabalhava de manhã e de tarde. Do serviço ia direto para a escola, em que estudava no noturno, sem tomar banho e sem comer. Ficava até às 11:00 e ia embora a pé para casa, que ficava em outro bairro.
    Todas as aulas eram tradicionais e expositivas. Não tinha esse negócio de brincadeirinha, dinamicazinha, filminho, passeiozinho, e também não tinha essa coisa de aluno ficar bocejando e reclamando de “aula chata”.
    Até que apareceram as mentes brilhantes.
    Inventaram essa hiatória que estudar é ruim, prestar atenção na aula é ruim, ler é ruim, disciplina é ruim.
    O professor é quem deve “prender a atenção” do aluno.
    O aluno não tem obrigação nenhuma de prestar atenção nem de aprender.
    O professor deve usar de artifícios lúdicos, ficando implícita a imploração que o aluno preste atenção: contar piada, cantar, dançar, fazer malabarismo, acrobacia, streep-tease.
    Hoje, como professor fico horrorizado com o nível de ensino a que chegamos.
    O aluno não pode trabalhar (a lei não permite). Acorda tarde, (pelo menos o que estuda no vespertino) vai para a escola, acha que está lá para brincar e não aprender. Recebe livro didático, tem internet para pesquisar a vontade e ainda reclama.
    Prestar atenção? Oh! Que horror!
    Ler um texto? Prefere levar um tiro.
    Estudar? Tortura.
    É por essas práticas pedagógicas (ou seriam demagógicas?) que o ensino do Brasil vai de péssimo a pior.

    1. Os tempos são outros, o aluno que ficava barbarizado ao ler um gibi hoje joga em 3D no computador, via internet, em tempo real, com pessoas do outro lado do planeta. Para prender a atenção desses alunos a aula teve que sofrer adaptações. O que funcionava uma década atrás faria os alunos dormirem em cima das carteiras. As mudanças ocorreram em virtude de estudos sobre a memória e aprendizado e é nesses dados que se baseiam as mudanças propostas.
      Naturalmente que muitos gostariam que tudo “voltasse a ser como antes” mas o retrocesso não é a ordem natural das coisas, o uso de recursos em sala de aula não as transforma em “brincadeirinha” nem “joguinho”, será que existe alguma lei dizendo que a aula deve ser chata para o aluno aprender? Graças a Deus, não existe. Então qual o mal de tornar a aula agradável? E quem foi que disse que aula agradável não é sinônimo de ensino? Os alunos da minha escola (com brincadeirinha, como você disse) têm um vocabulário de 5.000 palavras em inglês, que dominam perfeitamente, o que é mais do que um brasileiro “da escola onde não há brincadeirinha” consegue dominar após 11 anos nos bancos, ouvindo aulas expositivas.
      E garanto que não é por causa de professores que procuram novas formas de ensinar que o Brasil vai de mal a pior em matéria de ensino, está assim devido aos profissionais que estão na área só para ganhar um salário, e do governo que não se cansa de sucatear a educação.
      Zailda Coirano

  8. Parabéns, seu relato é de estrema importância para a conscientização que devemos assumir enquanto educadores, pois só desse modo elevaremos nossa educação um nível melhor.
    José Marcelo (pedagogia 1° período, Natal-RN)

    1. Infelizmente nem todos concordam, alguns ainda preferem “tudo como era antes”, mas é normal, as mudanças são sempre motivo de medo e contrariedade para aqueles que preferem podar a criatividade e deixar tudo igual.
      Obrigada pelo comentário e apareça sempre.
      Zailda Coirano

  9. Não creio que em menos de vinte anos o cérebro tenha se atrofiado para que se recuse a aprender em uma aula normal.
    Os alunos ficaram mal-acostumados com essas aulas e acham que os professores devem se preocupar primeiro com a forma. O conteúdo é secundário, quando inexistente.
    E quem disse que uma aula normal é chata? Além disso, nem tudo que é novidade significa que é bom. Educação não é uma questão de moda. Os professores devem adotar práticas que funcionem em vez de adotar algo só porque está na moda, por medo de rótulos como retrógrado, conservador.
    Os alunos que já tive que pediam aulas mais “dinâmicas” eram os que mais não sabiam nada. Foram acostumados com o tal lúdico que o aprendizado ficou defasado. Quando têm que aprender de fato, ler um texto, aí não aguentam. Têm um vocabulário paupérrimo, escrevem mal, lêem soletrando, dificuldade enorme em interpretar um texto simples.
    Um exemplo: Não sou muito adepto de passar filme, mas já tentei algumas vezes.
    Já viu o filme Amadeus? Para mim é um dos melhores já feitos.
    Pois bem. Já exibi para os alunos. A maioria reclamou das legendas. Reclamaram que tinham que ler. Filme estrangeiro para deles, só dublado. Outros reclamavam das músicas. Claro. Outras mentes brilhantes disseram que música erudita é “para rico”.
    Outros não entenderam nada.
    Só uma minoria gostou do filme, e, dentro desse conjunto, uma pequena parcela se interessou em pesquisar mais sobre o assunto.
    Esses são os efeitos das aulas “dinâmicas” (por que será que tem esse nome?).

    1. Têm esse nome porque são dinâmicas, o aluno participa de todos os passos e constrói seu aprendizado. Eu não dou peixe para ninguém, ensino os alunos a pescar. Como dou aulas de inglês qdo passo um filme é com um objetivo claro. Não tem legendas e o aluno tem atividades relacionadas antes e depois de assistir. Cada atividade tem outra relacionada, sempre para checar se o aluno realmente aprendeu. Qdo uma técnica não funciona refaço todas as fases da mesma para descobrir o que deu errado.
      Está mais que provado que aprendemos melhor aquilo que se aplica a nossos interesses, então porque não tirar partido disso? Pq não potencializar o ensino? Pq não ajudar o aluno a praticar o q aprendeu?
      Eu uso todos os recursos disponíveis com meus alunos (TV, vídeo, internet, livros, revistas, jogos, etc…) mas antes de tudo eu os ensino q o ensino é por minha conta mas o aprendizado é responsabilidade deles. Não aceito q os alunos sejam meros entes passivos recebendo informação. Preparo aulas onde os alunos irão descobrindo e formando seu próprio aprendizado. As aulas meramente discursivas é que colocam o aluno na posição de receptor mas eu procuro sempre meios de fazer com que além de receptor o aluno seja também um buscador e que através de interação comigo e com os outros alunos construa seu aprendizado.
      Gozado… os meus alunos não reclamam de nada, costumam ficar de olhos acesos qdo apareço com alguma coisa diferente. A reprovação é mínima, lêem bem e têm um vocabulário bem acima da média, dentro dos livros ensinados. Tenho uma classe de espanhol em que a menor nota na última prova foi 82. Acho que os resultados são uma boa forma de “medir” se estamos indo na direção certa, não acha?
      Claro, há os momentos em que tenho que simplesmente passar informação, mas mesmo assim sempre procuro depois inserir algum tipo de atividade na qual possam interagir, praticar e demonstrar se realmente aprenderam ou não.
      E conteúdo não falta, independente de qual técnica vou usar, tenho uma programação que tenho que seguir, seja com aulas discursivas ou com a participação dos alunos e até hoje nunca deixei um livro inacabado. O conteúdo será sempre o mesmo, independente da técnica utilizada, portanto essa afirmação de que “com aulas dinâmicas se perde conteúdo” não procede.
      Um abraço
      Zailda Coirano

      1. Ok. A pergunta é de retórica. A palavra dinâmica para mim evoca rapidez, velocidade.
        Questionei o nome exatamente porque os alunos que reivindicam tal prática não são muito chegados a isso. Já propus: Tá bom. Vou aumentar o tamanho e a quantidade de textos para lerem, falarei mais rápido, aplicarei mais e maiores provas. Devia ver o pulo que deram. A intenção deles é apenas se divertir.
        Acho que estamos falando de universos diferentes. Você passa filmes sem legenda? Parabéns para você e para eles. Se você chegar a minha escola e tentar fazer uma coisa dessas, logo farão abaixo-assinado para ser devolvida.
        Quanto à interação. Não nego que o aluno tenha condições de buscar o conhecimento por si (embora esteja começando a rever isso). Nas minhas aulas faço muitas perguntas, tento fazer com que acompanhem o raciocínio e procuro contextualizar. Sabe o que já falaram? “Você está aqui é pra ensinar e não pra perguntar. Se a gente soubesse, não precisaria estar aqui na escola.”
        Mas, aí se eu dou aula expositiva, e, no auge do seu dinamismo falam que estão com sono, e querem coisa diferente.
        Passo filme.
        No auge do seu dinamismo, fazem as reclamações que citei no comentário anterior. Ou seja: Tudo é chato. Tudo está errado.
        Conhece a fábula do velho, o menino que vão vender a mula na feira?
        Se o velho puxa a mula e o menino vai montado é injustiça para com o velho. Se o menino puxa a mula e o velho vai montado é injustiça para com o menino. Se ambos puxam a mula falam que a mula vai folgada. Se ambos montam na mula, agora é ela quem sofre. Quando ambos carregam a mesma, aí perguntam: qual dos três é mais burro? O velho chegou à conclusão que era ele mesmo, por tentar agradar a todos.
        É assim que eu me sinto. E se fosse só comigo, o problema seria eu mesmo. Vários professores falam o mesmo, inclusive os mais versáteis.
        O engraçado é que os alunos só melhoram quando pego pesado. Punição, aquela resposta estilo Dr. House (conhece?), falo algumas verdades na cara.
        A turma que melhor se comporta comigo hoje e até gosta de mim já foi a pior que tive este ano.
        Dei várias punições, falei várias coisas pesadas. Hoje são educados e, neste final de ano já com o conteúdo encerrado, permito que joguem xadrez na minha sala.
        Você pode falar: Eles têm medo e não respeito.
        Respondo: Sei muito bem a diferença entre as duas coisas e garanto que não é medo. Mas e se fosse? Deu certo. Mas não é o caso.
        Disciplina é a chave.
        Os melhores colégios que tenho notícia são exatamente os tradicionalistas que não estão nem aí com teorias da moda: religiosos e militares.

        Um abraço,

        Messias

      2. Messias:
        Concordo com você que disciplina é fundamental. Se você clicar na categoria “disciplina” aqui na barra lateral do blog vai entender o que penso a respeito. Sou considerada “exigente, rigorosa”, e outras cositas más. Os alunos que nunca tiveram aula comigo têm medo de mim, os meus alunos me respeitam. Temos uma relação de camaradagem, mas também costumo ser muito direta, digo o que tenho que dizer.

        Os alunos não reclamam da forma como dou aulas, se reclamarem vou explicar: cuidem da parte do aprendizado, do ensino cuido eu. Já tive uma aluna que um dia interrompeu a aula para dizer que ela achava que eu deveria dar a aula assim e assado. Eu disse: “Ótimo, adorei as idéias. Termine o curso, candidate-se a uma vaga de professora e aplique com seus alunos.”

        Até aceito sugestões, qdo vou dar uma música passo uma lista para que coloquem a música que gostariam que eu passasse, mas aí eu escolho dentre aquelas a que tem a ver com o que estão aprendendo e a que oferece maiores possibilidades de praticar.

        Um aluno uma vez disse que sou “ditadora”, não respeitava a democracia. Eu disse que “isso não é uma democracia, é uma aula e a professora sou eu.” Mas com turmas de inglês avançado dou alguns tópicos de gramática para discutirem em grupo (coisas novas) e depois eles têm que preparar uma aula de 20 minutos para explicar à classe. Já usei muitas idéias que apresentaram nesses trabalhos. O ser humano adora diversidade e eu adoro surpreender meus alunos. Tenho uma média de alunos faltosos muito baixa, eles vêm pra ver o que vou “aprontar”.

        Não nego ajuda aos alunos, faço “contratos” individuais com eles e depois cobro. Normalmente dá certo. Todos participam da aula, se têm dificuldades marco uma aula extra individual.

        Cobro, cobro muito, ligo para os pais e peço ajuda. Chamo os pais à escola, faço reuniões regulares para dar feedback sobre o desenvolvimento dos filhos deles em classe. Esse ano estou terminando as provas, 4 de minhas 7 classes já fizeram as provas finais, tenho 2 classes com aprovação em massa, notas bem altas.

        Também tenho alguns grupos para professores, onde discutimos técnicas de ensino e trocamos trabalhos para usar com os alunos. Talvez você queira participar.

        Há + de 500 postagens nesse blog, talvez encontre alguma que justifique a razão de eu usar dinâmicas e jogos em sala, também outros blogs com técnicas de ensino diferenciadas. Ainda acho que a troca de idéias só beneficia a todos.

        Um abraço
        Zailda Coirano

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